Limites da Cidade

Há, sem dúvida, um caráter quixotesco no modo “a China deveria fazer X” de comentários externos, mas o pequeno artigo de Yukon Huang na Bloomberg, que aconselha a revisão das políticas de urbanização do país, representa o gênero em sua melhor forma. Observando os efeitos de aglomeração que produzem retornos desproporcionais de escala urbana, Huang recomenda um afastamento da proliferação de cidades menores e uma aproximação na direção do crescimento de megacidades.

A China já está em uma classe própria ao ser responsável por 30 das 50 maiores cidades do leste da Ásia. Ela possui meia dúzia de megacidades com populações de mais de 10 milhões e 25 cidades “grandes”, que excedem 4 milhões. Na verdade, porém, a única maneira pela qual a China alcançará os ganhos de produtividade desejados é se seus líderes permitirem que as cidades evoluam mais organicamente em resposta às forças do mercado. Eles precisam deixar cidades como Pequim ficarem maiores.

A concentração urbana cria problemas reais, mas estes são indistinguíveis dos desafios que qualquer processo genuíno de avanço socioeconômico tem que enfrentar. As soluções para esses problemas serão os mesmos passos que levarão o país adiante em território inexplorado — para além da “recuperação” e até os horizontes abertos do futuro. Tudo que se aprende da história econômica concreta sugere que as oportunidades tecnológicas e de negócios serão aumentadas exatamente pelas forças que promovem a aglomeração das megacidades — e, melhor ainda, a concentração ou intensidade urbana — a níveis historicamente sem precedentes. É assim — e onde — que a inovação social profunda ocorre.

Em vez de tentar ativamente espalhar o crescimento para pequenas cidades novas, os planejadores da China deveriam abraçar as economias de aglomeração, que militam por grandes metrópoles. À medida em que a terra e os custos salariais aumentam, algumas indústrias eventualmente gravitarão para cidades de tamanho médio, mas os serviços continuarão a impulsionar a expansão nas cidades maiores. Pessoas inteligentes gostam de se misturar com outras pessoas inteligentes, e a globalização ampliou seus retornos financeiros. Pequim e Shanghai continuaram a crescer por causa de serviços dinâmicos de alto valor, mesmo quando suas bases de produção encolheram. Tudo isso explica porque, na China, a produtividade nas áreas urbanas é mais de três vezes maior que nas áreas rurais.

Mas as megacidades da China não são grandes demais para serem sustentáveis? Na verdade, alguns especialistas urbanos concluíram que até mesmo as maiores cidades da China podem ser muito pequenas. Eles citam a “lei de Zipf”, uma das grandes curiosidades da pesquisa urbana. A lei, que é surpreendentemente precisa para muitos países, afirma que a maior cidade de um país deve ter o dobro do tamanho da segunda maior, três vezes o tamanho da terceira maior, e assim por diante. Com base nisso, as maiores cidades da China parecem muito pequenas.

Pensar através de leis de potência (como as de Zipf) afasta a ideia de tamanhos “normais” de cidades. A escala urbana ótima é decidida por efeitos de rede e depende de toda a ecologia social — regional, nacional e globalmente. O tamanho “ideal” de Shanghai, por exemplo, não pode ser derivado de algum modelo genérico de cidade, mas deve ser entendido, em vez disso, com referência ao papel singular que esta cidade desempenha como um ponto central em múltiplas redes — especialmente redes comerciais — dentro do qual ela acumula funções especializadas. À medida que essas teias se expandem e engrossam, seus nós críticos tendem a crescer e se intensificar espontaneamente. É natural, portanto, ao longo do processo de modernização global, que os limites da escala urbana fiquem cada vez maiores, de acordo com a sofisticação funcional dos centros cruciais do sistema, e os refinamentos associados de especialização que essas cidades-chave promovem.

Pequim está sujeita a teimosas restrições ambientais, com a limitação dos recursos hídricos sendo proeminente entre esses. Sua distância da costa também é um fator inibidor de crescimento. Shanghai, em contraste, está destinada à vastidão por tamanhas e implacáveis forças históricas que é difícil imaginar mesmo a resistência política mais determinada ficando no caminho por muito tempo. Como a capital comercial do país, qualquer distribuição em lei de potência da escala urbana começa com Shanghai no cume. Seria melhor se dobrar ao inevitável, e deixá-la se tornar o laboratório do mundo para intensidade urbana, traçando o avanço da modernidade até o Século do Pacífico. As recompensas por essa aceitação facilmente submergiriam os custos.

Original.

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