A Forma do Tempo (Parte 2)

Na primeira parte dessa série, introduzimos a quadro ‘druídico’ de John Michael Greer para a avaliação de ‘formas temporais’ culturais – embasada na suposição de uma ciclicidade dominante, de acordo com a qual qualquer desvio prolongado ou processo desequilibrado é exposto como uma exceção insustentável. Dentro de um grande ciclo suficientemente expansivo, qualquer tendência progressiva contínua é complementada por uma regressão proporcional (e, claro, reciprocamente). A suposição cíclica marca cada uma e todas as imagens do progresso absoluto como ilusórias. Desta forma, o ciclo, quando aplicado a qualquer figura particular de tempo, descreve uma estrutura envolvente que fornece uma perspectiva crítica aguda. (Uma crítica da suposição cíclica em si — ou, “por sua vez” — é melhor postergada até que os resultados positivos mais significativos de Greer tenham sido esboçados.)

A civilização global atualmente dominante – quando percebida em um nível de abstração (ecológica) extremo – é o surto desembestado queimador de combustíveis fósseis que Greer chama de “cultura industrial moderna”. Central para esta cultura é uma expectativa de crescimento, fundada em um processo ecológico insustentável, e expressada através de formas temporais distintivas. O plural aqui é essencial, porque a descrição ‘morfológica‘ completa que Greer faz do tempo moderno se desdobra dentro de uma sistema tríplice de classificação.

A primeira forma temporal está em sua maior parte ocluída. Este é o modelo cíclico que organiza o pensamento de Greer, servindo tanto como um pivô quanto como um quadro envolvente. A concepção temporal cíclica define um ‘caminho do meio’ que expõe anormalidade e excesso através do contraste e também completa uma compreensão holística, contextualizando a parcialidade, ou viés. Ela funciona, dentro da análise de Greer, como uma ferramenta ou oficina intelectual, mais do que como um objeto distinto de investigação. Dado seu status ‘transcendental’ dentro da ordem druídica de compreensão, o ciclo não está limitado a um momento de origem histórica ou associado com o nome de uma autoridade cultural particular.

A segunda forma temporal não é intrinsecamente moderna, mas é antes o ancestral vivo, ou herança vital, da cultura que eventualmente afirmaria os termos da modernidade global. Da inúmeras formas temporais pré-modernas do mundo, ela é a que foi universalizada por seus descendentes lineares. Greer a identifica primariamente com Agostinho de Hipona e atribui a ela uma data de nascimento específica: 413 D.C.

Greer argumenta (de maneira convencional), que o colapso do Império Cristão sob investida bárbara ameaçou a nova fé com uma crise de legitimidade, levando Agostinho à conclusão radical de que: “A história ordinária… não tem nenhuma ordem moral ou significado”.

O lugar da ordem e do significado moral no tempo é encontrado, em vez disso, na história sagrada, que tem sua própria forma linear distintiva. Essa forma começa na perfeição, no Jardim do Éden; um desastre se sucede, na forma do pecado original, e a humanidade tropeça para dentro do mundo caído. Desse ponto em diante, existem duas histórias do mundo, uma sagrada e uma secular. A história secular é o conto longo e sem sentido de estupidez, violência e sofrimento que preenche os livros de história; a história sagrada é a estória das relações de Deus com uma pequena minoria de seres humanos — os patriarcas, o povo judeu, os apóstolos, a igreja cristã — a quem são atribuídos certos papéis em uma narrativa pré-existente. Eventualmente o mundo caído será obliterado, a maior parte de seus habitantes será condenada a uma bota divina na cara para sempre, e aqueles poucos que ocorrerem de estar do lado certo serão restaurados à perfeição do Eden, ponto no qual a estória acaba.

Ao formular essa estória, Agostinho deu “ao mundo ocidental o que seria, pelo próximo milênio mais ou menos, sua forma definitiva do tempo”. Além disso, mesmo depois da emergência de uma alternativa, essa narrativa cultural fundamental permaneceria em reserva, constantemente disponível enquanto recurso, caso seu sucessor falhe, traia os interesses de grupos desafetos ou acumule sinais de crise. A tradição ocidental, quando concebida através de sua forma temporal ancestral, seria perpetuada como um reservatório não drenado de tentação apocalíptica. A crítica ecológica da modernidade, observa Greer, está tão completamente saturada dessa narrativa apocalíptica quanto qualquer outra articulação de dissidência social.

Dentro da modernidade propriamente dita, contudo, a forma temporal agostiniana deixou de ser a corrente principal. Mais uma vez, Greer não reluta em buscar um nome e uma data (aproximada), no místico italiano do século XII “Joaquim de Fiore … [que] teve um impacto no futuro tão significativo quanto o de Agostinho: ele é a pessoa que derrubou a barreira entre história sagrada e secular, na qual Agostinho colocara tanto esforço em construir, e criou a forma do tempo que a principal corrente cultural ocupa até hoje”.

