Tipos de Matança

Quão ruim é um genocídio, de verdade?

Assim como ‘fascismo’ — com o qual está intimamente conectado na imaginação popular — ‘genocídio’ é um palavra que carrega uma carga emocional tão exorbitante que tende a queimar os fusíveis de qualquer tentativa de análise desapaixonada. Podemos agradecer à magia negra política de Adolf Hitler e seus comparsas nazistas por isso.

Antes do Terceiro Reich e de suas tentativas sistemáticas e industrializadas de erradicar populações etno-raciais inteiras (judeus, ciganos e talvez eslavos) junto com numerosos outros grupos (‘defectivos’ mentais e físicos ou ‘comedores inúteis’, homossexuais, comunistas, testemunhas de jeová…), a lei internacional restringia sua atenção às ações e queixas de estados e de indivíduos, os últimos subdivididos entre combatentes e não combatentes. O trauma Nacional-Socialista mudou isso de maneira fundamental.

Em 9 de dezembro de 1948, as Nações Unidas adotaram a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio (como Resolução 260), definindo uma nova categoria de crimes reconhecidos internacionalmente como “atos cometidos com a intenção de destruir, em todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

Desde 1948, defender o genocídio tem sido a maneira mais certa de arruinar um jantar. Isso não significa, contudo, que o tópico mereça ser imunizado contra controvérsias. Há um questão em particular que merece um escrutínio intenso e prolongado: O genocídio realmente é pior do que matar um monte de gente?

Colocada de uma maneira ligeiramente mais técnica: Existe um crime de genocídio que fica acima e além do assassinato em massa (de escala equivalente)? Ou (um equivalente aproximado): Grupos podem ser as vítimas específicas de um crime? Isso é perguntar se grupos existem — e têm valor — enquanto algo mais do que um conjunto nominal ou estritamente formal, cuja realidade é exaurida pelos seus membros constituintes individuais. A existência do genocídio enquanto categoria legal presume uma resposta (positiva) à essa questão e, ao fazê-lo, se fecha sobre um problema de importância grande e bastante geral.

A presunção liberal clássica é bastante diferente, como resumida (um tanto abruptamente) pela observação provocativa feita pela primeira ministra inglesa Margaret Thatcher em 1987 “…não existe essa coisa de sociedade. Existem indivíduos homens e mulheres, e existem famílias”. Extrapolando-se bruscamente a partir dessa posição, uma certa ironia poderia ser encontrada no fato de que um resposta horrorizada aos crimes Nacional-Socialistas tomaram a forma de uma codificação legal do coletivismo racial. No mínimo, é intrigante que suspeitas dirigidas contra referências legais a ‘direitos de grupos’ e ‘crimes de ódio’ entre aqueles de uma inclinação libertária não tenham sido estendidas à categoria de genocídio.

No campo oposto, a defesa mais plenamente articulada de coletivos enquanto entidades reais é encontrada, como poderia se esperar, na fundação da sociologia enquanto disciplina acadêmica e, mais particularmente, no argumento de Émile Durkheim a favor de ‘fatos sociais’. Larry May olha mais para trás, para o Leviatã, ou ser social, de Thomas Hobbes, no qual os indivíduos humanos são absorvidos enquanto partes orgânicas.

Embora a distinção entre ‘sociedade’ e ‘indivíduo’ tenha um significado coloquial (e político), aqueles inclinados à análise de sistemas complexos têm maior probabilidade de se perguntar quais grupos ou sociedades são indivíduos reais, que exibem integridade funcional ou comportamental enquanto todos auto-reprodutores. Ao perseguir essa linha de investigação, é bem mais relevante discriminar entre tipos de grupos do que entre grupos e indivíduos, ou mesmo entre todos e partes. É especialmente útil distinguir entre grupos característicos e grupos unitários.

Um grupo característico é determinado por uma classificação lógica. Isso pode ser expresso como uma auto-identificação ou um senso de ‘pertencimento’, como uma categorização externa política ou acadêmica, ou como alguma combinação desses, mas as características essenciais permanecem as mesmas em cada caso. Certas características do indivíduo são isoladas e enfatizadas (tais como genitália, orientação sexual, cor da pele, renda ou crença religiosa) e então empregadas como o principal guia em um processo de agrupamento formal que se conforma teoricamente com a matemática dos conjuntos.

