#Acelerar Anotado (#3)

[Partes um, e dois]

III: MANIFESTO: Sobre o Futuro

  1. Acreditamos que a cisão mais importante na esquerda de hoje está entre aqueles que sustentam uma política popular de localismo, ação direta e incansável horizontalismo, e aqueles que esboçam o que deve passar a ser chamado livremente de uma política aceleracionista com uma modernidade de abstração, complexidade, globalidade e tecnologia. Os primeiros se mantêm satisfeitos em estabelecer espaços pequenos e temporários de relações sociais não-capitalistas, esquivando-se dos problemas reais envolvidos no enfrentamento de adversários intrinsecamente não-locais, abstratos e profundamente enraizados em nossa infraestrutura diária. O fracasso de tais políticas está embutido desde o começo. Em contraste, uma política aceleracionista procura preservar as conquistas do capitalismo tardio enquanto vai além do que seu sistema de valor, estruturas de governança, e patologias de massa permitem.

(Sem querer me inserir em uma querela de família, vista de fora, a distinção delineada aqui entre sabores de anti-capitalismo faz sentido.)

  1. Todos queremos trabalhar menos. [Empreendedores de todos os tipos excetuados] É uma questão intrigante por que o principal economista do mundo da era pós-guerra acreditava que um capitalismo iluminado inevitavelmente progrediria em direção a uma redução radical da jornada de trabalho. Em “Perspectivas Econômicas para Nossos Netos” (escrito em 1930), Keynes previu um futuro capitalista onde indivíduos teriam seu trabalho reduzido a três horas por dia. O que ocorreu, entretanto, foi a progressiva eliminação da distinção entre trabalho e vida, com o trabalho acabando por permear cada aspecto da fábrica social emergente.

Chegar a Keynes tem que ser uma coisa boa, no que diz respeito à substância teórica e histórica, e essa crítica parece sólida.

  1. O capitalismo começou a restringir as forças produtivas da tecnologia [A tese crucial, mas meramente afirmada], ou ao menos, direcioná-las a fins desnecessariamente estreitos. [Um obscurecimento deliberado da diferença entre ‘estreiteza’ política e técnica é a principal façanha aqui] Guerras de patentes e monopolização de ideias são fenômenos contemporâneos [Sim, PI é complicado] que apontam tanto para a necessidade do capital de mover-se além da competição [impossível por definição], quanto para sua abordagem crescentemente retrógrada da tecnologia [afirmação sem sustentação]. As conquistas apropriadamente aceleracionistas do neoliberalismo [= capitalismo remanescente] não levaram a menos trabalho ou menos estresse [é claro, porque o trabalho e o estresse são os registros sócio-biológicos da aceleração]. E ao invés de um mundo de viagens espaciais, choque futurista e potencial tecnológico revolucionário, existimos em um tempo onde a única coisa que se desenvolve é uma parafernália marginalmente melhor para consumidores [Desde 1979? A revolução da informação não aconteceu?]. Incontáveis iterações dos mesmos produtos básicos sustentam a demanda marginal de consumidores às custas da aceleração humana. [Containerização, comunicação por satélite, computação pessoal, telefonia móvel, Internet, TV a cabo, World Wide Web, mídia social, genômica, robótica de drones, filmes 3D, NewSpace, Bitcoin… o que exatamente é "o mesmo produto básico"?]

  2. Não queremos retornar ao modelo fordista. [OK] Nenhum retorno ao fordismo é possível. [Certo] A “era de ouro” capitalista tinha como premissa o paradigma de produção no ambiente ordenado da fábrica, onde trabalhadores (homens) recebiam segurança e um padrão de vida básico em troca de uma vida inteira de tédio embrutecedor e repressão social. Tal sistema se sustentava sobre uma hierarquia internacional de colônias, impérios e uma periferia subdesenvolvida, sobre uma hierarquia nacional de racismo e sexismo, e sobre uma rígida hierarquia familiar de subjugação feminina. Apesar de toda a nostalgia que muitos podem sentir, esse regime é tão indesejável quanto impossível de retornar na prática. [O Fordismo está sendo identificado com a ‘era de ouro’ (final) do capitalismo aqui? Com o ‘neoliberalismo’ como alguma outra coisa? Então um sistema de acumulação de capital computadorizado, empreendedor e de alta intensidade, embasado fundamentalmente em competição e incentivos econômicos, de alguma maneira não contaria como propriamente ‘capitalista’? Uma afirmação teórica tão extraordinária por certo merece um argumento?]

