Artes da Reanimação

Há sempre algo enorme acontecendo em Shanghai — e geralmente várias coisas. Na vanguarda dos últimos dois anos [entre 2011 e 2013] estava o tsunami de desenvolvimento urbano ao longo da orla do Huangpu, ao sul do núcleo metropolitano de Puxi, em uma área que foi chamada de ‘Xuhui Riverside’ ou ‘West Bund’. A escala do que estava a caminho ali era (claro) absolutamente impressionante.

Uma mistura de novos complexos residenciais e torres prestigiosas estava em construção, e a orla imediata já tinha sido re-desenvolvida em uma faixa de parques e calçadões interconectados (que constituem os 8.4 km do ‘Shanghai Corniche’). Ao longo do rio, uma estética neo-moderna predomina, caracterizada por estruturas industriais pesadas elegantemente reaproveitadas: lajes de concreto, trilhos desativados e massivos guindastes de carga. Como em outros lugares na cidade, a Shanghai 1.0 peso-pesado foi divertidamente dobrada sobre si mesma, em uma celebração fina da herança modernista. O futuro é apresentado como um relançamento do passado. Para qualquer um que fique hipnotizado com espirais de tempo, é irresistível.

O papel atribuído às artes neste processo de reanimação urbana é especialmente notável. Mesmo em uma cidade repleta de delírios por conta de um crescimento explosivo do espaço artístico, a proliferação de galerias, teatros, museus e outros centros culturais no West Bund surge como um choque pouco compreensível. O rugido subsônico de sucção dessa nova capacidade cultural, emitida em ondas sobrepostas à medida em que amplia seu apetite devorador por toda a cidade e para muito além, atinge uma magnitude que parece dobrar o espaço e o tempo. Existem culturas nacionais inteiras no mundo que teriam sérios problemas para satisfazê-la.

A festa de inauguração desta infra-estrutura de artes foi realizada em uma escala adequadamente estupenda. A Westbund 2013: A Biennial of Architecture and Contemporary Art (“Westbund 2013: Uma Bienal de Arquitetura e Arte Contemporânea”) incluía um conjunto interligado de exposições, cada uma das quais teria sido deslumbrantemente impressionante por conta própria. A Sound Art China introduzia a vanguarda sônica do país em seu evento Revolutions Per Minute, instalado em quatro tanques de armazenamento de óleo renovados. O adjacente West Bund Exhibition Center — uma estrutura industrial reconstruída de proporções verdadeiramente ciclópicas — hospedava uma mostra de história do som / vídeo / arquitetura / cinema multifacetada dentro e ao redor de uma “Mega-Estrutura Inter-Mídia” central que correspondia totalmente ao seu nome grandioso. Uma exposição mais modesta sobre desenvolvimento urbano em um espaço de armazenamento próximo fazia o seu melhor para explicar as convulsões épicas que a área estava sofrendo. (Eu acho que a palavra apropriada é “impressionante”, ao cubo.)

Há apenas uma única conclusão razoável: Shanghai é o puro esplendor cósmico, compactado para aplicação terrestre e expresso através de uma sobrecarga estética. O cinismo pode aguarda uma outra ocasião.

Original.
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