A Espiral do Tempo

Na Nota do Autor ao Oracle Bones (2006, com o subtítulo de ‘A Journey Between China’s Past and Present’, “Uma Jornada Entre o Passado e o Presente da China”) de Peter Hassler, explica-se que:

Os principais capítulos desse livro estão arranjados de maneira cronológica, mas as seções curtas rotuladas de ‘artefatos’ não estão. Elas refletem um sentido mais profundo do tempo — as maneiras na quais as pessoas fazem sentido da história depois que ela recuou ainda mais no passado.

Conforme o tempo avança, o passado recua. A modernidade, contudo, é mais do que isso. Ela é a própria escavação do passado através da aceleração até o futuro, um processo de descoberta, recuperação e dilação, através do qual o passado é explosivamente expandido. Como Hessler percebe, os Ossos Oraculares (“Oracle Bones”), que ligam de maneira indissolúvel a recuperação da história profunda da China com sua ativação da modernidade, fornecem uma ilustração exemplar disso.

Ainda assim, a modernidade, consolidada sobre os fundamentos europeus, tem desprezado a história chinesa, vendo apenas escala sem padrão:

Na visão tradicional do passado chinês, não há nenhum equivalente da queda de Roma, nenhuma Renascença, nenhum Iluminismo, imperador sucede imperador, e dinastia segue dinastia. A história como papel de parede.

Em uma loja de presentes de um museu de Nanjing, Hessler vislumbra um modelo alternativo:

Em um museu de Nanjing, eu comprei um cartaz rotulado ESBOÇO DA HISTÓRIA ANTIGA DA CHINA. O cartaz apresentava uma linha do tempo torcida na forma de uma espiral. Tudo começava no centro, em um ponto minúsculo identificado como ‘Homem-Macaco de Yuanmou’. Depois do Homem-macaco de Yuanmou (aproximadamente 1.7 milhões de anos atrás), a linha do tempo passava pelo Homem de Pequim e então fazia uma curva abrupta. Por volta da dinastia Xia, a espiral havia completado um círculo completo. As dinastias Shang e Zhou completavam uma segunda revolução. A espiral ficava maior com cada volta, como se pegasse velocidade. Quando quer que algo acabasse — uma dinastia, um estado guerreiro – a espiral era marcada com uma linha e um X preto, e então algo novo tomava seu lugar. Não haviam ramos ou becos sem saída. A partir do Homem-macaco de Yuanmou, levou-se três voltas da espiral para se chegar à revolução de 1911, onde a linha do tempo finalmente quebrava o ciclo, ficava reta e apontava diretamente para cima e para fora da página.

Seja dobrando a linha história do tempo, ou expandindo uma concha de caracol, a espiral sintetiza repetição e crescimento. Ela descreve um escalonamento cíclico que escapa — ou precede — o antagonismo entre tradição e progresso, elucidando a restauração como algo além de um simples retorno.

Esta é uma questão de inelutável importância, porque a história da modernidade está rapidamente se tornando chinesa, e a história chinesa não é um ‘papel de parede’ serpenteando, mas Restauração Confucionista, em conformidade com três grandes ondas, cada uma delas uma volta da espiral, ou Giro. Seguindo a era clássica da China, e o renascimento da tradição filosófica na Dinastia Song, a terceira época confucionista, ou segunda Restauração Confucionista, está em andamento, coincidindo de maneira exata com a renascença da Modernidade Global (como ‘Modernidade 2.0’). Conforme o futuro e o passado evoluem — ou involuem — juntos, a espiral do tempo é nossa guia.

Original.
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