  3. Aceleracionistas querem libertar as forças produtivas latentes. [De fato — uma definição excelente e impressionantemente ideo-neutra do Aceleracionismo normativo] Nesse projeto, a plataforma material do neoliberalismo não precisa ser destruída. Precisa ser reaproveitada para fins comuns. A infraestrutura existente não é um estágio capitalista a ser esmagado, mas um trampolim para lançar o pós-capitalismo. [Não há nenhuma continuidade conceitual que seja entre esse grito de guerra a primeira frase]

  4. Dada a escravidão da tecnociência aos objetivos capitalistas (especialmente desde o fim dos anos 1970) certamente ainda não sabemos o que um corpo tecnossocial moderno pode fazer. Quem entre nós reconhece completamente quais potenciais inexplorados aguardam na tecnologia que já foi desenvolvida? A nossa aposta é que os potenciais verdadeiramente transformadores de grande parte de nossa pesquisa tecnológica e científica permanecem inexplorados, repletos de características (ou pré-adaptações) atualmente redundantes que, após uma mudança além do míope “socius” capitalista, pode se tornar decisiva.

Não foi dada nenhuma razão para se pensar que a ‘tecnociência’ é, de qualquer maneira real, independente de ‘objetivos capitalistas’, então a retórica de ‘escravidão’ é perfeitamente vazia. Um (outro) experimento em aceleração tecnossocial ‘pós-capitalista’ conduzido ao lado do capitalismo, e em concorrência com ele, seria uma coisa fascinante de se ver. (Eu duvido que esse arranjo seja considerado aceitável pela Esquerda. No que diz respeito à Direita, isso já foi realizado em numerosas ocasiões, com resultados consistentes.)

  1. Queremos acelerar o processo de evolução tecnológica. [Ótimo] Mas o que estamos defendendo não é tecnutopismo. Nunca acredite que a tecnologia será suficiente para nos salvar. [Como a soteriologia se tornou uma questão?] Necessária, sim, mas nunca suficiente sem ação sociopolítica. A tecnologia e o social estão intimamente ligados um ao outro, e mudanças em qualquer um deles potencializam e reforçam mudanças no outro. Enquanto os tecnutópicos [quem?] defendem que a aceleração, por si só, seja capaz de automaticamente superar o conflito social (numa nova era utópica, quando ele não mais tiver sentido); a nossa posição consiste em que a tecnologia deva ser acelerada exatamente porque necessária para tensionar e vencer esses conflitos.

Como essas três metas se interconectam e se hierarquizam?
(a) Aceleração da evolução tecnológica (b) Superação do conflito social
(c) Predominar no conflito social
Se, como parece ser o caso, (c) domina, então a aceleração é meramente um sub-objetivo instrumental. Então, podemos chamar o Aceleracionismo de Esquerda de ‘aceleracionismo condicional‘ (em contraste com um Aceleracionismo de Direita incondicional)?

  1. Acreditamos que qualquer pós-capitalismo exigirá planejamento pós-capitalista. A fé depositada na ideia de que, após uma revolução, as pessoas irão espontaneamente constituir um novo sistema socioeconômico que não seja simplesmente um retorno ao capitalismo é ingênuo na melhor das hipóteses, e ignorante na pior delas. Para aprofundar isso, precisamos desenvolver tanto um mapa cognitivo do sistema existente quanto uma imagem especulativa do futuro sistema econômico.

Aham

  1. Para fazê-lo, a esquerda deve aproveitar cada avanço tecnológico e científico possibilitado pela sociedade capitalista. Declaramos que a quantificação não é um mal a ser eliminado, mas uma ferramenta a ser usada da maneira mais eficaz possível. A modelagem econômica é – colocando de forma simples – uma necessidade para tornar inteligível um mundo complexo. A crise financeira de 2008 revelou os riscos de se aceitarem cegamente modelos matemáticos, ainda que isso seja um problema de autoridade ilegítima e não de matemática propriamente. As ferramentas a ser encontradas na análise de redes sociais, em modelagem baseada em agentes [agente-based modelling], em análise de big data e de modelos econômicos de não-equilíbrio são mediadores cognitivos necessários para entender sistemas complexos como a economia moderna. A esquerda aceleracionista deve se alfabetizar em cada uma dessas áreas técnicas.