Para Joaquim, a história sagrada não estava limitada a um paraíso antes do tempo, um paraíso depois dele, e a linha de remanescentes honrados e doutrina redentora que ligava os dois. Ele via a história sagrada se desdobrando a todo seu redor, nos eventos de seu próprio tempo. Sua visão dividia toda a história em três grandes eras, governadas pelas três pessoas da trindade cristã: a Era da Lei, governada pelo Pai, que ia da Queda até a crucificação de Jesus; a Era do Amor, governada pelo Filho, que ia da crucificação até o ano 1260; e a Era da Liberdade, governada pelo Espírito Santo, que iria de 1260 até o fim do mundo.

O que tornava a visão de Joaquim diferente de qualquer uma das história visionárias que vieram antes dela — é havia uma abundância dessas na Idade Média — era que ela era uma história de progresso.

Não apenas a narrativa joaquinamita de progresso em três estágios introduz a ideia de avanço descompensado, ela também legitima uma tendência à secularização, conforme as estruturas institucionais apropriadas às épocas patriarcal e filial são dissolvidas na nova era de liberdade revolucionária. Sem surpresas, intelectuais e movimentos radicais se apoderaram desses esquema como o diagrama da desapropriação da Velha Ordem, garantindo sua popularização geral. À medida em que a modernidade foi serialmente ‘revolucionada’, ela se tornou cada vez mais joaquinamita em suas suposições básicas, até que o progresso tivesse sido instalado como uma ‘religião civil‘ dominante. Eventualmente, a ideia progressista havia sido normalizada ao ponto de invisibilidade semi-total.

Com o esboço das ‘visões’ agostiniana e joaquinamita, a classificação das formas temporais modernas feita por Greer se aproxima da completude. Todo o argumento, quando revisto de maneira esquemática, pode ser decomposto em uma série de afirmações distintas e informativas:
(a) A cultura da civilização moderna global é dominada exatamente pelas duas principais formas temporais.
(b) Essas formas temporais são, em certos aspectos, culturalmente arbitrárias, surgindo em tempos e locais específicos, sem qualquer interdependência lógica original, e moduladas pelas preocupações de uma tradição religiosa particular.
(c) Essa arbitrariedade é ainda mais confirmada pela riqueza morfológica que cada forma temporal revela, uma característica que sustenta identificação e classificação confiantes de variantes superficialmente diferenciadas.
(d) Apesar da ausência de necessidade lógica, quando reunidas historicamente em um sistema maduro e diádico, a dualidade agostiniana-joaquinamita combinada evidencia uma medida significativa de ordem recíproca (ou ‘unidade dialética’ efetiva) e uma influência semi-exaustiva sobre a imaginação cultural moderna — conformidade e dissidência.
(e) A complementaridade da díade corresponde aproximadamente a julgamentos simétricos de afirmação (joaquinamita) e negação (agostiniana) de uma tendência histórica predominante.
(f) Independente de seu poder manifesto de fascinação, a díade agostiniana-joaquinamita tem um limite, melhor descrito pelo modelo temporal cíclico do qual cada lado da dualidade diverge.

[A seguir: apreciação crítica]

Original.

‘Likonomia’

No AToL, Willy Wo-Lap fornece uma visão geral da agenda de reforma econômica da 5ª geração da RPC:

O premier Li estabeleceu uma meta abrangente de “abandonar os poderes administrativos e devolver ao mercado tudo o que pode ser melhor administrado pelo mercado”. A mídia chinesa informou que o Terceiro Plenário do Comitê Central, em outubro, aprovará reformas das políticas econômicas e sociais para abordar as seguintes áreas principais: políticas financeira, monetária e fiscal; criar um ambiente competitivo justo para empresas privadas; liberalizar os preços dos bens de produção e serviços públicos; aparar o número e procedimentos de revisões burocráticas; estreitar a diferença de renda entre ricos e pobres; e liberalizar a propriedade da terra e os sistemas de registro das famílias, a fim de acelerar a urbanização. […] Embora o Conselho de Estado tenha ordenado que 1.400 fabricantes de setores que incluem aço, cimento, cobre e vidro reduzam a produção devido ao excesso de oferta, o gabinete Li deve retomar os investimentos de longo prazo nas ambiciosas redes ferroviárias e rodoviárias do país. Além disso, embora os preços dos apartamentos estejam disparando, o Conselho de Estado tem evitado medidas drásticas para esfriar a bolha imobiliária, de modo a não perturbar o delicado equilíbrio socioeconômico.

Com problema de bolha sendo uma experiência de aprendizado semi-inevitável em algum ponto, a medida do sucesso no longo prazo será a quantidade de investimento que não desaparece na espuma. Fortalecer abrigos contra a tempestade sócio-econômica, sem assustar desnecessariamente as pessoas, conta como um curso especialmente responsável. Urbanização sustentável, infraestrutura funcional de transporte e comunicação e o desenvolvimento contínuo de uma cultura empreendedora resiliente são todos bons candidatos para isso. Uma vez que o mercado tenha implodido, vai ser mais fácil ver o que realmente foi construído. (Nossa expectativa confiante: Muito.)

