#Acelerar Anotado (#1)

Meus rabiscos marginais foram adicionados em negrito. Por questão de clareza, portanto, eu subtraí os negritos usados no texto de Williams e Srnicek. Em todos os outros aspectos, o texto base foi plenamente respeitado. A maior parte das anotações feitas são espaços reservados para um engajamento futuro. O texto foi quebrado em três posts, em conformidade com a organização do original

#ACELERAR MANIFESTO: por uma Política Aceleracionista Por Alex Williams e Nick Srnicek | Trad. Bruno Stehling • 14 de maio de 2013

O aceleracionismo impulsiona rumo um futuro que é mais moderno, uma modernidade alternativa que o neoliberalismo é incapaz de gerar intrinsecamente.

Uma vez que isso é um slogan, o número bastante incrível de problemas que ele consegue comprimir em dezenove palavras está sendo colocado de lado, como efeitos da compressão

I. INTRODUÇÃO: Sobre a Conjuntura

  1. No começo da segunda década do século 21, a civilização global enfrenta uma nova espécie de cataclismo. Os apocalipses a caminho tornam ridículas normas e estruturas organizacionais da política forjadas com o nascimento do estado-nação, a ascensão do capitalismo e um século 20 de guerras sem precedentes.

De fato

  1. Ainda mais significante, é o colapso do sistema climático do planeta. Com o tempo, se ameaça a continuação da existência da população humana em todo o globo. [Então a análise cascateia a partir da climatologia institucional? Como essa previsão hipotética alcança prestígio tão extraordinário?] Ainda que essa seja a mais crítica das ameaças que a humanidade enfrenta, coexiste e se entrecruza uma série de problemas menores, mas potencialmente tão desestabilizadores. O esgotamento terminal de recursos, especialmente das reservas de água e energia, oferece uma perspectiva de fome em massa, colapso dos paradigmas econômicos e novas guerras frias e quentes. [Sim, a descoberta de preços politicamente inibida tem esse efeito] A incessante crise financeira levou governos a abraçar espirais mortíferas de políticas de austeridade, privatização de serviços do estado de bem-estar social, desemprego em massa e estagnação salarial. [E, ainda assim, nenhum sinal de diminuição do estado pode ser encontrado em qualquer lugar] A automação crescente nos processos produtivos, inclusive no trabalho intelectual, evidencia a crise secular do capitalismo, em vias de se tornar incapaz de manter os atuais padrões de vida mesmo para as antigas classes médias do norte global.[Se a automação é um sintoma de crise, esta ‘crise’ coincidiu perfeitamente com a produção de capital, desde sua concepção.]

Visto pela Direita, o único desastre social abrangente em andamento é a expansão não compensada do estado, em termos tanto absolutos quanto proporcionais. (Este é um prognóstico da teoria dos sistemas, antes de ser qualquer tipo de objeção moral.) É notável que o Aceleracionismo de Esquerda não parece achar esse desenvolvimento mórbido de forma alguma, a despeito do fato de que sua linha de tendência é manifestamente insustentável e, assim, prevê resolutamente uma catástrofe. Pelo contrário, aquelas tentativas mais mínimas de se moderar a tendência em direção a uma administração política total são depreciadas como "espirais mortíferas de políticas de austeridade, privatização de serviços do estado de bem-estar social, desemprego em massa e estagnação salarial". Nesse aspecto, o manifesto ecoa de maneira fiel o processo sócio-cultural mais amplo através do qual a catástrofe se faz necessária. Ele é a voz de um desastre deliberado (supra-investido politicamente).

  1. Em contraste com essas catástrofes em contínua aceleração, a política atual está assolada pela inabilidade de gerar novas ideias e modos de organização, necessários para transformar as nossas sociedades, de modo a enfrentar e solucionar as aniquilações futuras. Enquanto a crise ganha força e velocidade, a política abranda e recua. Nessa paralisia do imaginário político, o futuro foi cancelado.

A "a crise [que] ganha força e velocidade" é a política. Qualquer futuro que não seja um que a política comanda foi cancelado por proclamação. É apenas na medida em que a realidade for politicamente solúvel, contudo, que essa proclamação pode ser decisiva. Sobre essa questão, há muito mais por vir.

  1. Desde 1979, a ideologia política globalmente hegemônica é o neoliberalismo, encontrado com algumas variantes entre os principais poderes econômicos. Apesar dos desafios profundamente estruturais que os novos problemas globais lhe apresentam, mais imediatamente as crises financeiras, fiscais e de crédito, em curso desde 2007-8, os programas neoliberais só evoluíram no sentido de aprofundá-los. A continuação do projeto neoliberal, ou neoliberalismo 2.0, começou a aplicar outra rodada de ajustes estruturais, em especial, encorajando novas e agressivas incursões do setor privado sobre o que resta das instituições e serviços socialdemocratas. Isso tudo apesar dos efeitos econômicos e sociais imediatamente negativos, e das barreiras de longo prazo impostas pelas novas crises globais.