Aceleracionismo condicional de novo. (Está começando a parecer que a tecnociência acelerada é um gigantesco pote de biscoitos ideológicos).

  1. Qualquer transformação da sociedade deve envolver experimentação econômica e social. [OK, mas eu suspeito que ‘transformação’ esteja pré-contaminada com aspirações totalitárias] O projeto de gestão participativa da economia Cybersyn, do governo chileno de Salvador Allende (1971-73), é emblemático dessa atitude experimental – fazendo a fusão de tecnologias cibernéticas com modelagem econômica sofisticada e uma plataforma democrática instanciada na própria infraestrutura tecnológica. Experimentos similares foram conduzidos na economia soviética dos anos 1950 e 1960, empregando cibernética e programação linear, numa tentativa de superar os novos problemas enfrentados pela primeira economia comunista. Que ambos tenham fracassado pode-se atribuir, em última análise, às restrições políticas e tecnológicas sob as quais operavam esses pioneiros cibernéticos. [Eu sei que isso não era pra ser cômico…]

  2. A esquerda deve desenvolver a hegemonia sociotécnica: tanto na esfera das ideias, quanto na esfera das plataformas materiais. Plataformas são a infraestrutura da sociedade global. Elas estabelecem os parâmetros básicos do que é possível, tanto em termos de comportamento quanto em termos ideológicos. Neste sentido, elas incorporam o transcendental material da sociedade: elas são o que tornam possíveis conjuntos particulares de ações, relações e poderes. Ainda que boa parte da plataforma global existente esteja direcionada para as relações sociais capitalistas, essa não é uma necessidade inevitável. Essas plataformas materiais de produção, finanças, logística e consumo podem e serão reprogramadas e reformatadas para fins pós-capitalistas. [Há acenos de mão suficientes aqui para comunicar um discurso do Obama aos cegos]

  3. Não acreditamos que ação direta seja suficiente para alcançar nada disso. As táticas habituais de marchar, erguer cartazes, e estabelecer zonas autônomas temporárias correm o risco de se tornarem substitutos confortáveis ao êxito efetivo. “Ao menos fizemos alguma coisa” é o grito de guerra daqueles que privilegiam a autoestima ao invés da ação efetiva. O único critério de uma boa tática é se ela permite êxito significativo ou não. Devemos acabar com a fetichização de modos particulares de ação. A política deve ser tratada como um conjunto de sistemas dinâmicos, dilacerados por conflito, adaptações e contra-adaptações e corridas armamentistas estratégicas. Isso significa que cada tipo individual de ação política se torna embotado e ineficaz com o tempo, à medida que o outro lado se adapta. Nenhum modo de ação política é historicamente inviolável. De fato, com o tempo, há uma crescente necessidade de se descartarem táticas familiares, em função das forças e entidades contra o que se pretenda aprender a lutar de forma eficaz. Em parte, é a inabilidade da esquerda contemporânea em fazer isso que está próximo ao cerne do mal-estar contemporâneo.

(Querelas de família, vou ficar quieto até que pare.)

  1. O avassalador privilegiamento da democracia-enquanto-processo precisa ser deixado para trás. A fetichização da abertura, horizontalidade, e inclusão de boa parte da atual esquerda “radical” faz a cama da ineficácia. Sigilo, verticalidade e exclusão têm todos o seu lugar também na ação política efetiva (embora, obviamente, não um lugar exclusivo).

  2. A democracia não pode ser definida simplesmente por seus meios – seja via votação, discussão ou assembleias gerais. A democracia real deve ser definida por seu objetivo – autodeterminação coletiva. Este é um projeto que deve alinhar a política com o legado do iluminismo, na medida em que é apenas através da mobilização de nossa habilidade de entender melhor a nós mesmos e a nosso mundo (social, técnico, econômico, psicológico) que podemos governar a nós mesmos. Precisamos postular uma legítima autoridade vertical, controlada coletivamente, além das formas de socialidade distribuídas horizontalmente, para evitar nos tornarmos escravos tanto de um centralismo totalitário tirânico, quanto de uma caprichosa ordem emergente que esteja além de nosso controle. O comando do Plano deve ser casado com a ordem improvisada da Rede.