Original.

Propriedades Emergentes

A economia é complicada, mas, pelo menos em certos aspectos, ela não é tão complicada. Faça um gráfico de quase qualquer variável sensível ao mercado e o que emerge é um padrão de onda, que varia em amplitude, frequência e tendência, mas que claramente se conforma a um padrão geral, misturando um ritmo irregular com um passeio aleatório.

A irregularidade e a aleatoriedade são predicadas pela teoria econômica elementar, uma vez que o determinismo e a regularidade são estritamente equivalentes a notas bancárias jogadas na rua, apanhadas assim que vislumbradas. Oportunidades especulativas de risco zero – do tipo que qualquer padrão inteligível apresenta – são rapidamente arbitradas de volta ao ruído, o estado de equilíbrio, no qual toda informação significativa é absorvida no preço.

O ritmo residual é mais inesperado e atesta um fator irracional, que estimula controvérsias intelectuais e práticas. Independente de tais disputas, é possível estar confiante sobre dois pontos indefinidos. Primeiramente, os ritmos do mercado (quase) nunca são fáceis de se prever com precisão e, assim, de se explorá-los. Em segundo lugar, desvios para fora da tendência eventualmente serão corrigidos, a menos que – muito raramente – a tendência em si mude de forma. A qualificação do segundo ponto merece um exame especial, porque expectativas irrealistas a respeito de transformações na linha de tendência estão na raiz do erro mais notório no raciocínio econômico prático – a crença (que tipicamente se enraíza em proporção direta à inflação de uma bolha) de que “dessa vez é diferente”. Este slogan, que encapsula a teimosa e desastrosamente cara síndrome da negação da correção para baixo, deveria estar escrita nas camisas daqueles que logo as perderão.

Qualquer onda de mercado com uma amplitude suficiente chega à sua crista em uma bolha, que ‘estoura’ em uma quebra. A menos que desta vez seja diferente – e não vai ser – a China inevitavelmente experimentará um evento desse tipo. Comentários especulativos sobre a natureza e o momento desse evento aumentaram acentuadamente em volume à medida que o ambiente econômico global se deteriorou. Ainda assim, uma previsão é especialmente difícil nesse caso. A economia de mercado da China tem pouco mais de três décadas de idade, com apenas alguns períodos difíceis ocasionais interrompendo um crescimento rápido e semi-contínuo. Desembaraçar o componente insustentável, ou a ascensão rítmica, da trajetória de desenvolvimento subjacente envolve uma estimativa excepcionalmente obscura, dada a incompletude do padrão percebido.

Em um artigo publicado no Caixin e no Marketwatch (via), Andy Xie faz uma contribuição substantiva para essa discussão. Ele identifica a vulnerabilidade financeira da China com uma enorme bolha de ativos no mercado imobiliário, mas continua otimista sobre suas consequências finais. Ele argumenta convincentemente que uma redução substancial dos valores imobiliários, embora inevitavelmente perturbadora, teria um efeito tônico na economia chinesa quase imediatamente, com rápida recuperação a seguir.

Uma vez que a economia de mercado da China ainda não tem uma tendência identificável de longo prazo, Xie estima a escala da bolha imobiliária do país ao comparar a valorização dos preços dos imóveis com o crescimento dos salários:

A China tem experimentado um crescimento rápido nos preços da terra na última década. Um pouco dele pode ser justificado pelo crescimento de renda e produtividade, devido ao ingresso do país na Organização Mundial do Comércio. A maior parte do aumento é um fenômeno de bolha.

Embora a renda domiciliar possa ter triplicado em uma década, o preço médio da terra subiu mais de trinta vezes. Qualquer que seja o crescimento de renda por vir, ele não pode justificar o atual preço da terra. Tampouco uma escassez de oferta poderia.

A China não tem nenhuma escassez de terra. A urbanização com arranha-céus torna a demanda por terra bastante baixa em relação à população. O valor sustentável da terra provavelmente está de 70% a 80% abaixo dos níveis atuais

O papel do mercado imobiliário na vida social chinesa contemporânea é um tema de amplo interesse, tanto dentro como fora do país. Uma vez que os prospectos de casamento (para os homens) estão estritamente ligados à sua capacidade de fornecer um lar, alguma forças darwinianas profundamente arraigadas são aproveitadas para a apreciação dos valores imobiliários, tornando-os um fator esmagadoramente dominante na vida econômica. Por essa razão, entre outras, uma quebra do mercado imobiliário que trouxesse os preços para baixo, para algo entre um terço e um quinto de seu nível atual, promete ser traumatizante e liberadora em igual medida.

Xie recomenda que a China passe pela dor, tão rápido quanto realisticamente possível:

Alguns argumentam que a bolha imobiliária é essencial para a prosperidade econômica da China. Isso é um total absurdo. Embora a indústria imobiliária tenha se tornado maior em relação à economia ao longo da última década, ela em sua maior parte consome recursos e não melhora a produtividade geral.

