#Acelerar

A cooptação esquerdista do Aceleracionismo é um fenômeno notável, substancial o bastante para ter tornado o manifesto aceleracionista de 2013 (#Acelerar) um documento de significância indusputável. O título em formato de twitter atesta tanto a sua contemporaneidade quanto a fusão perfeita de seu conteúdo com uma estratégia de promoção (ou seja, uma política prática). O sucesso desse empreendimento ideológico recebeu um selo recente (e cuidadosamente calibrado) de aprovação, na forma de uma resposta por uma figura não menos importante que o venerável cavalo de guerra da Esquerda revolucionária européia, Toni Negri. Quaisquer que sejam a credibilidade e as consequências definitivas de sua análise, o Aceleracionismo de Esquerda já demonstrou um ímpeto cultural intrínseco.

Como uma criatura do Aceleracionismo de Direita, o Urbano Futuro, naturalmente, é um antagonista (embora um que esteja altamente intrigado). O engajamento com o #Acelerar se estenderá em um tópico consistente aqui, ao longo do curso do próximo ano. Entre outras coisas (e como Negri demonstra), tal engajamento fornece uma oportunidade para se revisitar as questões sócio-econômicas mais básicas dentro de um micro-contexto redinamizado. Mesmo que a redinamização do macro-contexto, ou seu oposto (uma estagnação em aprofundamento), tenha que ser inicialmente adotada como um problema — em vez de como qualquer tipo de fato — as questões aceleracionistas garantem que o tópico não será contornado.

Os autores do #Acelerar oferecem sua própria contextualização em um artigo recente, que toma "a popularidade ascendente do aceleracionismo" como um fato a ser explicado:

A paixão que o aceleracionismo mobiliza é a lembrança, por parte do povo, de que um futuro é possível. Em campos díspares — da política à arte, ao design, à biologia, à filosofia — as pessoas estão trabalhando em como criar um mundo que esteja liberado de incentivos capitalistas. Talvez de maneira mais promissora, o sonho clássico de Keynes e Marx da redução do trabalho e do florescimento de liberdades positivas esteja voltando. Na pressão por rendas básicas universais, e nos movimentos por semanas de trabalho reduzidas, vemos as próprias pessoas começando a esculpir um espaço separado da relação salarial e fora dos imperativos do trabalho. Quando a mídia parar de relatar a automação dos trabalhos como sendo uma tragédia e começar a relatá-los como sendo uma liberação do trabalho mundano, saberemos que a disposição aceleracionista se tornou o novo senso comum. Teremos alcançado um ponto na história humana em que vastas quantidades de empregos podem — e deveriam — ser automatizadas. O trabalho pelo trabalho é uma perversidade e uma restrição imposta à humanidade pela ideologia capitalista da ética do trabalho. O que o aceleracionismo busca é permitir que o potencial humano escape da armadilha colocada para ele pelo capitalismo contemporâneo.

A única resposta (rebugenta) do UF nesse estágio: Se isso é o aceleracionismo, com o que se pareceria um programa intencionalmente desaceleracionista?

ADICIONADO: Ray Brassier sobre Aceleracionismo e Comunismo (via Benedict Singleton, @benedict).

Original.

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