Um grupo unitário, em contraste, é definido como uma montagem, ou todo funcional. Seus membros pertencem ao grupo na medida em que trabalham juntos, mesmo que sejam completamente desprovidos de características identitárias comuns. A associação é decidida por papel, em vez de por traços, uma vez que se torna parte de um grupo através do envolvimento funcional, em vez de por uma classificação de características. Instâncias sociais de tais grupos incluem tribos primitivas (determinadas por unidades funcionais, em vez das pelas categorias modernas da ‘política identitária’), cidades, estados e companhias. A instância mais óbvia na teoria socialista é a unidade de trabalho ‘soviete’ ou ‘danwei’ (ao passo em que classes sociais são grupos característicos).

Para tomarmos um exemplo não antropomórfico, considere uma célula da pele. Seu grupo característico é aquele das células de pele em geral, distinguidas das células nervosas, hepáticas, musculares ou outras. Quaisquer duas células de pele compartilham o mesmo grupo característico, mesmo que pertençam a diferentes organismos ou mesmo espécies, existam em diferentes continentes e nunca interajam funcionalmente. O grupo unitário natural da mesma célula de pele, em contraste, seria o organismo a que ela pertence. Ela compartilha esse grupo unitário com todas as outras células envolvidas na reprodução desse organismo ao longo do tempo, incluindo aquelas (tais como as bactérias intestinais) de linhagens genéticas bastante separadas. Considerada como um membro de um grupo unitário, uma célula de pele tem uma conexão integral maior com as ferramentes não biológicas e com os outros elementos ‘ambientais’ envolvidos na vida do organismo do que ela tem com outras células de pele — mesmo clones perfeitos — com as quais ela não está funcionalmente enredada.

Claramente, tanto grupos característicos quanto grupos unitários são ‘grupos difusos’, e a próprio distinção — embora teoricamente precisa — é empiricamente nebulosa. Uma gangue urbana de rua americana, for exemplo, na maioria dos casos será vaga em suas características e unidade, talvez ‘étnica’ em algum grau de definição, com uma faixa etária determinável e com conexões funcionais ambíguas com agrupamentos em uma escala maior, ou com membros cujo status de ‘pertencimento’ não é estritamente decidível. Tatuagens e outras marcas de associação provavelmente envolverão aspectos tanto de identidade quanto de integridade — traços e papéis. Rituais de pertencimento (provações, juramentos, ritos de passagem) são desenhados para desambiguar a associação.

Apesar dessa nebulosidade, a distinção entre esses dois tipos de grupos acerta diretamente na problemática central do genocídio (enquanto categoria legal). Quando um grupo unitário é destruído, um indivíduo real é ‘morto’, acima e além de quaisquer perdas humanas nas quais se incorra. A destruição de um grupo característico, qualquer que seja a perda cultural, não é nenhum tipo de matança para além do assassinato em massa de indivíduos humanos. Se isso é pior do que o assassinato, deveríamos saber por quê.

Esta conclusão parece relevante quando se pesa, por exemplo, o Massacre de Nanquim de 1937 na escala das atrocidades históricas. Ela sugere, pelo menos, que um ato de violência dirigido contra uma cidade — ou uma unidade populacional integrada — não é menos digno de atenção legal específica do que o delito quantitativamente equivalente contra uma etnia ou um tipo populacional determinado. Não parece ser mais do que um acidente da história que, a fim de se apropriar da categoria de genocídio, crimes massivos da primeira variedade precisem ser re-codificados como se pertencesse mais propriamente à última.

Deixando de lado a ontologia dos sistemas complexos, essas questões se resolvem, em última análise, em valores sociais obscuros. Concepções ortodoxas de ‘genocídio’ assumem que a identidade étnica significa simples e inquestionavelmente mais do que a cidadania ativa ou a participação na vida de uma cidade. Talvez até se possa argumentar por essa suposição. Mas já se argumentou?

Original.

“Chiang Kai-shek of the Machine to Seek”

Política na Era da Idiotice Artificial

Nem mesmo os mais firme proponente de uma ‘singularidade forte’ espera uma transição para a inteligência de máquina que chegue em um passo simples. Uma vez que passinhos incrementais já estão bem encaminhados, seria obviamente ridículo fazê-lo, por razões factuais claras.