Ela é o principal impulsionador da inflação na China. Se ela diminuir, a economia pode sofrer temporariamente. Contudo, a produtividade geral crescerá. O resultante crescimento de renda trará de volta uma prosperidade econômica mais sustentável.

Igualmente, uma bolha estoura mais cedo ou mais tarde. A ajuda governamental meramente a prolonga, como o governo chinês fez em 2008. E quanto mais a bolha dura, mais dano ela inflige quando ela estoura. A economia está sofrendo por causa do que aconteceu em 2008.

O país tem capacidade suficiente para absorver quaisquer empréstimos não produtivos que possam sair do estouro dessa bolha. Pode ser de 20 a 30 trilhões de yuans (US$3,26 trilhões – US$4,89 trilhões). Mas o desperdício na economia da bolha poderia ter sido 5 trilhões de yuans.

A China poderia superar o legado da bolha dentro de quatro a cinco anos. Além disso, uma melhor produtividade das reformas pós-bolha poderia acrescentar mais cerca de 2 a 3 trilhões de yuans por ano. A recuperação pós-bolha pode acontecer em três anos.

O Japão não conseguiu que sua economia crescesse após o estouro de sua bolha imobiliária. A principal razão é que sua renda per capita já estava entre as mais altas do mundo.

A China ainda é uma economia de renda média. Melhorar a produtividade não é tão difícil. Atingir uma renda per capita de US$20.000 até 2030, excluindo a inflação, é bem possível, o que tornaria a China a maior economia do mundo.

Original.

Fei-tinta-rias

Quando a história da arte invoca o ‘contemporâneo’, ela se refere ao agora, o momento atual, e, assim, aponta para uma perplexidade irresoluta. O agora permanece sem ser definido, seja pela ciência, pela filosofia ou pela religião mística. O nosso ‘agora’ contemporâneo não é meramente um instante — nem mesmo um instante esticado ou dilatado. Ele é um tempo que ainda está conosco, ou no qual continuamos a participar, de uma só vez próximo e elusivo, ainda aguardando seu sentido, interceptando de maneira oblíqua o presente mais restrito da localização cronológica e dos cronogramas práticos.

As artes visuais, em sua forma mais reflexiva, entram nessa perplexidade como em uma espiral animada. Ao mesmo tempo em que sucumbe à categorização — ou definição temporal — dentro de uma contemporaneidade ainda obscura e incompleta, a obra de arte também pode se apropriar do ato de definição, alcançando o agora e nos dizendo o que encontrou. Ao fazê-lo, ela se testa contra uma abstração final.

Em alguma agora desses, a arte visual chinesa atual, mas cronologicamente indeterminável, encontrou um limiar crítico. A diferença entre ir para frente ou para trás, avançar ou recuar, deixou – em algum ‘ponto’ — de ser uma opção, ou uma escolha. Em vez disso, para essa complexa tendência e herança cultural, de uma só vez definida como — e definindo — neotradicionalismo, a verdadeira modernidade foi descoberta na aceitação da tradição como um caminho. Essa onda de experimentação criativa – e até mesmo explosiva – também era uma escavação, e uma recuperação. Ela demonstrou que uma variação inovadora era inextricável da manutenção de um curso, dirigido a um futuro já cripticamente indicado pelo passado.

Beyond Black and White: Chinese Contemporary Abstract Ink (“Além do Preto e Branco: A Tinta Abstrata Chinesa Contemporânea”), em exposição nas Pearl Lam Galleries (até 7 de setembro de 2013), focou com gloriosa intensidade na corrente neotradicionalista. Em consonância com este enfoque, ela tanto preenche quanto desordena as expectativas, através das audaciosas explorações de uma herança tornada nova.

A mostra se sustenta em meio a uma série de dualidades dinamicamente equilibradas. Mais graficamente, ela é integrada por seu material primário, os complementos contrastantes do preto e branco, tinta e papel, yin e yang, perturbados apenas nas margens por sutis desvios de meio e ocasionais invasões de cor. Um equilíbrio arquitetônico é sustentado pela grande hélice dupla da tradição de pintura chinesa com tinta, as linhagens distintas, mas entrelaçadas, de expressão pictórica e caligráfica, imagem e signo, com cada vertente incitando a outra a vôos elevados de abstração formal. Passado e futuro – como já enfatizado — são mutualmente suspensos em uma contemporaneidade multiplicada. Através de tudo isso, a arte chinesa é re-equilibrada no mundo, comunicando-se com tradições culturais alternativas, no limite abstrato de cada uma, onde a escapada da restrição formal se funde com a realidade do tempo.