  3. Não apresentamos nenhuma organização particular como os meios ideais para incorporar esses vetores. O que é preciso – o que sempre foi preciso – é uma ecologia de organizações, um pluralismo de forças, ressoando e retroalimentando suas forças comparativas. Sectarismo é a sentença de morte da esquerda tanto quanto é a centralização, e nesse sentido, continuamos a acolher experimentações com diferentes táticas, (mesmo aquelas das quais discordamos).

  4. Temos três objetivos concretos de médio prazo. Primeiro, precisamos construir uma infraestrutura intelectual. Imitando a Sociedade Mont Pelerin, defensora das benesses da “revolução” do neoliberalismo, a essa infraestrutura deve ser demandada a tarefa de criar uma nova ideologia, um novo modelo econômico e social, e uma visão do bem a substituir e superar os magros ideais que regem nosso mundo hoje. Essa é uma infraestrutura no sentido de requerer a construção não apenas de ideias, mas de instituições e caminhos materiais para incuti-las, encarná-las e espalhá-las.

  5. Precisamos construir uma reforma da mídia em larga escala. Apesar da aparente democratização oferecida pela internet e pelas mídias sociais, os meios de comunicação tradicionais continuam cruciais na seleção e enquadramento de narrativas, além de possuir os recursos para processar o jornalismo investigativo. Trazer esses corpos tão próximo quanto possível do controle popular é crucial para desfazer o atual estado de coisas.

  6. Finalmente, precisamos reconstituir várias formas de poder de classe. Tal reconstituição deve ir além da noção de que um proletariado global gerado organicamente já exista. Ao invés disso, deve-se procurar tecer junto um conjunto heterogêneo de identidades proletárias parciais, muitas vezes incorporadas em formas pós-fordistas de trabalho precário.

  7. Grupos e indivíduos já estão trabalhando em cada um desses objetivos, mas, por si só, cada um deles é insuficiente. É necessário que todos os três retroalimentem uns aos outros, cada um modificando a articulação contemporânea de tal forma que os demais se tornem mais e mais eficazes. Uma retroalimentação circular de transformação ideológica, social, econômica e de infraestrutura, gerando uma nova hegemonia complexa, uma nova plataforma tecnossocial pós-capitalista. A história demonstra que é sempre um amplo agenciamento de táticas e organizações que acarreta mudanças sistemáticas; essas lições devem ser aprendidas.

"Uma retroalimentação circular [positiva]" — finalmente, uma conexão teórica com o tópico da aceleração. Tendo evitado qualquer análise séria do ciclo de retroalimentação positiva capitalista atual — sobre o qual todo o tópico histórico da aceleração repousa — ele agora é introduzido de maneira puramente especulativa, em relação a um programa Aceleracionista de Esquerda ainda não existente. A estrutura parasitária desse argumento (capturando realizações reais a fim de gastá-las em sonhos) diz muito mais do que pretende

  1. Para alcançar cada um desses objetivos, no nível mais prático, sustentamos que a esquerda aceleracionista deva pensar mais seriamente sobre os fluxos de recursos e dinheiro necessários para construir uma nova infraestrutura política eficaz. Para além do ‘poder popular’ de corpos na rua, precisamos de financiamento, seja de governos, instituições, “think tanks”, sindicatos ou patronos individuais. Consideramos a demarcação e condução de tais fluxos de financiamentos essenciais para começar a reconstruir uma ecologia de efetivas organizações de esquerda aceleracionista.

"Queremos dinheiro — mas sem incentivos capitalistas, por favor."