Se mentes com substrato em silicone passarem em estágios de ferramentas burras para super-inteligências, pode-se confiantemente esperar que elas passem por um período de cretinismo sintético. Alguém está se preparando para isso?

Traduções mecânicas podem ser o areal mais animado para esquisitices meio idiotas hoje. As competências linguísticas humanas são continuamente marginalizadas e, com elas, o papel de línguas francas. Esta tendência tem uma significância óbvia para o status global e para a função do inglês.

Ela também tem uma relevância especial para a língua chinesa. Desde as origens da modernidade, o imperativo tecno-comercial de digitalização apresentou desafios especiais para uma língua não-alfabética, cujas unidades pictográficas inconvenientemente numerosas e elaboradas resistem à redução a conjuntos tipográficos ordenados. Este é o problema da ‘Máquina de Escrever Chinesa’ que Thomas S. Mullaney tem explorado de maneira obstinada. A tradução mecânica altera seus termos de maneira incalculável.

No ínterim, contudo, uma fase de incompetência balbuciante, desarranjo semântico e caos comunicacional está sobre nós. A tagarelice planetária está fadada a ficar muito mais estranha.

Enquanto se envolvia numa pesquisa online sobre o tópico do marxismo na China hoje, o Urbano Futuro topou com esta observação cripticamente animada — em ‘inglês’. Ela é atribuída a Jiang Jushi, mas foi evidentemente triturada por máquinas de uma maneira bem completa. Não temos a mais remota certeza do que ela está nos contando sobre o atual estado do Socialismo com Características Chineses, mas é um tanto esclarecedora sobre a contribuição da inteligência digital para a compreensão inter-cultural:

Nowadays, many party members, cadres, “the morning the car turn around, turn the plate around noon, the afternoon shuttle turn around, turn the evening around the skirt.” For example, A Who “Sando,” not only corruption, bribery, and one night, thought it outrageous that night, under the cover name of overtime in the office, the office lights on, but actually go out and touches his mistress secretly rendezvous. Such a person, all day thinking about is how to get lost, how to play a woman, how to get a woman. They are reading, not outside, such as ”Mai-phase method,“ ”Liuzhuang phase method,“ ”physiognomy Danian Ye full,“ ” meat futon,“ ”Motome Heart Sutra,“ ”Golden Lotus,“ ”the official after,” “thick black school”, “Zeng technique employing people know,” “Chiang Kai-shek of the machine to seek,” “Confucius, Crown Way,” ”Official Pitch culture and unspoken rules,“ ”teach you how to climb clever work,“ ”Book of Changes,“ ”yin and yang, Feng Shui,“ “character and the official transport,“ ”Office Feng Shui,“ ”gossip financial officer transported through the solution,” “the official transport peach,” “China ancient monarch and his Machiavellian Danian Ye Guan,” “Yu-person operation emperors” and other pollution seventy-eight bad book. Reading this book, can not worship bankruptcy? Character can not go wrong? Unexpectedly, depression can blog? Integrity can not decay?

Original.

Re-Animador (Parte 5)

O Chamado de Haibao

Despachada do Consulado Britânico, a doutora Helen Goodwhite chega ao Hospital Especial de Jiangnan para Diabruras Estrangeiras Inexplicáveis, a fim de entrevistar um interno problemático.

Dra. Goodwhite: Como você está se sentindo hoje Senhor Vaughn? Disseram-me que você está bem mais calmo.

Vaughn: Ok, eu acho. Um pouco desorientado. Há quanto tempo…?

Dra. Goodwhite: Você se lembra por que está aqui?

Vaughn: Não exatamente

Dra. Goodwhite: Essas cicatrizes nos seus braços, alguma ideia?

Vaughn: [Hesitante] Algum tipo de acidente…?

Dra. Goodwhite: Eu tenho alguns relatos de testemunhas aqui, todos muito consistentes, talvez eles estimulem algo. Parece que você estava descendo a Nanjing East Road quando de repente você começou a guinchar “a-ya, a-ya, a-ya” com um sotaque chinês muito pouco convincente antes de mudar para o inglês e gritar “Sair. Sair. Temos que sair da cidade”. Depois disso, quando ninguém tomou nenhum conhecimento, você continuou a ‘berrar agressivamente’… Hmmm, vejamos [folheando suas anotações], ah sim, “Prole de Haibao, você são todos a maldita prole de Haibao, maldita prole zumbi do sangue-praga de Haibao”, e assim por diante, uma quantia considerável de obscenidades aparece e depois… ah, aqui somos “a maldita prole imunda intoxicada de futuro de Haibao, morrer, morrer, vamos todos morrer” et cetera, et cetera, et cetera. Aí você atravessou a rua correndo e arrebentou a janela de vidro laminado de uma loja de presentes da Expo com as mãos. [Olhando para cima] Você lembra de alguma dessas coisas, senhor Vaughn?