A “tinta abstrata” – enquanto uma culminação da tradição — já é distintivamente chinesa, mas a verdadeira singularidade cultural que é perseguida aqui excede o meio, para envolver, minimamente, uma irritação criativa recíproca entre pintura e escrita – faixas retorcidas gêmeas que, entre si, descrevem uma trajetória estética até a abstração. A tradição chinesa, impulsionada por esse treinamento duplo, cultiva semelhança e significância simultaneamente e, assim, através de uma sublimação implacável, foge de ambas, em direção a um horizonte de pureza onde pinceladas e tons (na escala de cinzas) se torna pura fuga, ou índices de escapada — gestos cósmicos sem substância ou significado.

Arranjadas ao longo do extremo norte da galeria, diversas séries de pequenas peças de Qiu Zhenzhong empreendem experimentos sistemáticos com pinceladas e tons. Escritos caligráficos são desemaranhados por linhas cursivas em formas ininteligíveis, ou derretidos através de dissoluções tonais no indefinido, ao passo em que imagens são simplificadas à beira de uma ideografia arcaica.

Wang Tiande – um artista de centralidade óbvia para a renascença neotradicional – contribui com duas peças trabalhadas em seu método subtrativo característico — que combina pincelada e tom em uma queimadura perfurante – uma inclinando-se para sua prática experimental da caligrafia, a outra, da pintura. Essas peças o representam (e testemunham sua importância), em vez de demonstrar sua obra da maneira mais completa ou ambiciosamente realizada. Também incluída está uma obra têxtil tecnicamente complexa, na qual o método de queimadura cria uma camiseta caligraficamente anotada.

Wei Ligang é presentado por uma única obra grande e embasada em caligrafia (Unicorn-Crane, 2010), cujo pano de fundo dourado e fluído relaxa a disciplina cromática da exposição. A cor também se insinua na obra em vídeo de Feng Mengbo (Not Too Late, 2010), que faz da modernização da tradição tanto um tema quanto um meio.

Qiu Deshu, um arrojado pioneiro do renascimento neotradicional do começo dos anos 1980, tem duas peças em exibição (Fissuring e Fissuring Life, 2012), mais notáveis por sua inteligência do que por sua presença estética deslumbrante. Explorações abstratas de rasgos e dobras de papel, elas empregam um tom de tinta intermediário para colapsar a forma sobre o plano da figura, testemunhando uma dimensão espacialmente desaparecida. (Como com Wang Tiande, o encontro casual com Qiu Deshu nesta exposição é melhor tomado como um convite para um engajamento maior com um artista neotradicionalista de suprema importância.)

Pelo puro drama visual, a dimensão caligráfica da exposição é dominada por Wang Dongling. As três obras em exposição (Tiger Wind, 2010; Benevolence and Integrity, 2013; e Chuang-Tzu’s “Free and Easy Wandering”, 2013) não são apenas impressionantes (e até mesmo deslumbrantes) e si mesmas, mas também são notáveis por sua extraordinária variedade. Tiger Wind é uma obra cursiva grande de três caracteres, cujas linhas arrojadas e radiantes – não moderadas por tons intermediários – compõem um salto congelado de energia tensa. Benevolence and Integrity é uma obra mais arquitetônica, estruturada por lajes sugadoras de alma de escuridão abismal, ao passo em que Chuang-Tzu’s “Free and Easy Wandering” é uma obra composta de maneira mais tradicional, usando a escrita chinesa compacta para explorar divertidamente o espaço combinatório de forma e sombra. Essas peças excepcionais, por si só, recompensam amplamente uma visita à exibição.

Três obras soberbas de Lan Zhenghui e Zheng Chingbin completam a dimensão mais pictórica da mostra, exibindo o potencial da Abstração com Tinta para um nível emocionante de realização estética. A enorme obra ‘de esfregão’ de Lan Zhenghui (Leap Series No. 4, 2010) mistura de maneira exuberante tons de tinta e ângulos de pinceladas para construir uma celebração monumental do meio enquanto veículo para a liberdade artística. Os requintados abstratos de Zheng Chingbin (Untitled No.16, 2007; and Formless, 2010), aguçando a escala tonal com acrílicos vívidos, conduzem uma expedição visual completamente absorvente aos envolvimentos sem limites entre luz e escuridão.

“Esses aristas são parte de um crescente círculo na China que tira inspiração da pintura com tinta tradicional chinesa e de sua filosofia, assim como da caligrafia chinesa”, a galeria explica. Conforme a estória do neotradicionalismo chinês tomar forma, Beyond Black and White certamente encontrará um lugar entre os narradores, assim como na lenda. Também é igualmente um banquete para o sentidos e o pensamento. Pegue se puder.

Endereço: Pearl Lam Galleries, 181 Jiangxi Zhong Lu, (G/F), Huangpu District, Shanghai (021 6323 1989), online.

Original.