Dentro das democracias anglófonas, 1979 marcou uma transição limitada do consenso keynesiano dominante, uma transição que nunca foi resolutamente perseguida e que foi rapidamente revertida (dentro de cerca de uma década). O princípio da politização econômica (macroeconomia) nunca foi destronado. O ‘neoliberalismo’ não é um conceito sério. Dentro da China (e, mais tarde, de maneira menos audaciosa, em outros ‘mercados emergentes’) uma transformação bem mais substancial ocorreu, mas em nenhum desses casos a descrição ‘neoliberal’ fornece iluminação — a menos que seu significado seja redutível a um repúdio dos métodos crus de uma economia de comando para a subordinação social ao estado.

  1. Que as forças do poder governamental, não-governamental e corporativo, de direita, tenham sido capazes de fazer pressão com a neoliberalização é, ao menos em parte, um resultado da paralisia contínua e da natureza ineficaz de muito do que resta da esquerda. Trinta anos de neoliberalismo tornaram a maioria dos partidos políticos de esquerda desprovida de pensamento radical, esvaziada e sem um mandato popular. Na melhor das hipóteses, eles responderam a nossa presente crise com chamados a um retorno à economia keynesiana, apesar da evidência de que as condições que possibilitaram a socialdemocracia do pós-guerra não existem mais. Não podemos absolutamente retornar por decreto ao trabalho industrial-fordista de massa. Mesmo os regimes neossocialistas da Revolução Bolivariana da América do Sul, ainda que animadores em sua habilidade de resistir aos dogmas do capitalismo contemporâneo, se mantêm lamentavelmente incapazes de apresentar uma alternativa para além do socialismo de meados do século 20. O trabalho organizado, sistematicamente enfraquecido pelas mudanças introduzidas no projeto neoliberal, está esclerosado em um nível institucional e – quando muito – é capaz apenas de mitigar ligeiramente os novos ajustes estruturais. Mas sem uma abordagem sistemática para construir uma nova economia, ou uma solidariedade estrutural para promover mudanças, por hora o trabalho permanece relativamente impotente. Os novos movimentos sociais que emergiram a partir do fim da guerra fria, experimentando um ressurgimento nos anos após 2008, foram igualmente incapazes de conceber uma nova visão ideológico-política. Ao invés disso, eles consomem uma considerável energia em processos direto-democráticos internos e numa autovalorização afetiva dissociada da eficácia estratégica, e frequentemente propõem alguma variante de um localismo neoprimitivista, como se, para fazer oposição à violência abstrata do capital globalizado, fosse suficiente a frágil e efêmera “autenticidade” do imediatismo comunal.

A direita foi destruída, quase completamente, nos anos 1930. Desde então, ela existiu apenas como uma voz simbólica de dissidência impotente, resmungando distraidamente, conforme o rolo compressor do Leviatã avançou adiante. Nem o New Deal, nem a Great Society foram revogados. Em vez disso, o vetor para a politização total foi perseguido até os redutos finais de uma sociedade civil quebrada. A Esquerda não enfrente nehuma restrição política séria que seja, mas apenas aquelas restrições ‘ontológicas’ impostas por uma realidade intratável e politicamente indiferente — exemplificada pelo ‘Problema do Cálculo Econômico’ de Mises. São essas que estão agora derrubando o Socialismo Bolivariano. O ‘Capital Globalizado’ é primariamente denominado na moeda politizada emitida pelo Banco Central dos EUA. Sua subserviência é radical e explícita.

  1. Na ausência de uma visão social, política, organizacional e econômica radicalmente nova, os poderes hegemônicos da direita continuarão capazes de impor o seu imaginário obtuso, a despeito de toda e qualquer evidência. Quando muito, a esquerda será capaz momentaneamente de resistir parcialmente a algumas das piores incursões. Mas isso será irrisório contra uma maré inexorável em última instância. Gerar uma nova hegemonia global de esquerda implica na recuperação de futuros possíveis que foram perdidos, e, de fato, na recuperação do futuro como tal.

Então está claro, por ora, que a Direita e a Esuqerda pelo menos concordam em uma coisa — os outros caras têm uma hegemonia quase total e estão levando o mundo ao desastre. Uma Esquerda cada vez mais esquerdista consegue acelerar o processo?

Explorar essa ideia requer um exame da ideia de aceleração… [a seguir]

Original.

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1 thought on “#Acelerar Anotado (#1)

  1. Pingback: Sobre o #Acelerar (#1) | Urbano Futuro

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