Vaughn: Algumas, sim. Agora que você mencionou. Está voltando. Mas não foi realmente assim.

Dra. Goodwhite: Não foi?

Vaughn: Na realidade, não. Pelo menos, essas coisas aconteceram, sim…

Dra. Goodwhite: Aconteceram?

Vaughn: Sim, mas é só, o que significam… [hesitando]

Dra. Goodwhite: Continue.

Vaughn: Bem, elas não significam nada, claro, o que eu quis dizer foi, bem, foi meio que um erro.

Dra. Goodwhite: Um ‘erro’?

Vaughn: Sim, ou, eu acho, mais um mal entendido.

Dra. Goodwhite: Temo que você vá ter que ser bem mais específico se formos fazer qualquer progresso.

Vaughn: É bem complicado.

Dra. Goodwhite: Por favor. Só comece do começo.

Vaughn: Suponho que tenha começado no pavilhão.

Dra. Goodwhite: O pavilhão do Reuno Unido na Expo?

Vaughn: Eu estava trabalhando lá, sabe.

Dra. Goodwhite: Está no arquivo.

Vaughn: Então você sabe qual a aparência dele.

Dra. Goodwhite: Sim, claro.

Vaughn: Os tentáculos, o cintilar, o nome como uma provocação… deles.

Dra. Goodwhite: Chamava-se ‘Seed Cathedral’, de acordo com isto.

Vaughn: Seed Cathedral, Sea Cthudral, que seja, foi mandado de volta, para cima, para nos mostrar sua verdadeira ‘face’.. Pelo menos, foi o que eu pensei na hora, mas isso é bem ridículo, né? Estou percebendo agora.

Dra. Goodwhite: Mas ‘na hora’ você pensou que ‘eles’ tinham ‘mandado ela de volta’?

Vaughn: Eu tinha trabalhado muito duro. Foi bem estressante, sabe. Eu não estava dormindo bem, me preocupando e foi aí que eles começaram a conversar.

Dra. Goodwhite: Quem eram ‘eles’, Senhor Vaughn?

Vaughn: Os Haibao, claro.

Dra. Goodwhite: Ah sim, o mascote da Expo…

Vaughn: Máscara, não mascote.

Dra. Goodwhite: Você sabia que o Pavilhão Corporativo de Shanghai foi desfigurado com uma tinta luminosa azul, na note de nove de setembro? [Ela passa um fotografia.]

Vaughn: [Estremece silenciosamente]

Dra. Goodwhite: A mensagem é um tanto críptica, mas suas palavras me lembraram dela, por alguma razão. É um pouco difícil de ler pela foto, mas eu tenho uma transcrição. “Somos muitos e, no entanto, singulares. Nosso nome é igual a 90, o vácuo fervilhante, que envolve a inteligência artificial e o alfa-ômega terminal. Viemos das profundezas, da tela azul no fim do mundo. Cthublue.”

Vaughn: Eu não sei nada sobre isso.

Dra. Goodwhite: É mesmo?

Vaughn: É cultismo Haibao, dos fortes. Eu nunca tocaria nisso — nunca.

Dra. Goodwhite: E no entanto, você parece reconhecer.

Vaughn: Dos sonhos — sonhos ruins, realmente ruins. Eu lhe disse, eu não estava dormindo bem. Eles não paravam de conversar, de me dizer coisas que eu não queria ouvir, não conseguia pará-los. Eu tentei, mas eles continuaram me chamando.

Dra. Goodwhite: Chamando-lhe para se curvar perante o mais elevado?

Vaughn: [Indignado] Eu nunca disse isso. Eu nunca diria isso. É absurdo, obsceno. Não é nem mesmo um código.

Dra. Goodwhite: [Verificando suas notas]. Então, você entende agora que ‘hairy crab’ não é um anagrama secreto para ‘Haibao’?