A Forma do Tempo (Parte 1)

Ao saber que a América tem um Arqui-Druida, seria apenas natural fazer algumas suposições sobre suas crenças, e palpites cautelosos provavelmente estariam certos. Os comprometimentos de uma religião que evita apelar para o sobrenatural, pode-se esperar, teriam caracteristicamente os pés no chão, sendo ecológicos, conservadores (com letra minúscula, no sentido determinadamente antiquado), práticos e empíricos. Em sua forma mais intelectualmente abstrata e também mais (silenciosamente) mística, o druidismo aceitaria a cumplicidade última de toda a realidade com um padrão de mudança que é, de uma só vez, sensato e insuperável, multi-nivelado, sutil e totalmente envolvente: o ciclo.

John Michael Greer, autor do Arch-Druid Report, foge da obscuridade espiritual, pelo menos em público. Sua personalidade enquanto blogueiro é aquela de um teórico dos ciclos; calmo, lúcido e excepcionalmente perspicaz. No sentido mais forte e inelutável, a ciclicidade é a norma, da qual nada se afasta de maneira verdadeira, ou sustentável. Uma formação cultural que perde esse fundamento druídico, ao se prender a uma configuração que quebraria o ciclo, destina-se, assim, a uma queda, ou inversão da fortuna – expressando a reversão inevitável à sustentabilidade dentro de uma roda maior da natureza e da história. O equilíbrio é menos um imperativo moral do que uma necessidade cósmica e, uma vez que a sustentabilidade não pode ser evitada, ela só pode também ser aconselhada.

Enquanto método analítico, o druidismo é um tipo de cibernética, refletindo a orientação principal da disciplina. O feedback negativo, que se ajusta em direção à estabilidade, traz de volta desvios, para produzir ciclos normais. Perturbações são canceladas dentro dos ritmos naturais. O feedback desestabilizador, auto-acentuador e positivo, em contraste, encarna o antinatural e, assim, é – de uma certa perspectiva – irreal. Processos auto-reforçadores se aceleram até uma crise e, então, colapsam, descrevendo uma onda, ou flutuação, em uma escala maior. O que se parece com um desvio irrecuperável tem sua contraparte dentro de um todo maior, que o equivale de maneira exata em unilateralidade, ou violência, e fornece a reversão complementar que restaura o equilíbrio. Um ciclo quebrado é parte de um ritmo mais envolvente, parcialmente percebido. O naturalismo druídico insiste que tudo, eventualmente, é trazido de volta, porque não há nenhum ‘outro’ lugar para onde se fugir. A lei da terra é, em última análise, inviolável:

… o feedback positivo [é] extremamente raro no mundo real, porque sistemas com feedback positivo prontamente se destroem — imagine um termostato que respondesse a temperaturas crescentes aquecendo as coisas mais ainda, até que a casa queimasse. O feedback negativo, em contraste, está em todo lugar.

Na maior escala social, desvios patológicos e suas reversões são exemplificados pela ascensão e queda de civilizações. Teóricos dos ciclos históricos, tais como Spengler e Toynbee, capturam o padrão recorrente em suas características essenciais. Culturas e suas partes componentes, incluindo a própria historiografia, são envolvidas e dirigidas por esses grandes ritmos:

Toda sociedade urbana letrada, argumentava Spengler, seguia a mesma trajetória, de uma religião popular original, rica em mitos, passando pela ascensão de uma teologia intelectual, pelo nascimento do racionalismo, pela gradual dissolução da visão de mundo religiosa no materialismo racional e, daí, pela gradual desintegração do materialismo racional em um ceticismo radical que acabava por dissolver a si mesmo; daí em diante, as filosofias éticas para os intelectuais e a ressurgente religião popular para as massas fornecem os temas duradouros para a civilização que virá.

Tais padrões oferecem o material para o que Greer chama de ‘morfologia’ que, no modelo (especialmente) da biologia dos séculos XVIII e XIX, extrai formas regulares e comparáveis da confusão de particulares variados. Em meio aos objetos de investigação morfológica estão estruturas culturais profundas, inextricáveis de ideias religiosas (no sentido mais amplo), que organizam de maneira pré-reflexiva a experiência do tempo histórico. A civilização ocidental globalizada (a “cultura industrial moderna”), argumenta Greer, é caracterizada por duas formas temporais dominantes, de uma só vez geminadas e alinhadas, que ressoam com uma dinâmica insustentável de feedback positivo em sua negação patológica do equilíbrio, ou eventual reversão.

Antes de examinar essas formas geminadas do tempo moderno, algum contexto mais amplo pode gerar uma iluminação ambiente. Greer introduz uma variedade de formas temporais vindas de culturas (e ecologias) não industriais, incluindo o ‘tempo do sonho’ de sociedades caçadoras-coletoras e os grandes ciclos da tradição chinesa pré-moderna. De fato, seu esboço da forma temporal chinesa clássica parece, de maneira estranha e até elegante, druídica:

A teoria básica da ciência chinesa do tempo é de que os eventos são guiados por muitos ciclos diferentes, alguns mais rápidos, alguns mais lentos, alguns influenciando uma dimensão da vida humana, alguns moldando uma outra. O ciclo das estações era um desses; o ciclo da vida humana era outro; o ciclo de ascensão e queda de dinastias era um terceiro; haviam muitos mais, cada um com seu próprio período e sequência típica de eventos. Assim como nunca dois anos tinham exatamente o mesmo clima exatamente nos mesmos dias, nunca duas repetições de qualquer outro ciclo eram idênticas, mas padrões comuns permitiam que os eventos de uma repetição fossem mais ou menos previstos por um conhecimento suficientemente amplo de exemplos anteriores. Em uma escala muito mais ampla, todos os ciclos de todo tipo poderiam ser entendidos como expressões de um único padrão abstrato de mudança cíclica, que era explorado no livro-texto clássico chinês sobre a teoria do tempo, o I Ching — em português, o Livro da Mudança.

