Uma Lição de Detroit

No Project Syndicate, Sanjeev Sanyal argumenta que o colapso de Detroit tem algo a ensinar às economias emergentes — especialmente à China. O “modelo urbano pós-industrial… favorece fortemente cidades generalistas que conseguem aglomerar tipos diferentes de conveniências, serviços essenciais e capital humano”, ele propõe. Isso tem algumas implicações surpreendentes para os prospectos do desenvolvimento urbano.

Conforme ela se transformou na “fábrica do mundo”, a parcela da população urbana da China saltou de 26.4% em 1990 para cerca de 53% hoje. As cidades grandes e cosmopolitas de Pequim e Shanghai cresceram dramaticamente, mas a maior parte da migração urbana foi para cidades industriais de pequeno e médio porte que se multiplicaram na última década. Agrupando infraestrutura industrial e utilizando o sistema hukou de permissões de residência específicas por cidade, as autoridades foram capazes de controlar o processo surpreendentemente bem.

Esse processo de crescimento urbano, no entanto, está prestes a se desfazer. Conforme a China desloca seu modelo econômico para longe do pesado investimento em infraestrutura e da produção em massa, muitas dessas pequenas cidades industriais perderão suas principais indústrias. Isso acontecerá em um momento em que a demografia distorcida do país faz com que a força de trabalho encolha e o fluxo de migração das áreas rurais para as cidades diminua (a população rural agora é desproporcionalmente composta por idosos).

Enquanto isso, as atrações pós-industriais de cidades como Shanghai e Pequim atrairão os filhos mais talentosos e melhor educados dos trabalhadores industriais de hoje. Ao contrário dos migrantes rurais que se dirigem para empregos industriais, será muito mais difícil orientar profissionais educados e criativos usando o sistema hukou. A explosão das cidades bem-sucedidas, portanto, vai esvaziar o capital humano de centros industriais menos atraentes, que então cairão em um ciclo vicioso de decadência e queda de produtividade.

Estórias como a de Detroit aconteceram várias vezes em países desenvolvidos durante o último meio século. E, como sugere o destino das cidades do norte do México, as economias emergentes não estão imunes a esse processo.

É por isso que a China precisa se preparar para esse momento. Em vez de construir cada vez mais pequenas cidades industriais, a China precisa readaptar e atualizar suas cidades existentes. Conforme sua população começar a diminuir, pode até valer a pena fechar as cidades inviáveis e consolidar.

(Via Zero Hedge)

Original.
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