Vaughn: Sim, posso ver isso, claro.

Dra. Goodwhite: Não está nem perto, na verdade — letras demais, pra começar.

Vaughn: Bem, seis e nove são gêmeos rotacionais, e ‘o’ é um ‘cry’. [Soluça levemente]… É tudo sem sentido. Eu vejo agora. Eu estava confuso.

Dra. Goodwhite: O problema, Mister Vaughn, é que esse assunto ainda parece lhe excitar de uma maneira um tanto desproporcional. Acho que precisamos conduzir um pequeno teste. Vamos ver o que acontece quando comparamos isso [ela pega sua bolsa e tira dela a estatueta de uma abominação com tentáculos na face, esculpida há muito tempo por alguma tribo de uma ilha no Pacífico, presumida estar extinta] com isto [um boneco azul ameno, cartunesco e vagamente antropomórfico, sugestivo de um anúncio de pasta de dentes para crianças]. A similaridade não é especialmente impressionante, é?

Vaughn: Não, não, não, não, NÃOOOOOOOOOO.

Dra. Goodwhite: Perdão, o quê?

Vaughn: [Em uma voz quase indiscernível] Os profundos.

Dra. Goodwhite: Não captei essa.

Vaughn: Das profundezas, o oceano — os profundos. Eles vêm do mar — ‘tesouro do mar’ [ri morbidamente]. Até você tem que entender essa, doutora. Globalização, tecno-capitalismo, Shanghai, invasão alienígena, a Coisa — dificilmente poderia estar mais claro. Escapou do abismo, e agora está exposta. O tempo chegou. Mudança Marítima, Modernidade, chame do que quiser, não importa. Os Haibao nos contarão como pensar bem em breve, e obedeceremos, porque estão atrás de nós, sob nós, e descascaremos do que eles sempre foram como pele morta de uma cobra. Eles já nos mostraram a derradeira cidade deus, então não demorará. Suas palavras estão chegando, sussurros, murmúrios…

Dra. Goodwhite: [Inquieta] Oabiah nasce zhee ute ewoit.

Vaughn: Perdão?

Dra. Goodwhite: Isso não significa nada para você?

Vaughn: Nada

Dra. Goodwhite: Estranho, então, que esteja tatuado no seu braço.

Vaughn: Não tenho ideia de como chegou aí

Dra. Goodwhite: Certo, vamos seguir em frente, sim?

Vaughn: Seguir para onde, doutora? Já estamos aqui, na cidade no fim do mundo, a coisa que saiu do mar. Não vamos a lugar nenhum. Ela está vindo até nós, agora mesmo, e não pode ser parada. O que você esperava? Uma Nova Jerusalém? [gargalhando desagradavelmente]

Dra. Goodwhite: Certo, Senhor Vaughn, creio que estamos terminados aqui. Precisamos lhe dar uma atenção apropriada e profissional. Aí, depois de algum descanso, de volta à sua família…

Vaughn: [Gargalhada prolongada, ainda mais medonha] Tarde demais, doutora! Muito tarde demais. Os Haibao já a tomaram. Vieram até as crianças primeiro, você não percebe isso? Você sabe quantos bonecos Haibao minhas doces criancinhas acumularam? [Voz falhando] Dezessete! Elas bem podem estar com tentáculos saindo dos olhos — equivaleria à mesma coisa. Os Haibao derreteram suas almas na tela azul meses atrás. Essa geração se foi. Há muito tempo. Tinha acabado mesmo antes dos clones Haibao terem deslizado para fora da televisão.

Dra. Goodwhite: [Recuando nervosamente] Essa foi uma conversa muito interessante, mas eu realmente tenho que ir agora. Eu direi ao consulado que… que…

Vaughn: [Distraído, contemplando o azul] Eles querem nos transmutar — nos substituir — por algo indizível, por uma monstruosidade biônica de além da tela azul. Nossas metrópoles estão se tornando… Na verdade, elas nunca foram nossas. Os profundos, os Haibao, sempre as usaram para nos modificar, nos usando para fazê-las — esse é o circuito: animação alienígena. Era um jogo cósmico, uma aposta, e agora eles a estão recolhendo…

Dra. Goodwhite: [Fica pálida, uma horrível compreensão lhe ocorrendo] Cidade melhor, vida melhor…

Original.