O contraste mais chocante com o modelo progressista do tempo, contudo, é encontrado muito mais próximo dele, tanto em proximidade cultural quanto em óbvia complementaridade ecológica. Ele é apresentado por Hesíodo em seu Os Trabalhos e Os Dias, onde é articulado como um declínio gradual e triturador através de eras sucessivas, cada uma determinada por sua deterioração em relação à era anterior.

A anormalidade de Hesíodo – ou a nossa – emerge resolutamente de uma sobreposição. Conforme a historiografia moderna progride, expandindo sua influência cada fez mais fundo na arqueologia e na paleo-antropologia, ela descobre sociedades antigas ‘ascendendo’ da nova idade da pedra (o ‘neolítico’) até a idade do bronze e daí, posteriormente, com o avanço da metalurgia, entrando na idade do ferro, com armas e ferramentas melhoradas. A passagem do bronze para o ferro é um óbvio salto adiante, correspondendo a um limiar básico de maturação cultural, encerrado na história do mundo por uma catraca tecnológica progressista. Quão desconcertante, então, encontrar essa mesma sequência repetida por Hesíodo, mas com sinal invertido, em uma série degenerativa de eras — de Ouro, de Prata, de Bronze e de Ferro – que procedem através de incrementos de enrudecimento, do metal mais nobre até o mais baixo.

Da nossa perspectiva progressista profundamente enraizada, qualquer meta-narrativa histórica estruturada por um declínio implacável parece exoticamente estranha. O mesmo não se aplica dentro do enquadramento ecológico de Greer, que acopla desvios a reversões dentro de ciclos longos, de modo que um declive não é mais anormal do que um aclive persistente. Nosso otimismo histórico se encontra ecologicamente relativizado por uma estória que não tem nenhuma confiança a menos em seus medos do que temos em nossas esperanças há muito consolidadas. O pano de fundo explicativo que Greer fornece – com o tema de erosão do solo – tem direcionalidade suficiente para se equiparar, e carregar, a forma do tempo de Hesíodo:

Dois mil anos antes de Hesíodo, a Grécia pré-histórica tivera sido o lar de uma vívida variedade de culturas de vilarejos, fazendo a lenta transição de ferramentes de pedra polida para o bronze. Sobre essa fundação, sociedades mais complexas se ergueram, emprestando fortemente das altas culturas contemporâneas no Oriente Médio, e culminando na arquitetura monumental e nas burocracias letradas palacianas da idade micênica. Aqueles dos meus leituras que tiverem algum senso dos ritmos da história já saberão o que se seguiu: desmatamento e agricultura intensiva demais para os frágeis solos gregos, tornados piores pela importação de métodos agrícolas mais adequados para os vales planos da Mesopotâmia do que para a colinas facilmente erodidas da Grécia, desencadearam um crise ecológica; a maior parte do solo superficial da Grécia micênica acabou no fundo do Mar Egeu, onde ainda pode ser encontrado em amostras centrais; guerra, migração e colapso populacional se seguiram da maneira usual, conforme a sociedade micênica tropeçava abaixo na curva de seu próprio Longo Declínio.

Os leitores de Greer foram preparados para reconhecer “seu próprio” como nosso próprio – um outro “Longo Declínio” antecipado por um padrão de fundamentação ecológica, desta vez estabelecido pela curva de disponibilidade energética do Pico do Petróleo. Esta previsão é um tópico para uma outra ocasião. Por ora, nossa preocupação é mais abstrata, indiferente ao mecanismo específico da limitação civilizacional, e atenta apenas à alegação de Greer de que a negação da ciclicidade histórica é uma forma de excepcionalismo injustificado, fundado materialmente em uma fase ecológica de impulso e razoavelmente encapsulada no notório slogan das bolhas dessa vez é diferente.

Há um divertimento irônico ao se pensar nas implicações dessa afirmação constantemente repetida. Se nossa sociedade estivesse de fato se livrando dos fardos do passado e abrindo novos caminhos a cada minuto que se passa, como os crentes do progresso gostam de alegar, não seria mais provável que a teoria dos ciclos históricos seria contestada a cada vez que aparecesse com respostas deslumbrantemente novas e inovadoras que ninguém nunca jamais imaginou? Em vez disso, em uma ironia que Nietzsche teria apreciado, a afirmação de que a história não pode se repetir se repete infinitamente, no que equivale a um eterno retorno da insistência de que não há nenhum eterno retorno. Além disso, aqueles que alegam que dessa vez é diferente parecem alegremente ignorantes de que alguém tenha feito a mesma afirmação antes deles e, se isso lhes for apontado, eles insistem—frequentemente com algum acaloramento—que o que eles estão dizendo não tem nada que seja a ver com todas as outras vezes que o mesmo argumento foi usado para fazer o mesmo ponto ao longo dos anos.