  1. Declaramos que somente uma política prometeica de domínio máximo sobre a sociedade e seu ambiente é capaz de lidar com problemas globais ou obter vitória sobre o capital. Esse domínio deve ser distinto daquele amado por pensadores do Iluminismo original. O universo mecânico de Laplace, tão facilmente controlado ao receber informação suficiente, há muito desapareceu da agenda da compreensão científica séria. Mas não é para nos alinharmos com o cansado resíduo da pós-modernidade, condenando todo domínio como protofascista ou toda autoridade como intrinsecamente ilegítima. Ao invés disso, propomos que os problemas que afligem nosso planeta e nossa espécie nos obrigam a renovar o domínio em uma nova e complexa roupagem; ainda que não possamos prever o resultado de nossas ações, podemos determinar probabilisticamente escalas médias de resultados. O que deve ser acoplado a tal análise complexa de sistemas é uma nova forma de ação: improvisadora e capaz de executar um desenho através de uma prática que trabalhe com a contingência que ela descobre apenas no curso de sua ação, em uma política de arte geo-social e astuta racionalidade. Uma forma de experimentação abdutiva que procura os melhores meios para agir em um mundo complexo.

"Queremos dinheiro, e depois dominância"

  1. Precisamos reviver o argumento que foi tradicionalmente feito para o pós-capitalismo: não apenas é o capitalismo um sistema injusto e pervertido, mas também um sistema que impede o progresso. [Ainda totalmente sem substância] Nosso desenvolvimento tecnológico está sendo suprimido pelo capitalismo, na mesma medida em que foi desencadeado por ele. [Idem.] O aceleracionismo é a crença básica de que essas capacidades podem e devem ser liberadas ao moverem-se para além das limitações impostas pela sociedade capitalista. [Idem.] O movimento em direção a uma superação de nossas restrições atuais deve incluir mais do que simplesmente uma luta por uma sociedade global mais racional. Acreditamos que ele deva incluir a recuperação dos sonhos que fascinaram a muitos, de meados do século 19 até o alovorecer da era neoliberal, sonhando na missão do Homo sapiens em direção a uma expansão além dos limites da Terra e nossas formas corpóreas imediatas. Essas visões são encaradas hoje como relíquias de um momento mais inocente. Ainda assim, elas tanto diagnosticam a impressionante falta de imaginação em nosso próprio tempo, quanto oferecem a promessa de um futuro que é afetivamente revigorante, bem como intelectualmente energizante. Afinal de contas, apenas uma sociedade pós-capitalista, possibilitada por uma política aceleracionista, é que será capaz de executar a nota promissória dos programas espaciais de meados do século 20, para ir além de um mundo de atualizações técnicas mínimas, em direção a uma mudança abrangente. Rumo a um tempo de autodomínio coletivo, e ao futuro propriamente alienígena que isso envolve e possibilita. Rumo a uma conclusão do projeto iluminista da autocrítica e autodomínio, ao invés de sua eliminação.

Escravizar a aceleração tecnossocial ao "autodomínio coletivo"? Esse parece ser o sonho. Já podemos nos fixar no rótulo do ‘aceleracionismo condicional’?

  1. A escolha que enfrentamos é séria: um pós-capitalismo globalizado ou uma lenta fragmentação rumo ao primitivismo, à crise perpétua e ao colapso ecológico planetário. [Nenhum desses resultados soa remotamente plausível, mas estamos fundo na religião nesse estágio, então provavelmente não importa.]

  2. O futuro precisa ser construído. Ele foi demolido pelo capitalismo neoliberal e reduzido a uma promessa barata de grande iniquidade, conflito e caos. [Por que ‘o futuro’ exlui ‘iniquidade, conflito e caos’? Pelo contrário…] Esse colapso na ideia de futuro é sintomático do status histórico retrógrado de nossa época, mais do que, como os cínicos do espectro político nos querem fazer crer, um sinal de maturidade cética. O que o aceleracionismo estimula é um futuro que é mais moderno – uma modernidade alternativa que o neoliberalismo é inerentemente incapaz de gerar. [Um último espasmo de acenos de mão.] O futuro deve ser aberto mais uma vez, ampliando nossos horizontes para as possibilidades universais do Lado de Fora. [‘Deve’ não significa nada, e ‘universal’ não adiciona nada, mas de outra forma uma grande frase — culminação em uma onde de excitação ideo-neutra.]

http://​syn​theti​cedi​fice​.files​.word​press​.com/​2​0​1​3​/​0​6​/​a​c​c​e​l​e​r​a​t​e​.​pdf http://uninomade.net/tenda/manifesto-aceleracionista/

Naturalmente, a pergunta realmente grande: O que vem a seguir…?

Original.

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