Vale a pena repetir que a crença no progresso e a igual e oposta crença no apocalipse são narrativas sobre o incognoscível. Ambas alegam que o passado não tem nada a dizer sobre o futuro, que algo está prestes a acontecer que nunca aconteceu antes e que isso não pode ser julgado com base em nenhum evento prévio

Nem o progresso, nem o apocalipse, argumenta Greer, são formas temporais bem adequadas à avaliação realista de seus fins. [Mais sobre isso a seguir]

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Uma Lição de Detroit

No Project Syndicate, Sanjeev Sanyal argumenta que o colapso de Detroit tem algo a ensinar às economias emergentes — especialmente à China. O “modelo urbano pós-industrial… favorece fortemente cidades generalistas que conseguem aglomerar tipos diferentes de conveniências, serviços essenciais e capital humano”, ele propõe. Isso tem algumas implicações surpreendentes para os prospectos do desenvolvimento urbano.

Conforme ela se transformou na “fábrica do mundo”, a parcela da população urbana da China saltou de 26.4% em 1990 para cerca de 53% hoje. As cidades grandes e cosmopolitas de Pequim e Shanghai cresceram dramaticamente, mas a maior parte da migração urbana foi para cidades industriais de pequeno e médio porte que se multiplicaram na última década. Agrupando infraestrutura industrial e utilizando o sistema hukou de permissões de residência específicas por cidade, as autoridades foram capazes de controlar o processo surpreendentemente bem.

Esse processo de crescimento urbano, no entanto, está prestes a se desfazer. Conforme a China desloca seu modelo econômico para longe do pesado investimento em infraestrutura e da produção em massa, muitas dessas pequenas cidades industriais perderão suas principais indústrias. Isso acontecerá em um momento em que a demografia distorcida do país faz com que a força de trabalho encolha e o fluxo de migração das áreas rurais para as cidades diminua (a população rural agora é desproporcionalmente composta por idosos).

Enquanto isso, as atrações pós-industriais de cidades como Shanghai e Pequim atrairão os filhos mais talentosos e melhor educados dos trabalhadores industriais de hoje. Ao contrário dos migrantes rurais que se dirigem para empregos industriais, será muito mais difícil orientar profissionais educados e criativos usando o sistema hukou. A explosão das cidades bem-sucedidas, portanto, vai esvaziar o capital humano de centros industriais menos atraentes, que então cairão em um ciclo vicioso de decadência e queda de produtividade.

Estórias como a de Detroit aconteceram várias vezes em países desenvolvidos durante o último meio século. E, como sugere o destino das cidades do norte do México, as economias emergentes não estão imunes a esse processo.

É por isso que a China precisa se preparar para esse momento. Em vez de construir cada vez mais pequenas cidades industriais, a China precisa readaptar e atualizar suas cidades existentes. Conforme sua população começar a diminuir, pode até valer a pena fechar as cidades inviáveis e consolidar.

(Via Zero Hedge)

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China Online

A BBC divulgou um resumo das estatísticas da Internet na China, extraídas do banco de dados da CNNIC. De acordo com o resumo da BBC:

A China tem agora 591 milhões de usuário de internet, de acordo com os últimos números oficiais do país. O China Internet Network Information Centre (“Centro de Informações sobre Redes de Internet da China”) adicionou que 464 milhões de cidadãos acessaram a net por meio de smartphones ou outros dispositivos wireless.

Sua população online é de longe a maior do mundo, bem mais do que duas vezes maior do que a da América (a segunda maior do mundo, com 254 milhões, com a Índia em terceiro, com 154 milhões).

O detalhado Relatório Estatístico sobre o Desenvolvimento da Internet na China do CNNIC (de janeiro de 2013), disponível online aqui, mostra que a China adicionou mais de 50 milhões de usuário de Internet no ano com fim em 2012. Ao longo da meia década de 2007 a 2012, o número de chineses acessando a Internet por meio de telefones móveis subiu de apenas cerca de 50 milhões para quase 420 milhões. O último número de 464 milhões representa um crescimento em rápida aceleração e é responsável por uma maior significativa dos usuários de Internet do país.

Nacionalmente, as taxas de penetração da Internet em dezembro de 2012 estavam em média um pouco acima de 42%. Elas eram mais altas em Pequim (72.2%), Shanghai (68.4%), Guangdong (63.1%) e Fujian (61.3%) e acima de 50% em Zhejian, Tianjin, Liaoning e Jiangsu.

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