Mente de Twitter

“O quê o Twitter nos diz sobre a aceleração tecnossocial? (Você muito provavelmente já esqueceu)

Conforme novos sistemas de mídia se tornam partes (intimamente anexadas) dos cérebros das pessoas, o pensar sobre eles é conduzido através deles. Em medida considerável, eles são retorcidos por entre as pessoas, a fim de pensar sobre si mesmos. A espiral de envolvimento já está funcionando. Fica cada vez mais forçoso pensar (sobre) como eles pensam.

Os blogs aceleraram os circuitos midiáticos de composição, publicação, interatividade de comentários e revisão. A escrita tornou-se "conversacional" de uma forma sem precedentes e rapidamente ficou sensível aos seus próprios efeitos, o que significa dizer: não-linear. Conforme a cultura se adaptou ao Ciberespaço, ela for moldada por uma torsão, suscetível como nunca antes à captura por turbilhões auto-sustentadores ou ‘singularidades’ com seus próprios vetores errantes imprevistos. Perseguir uma linha de pensamento, embora sempre experimental, agora estava intricadamente entrelaçado com o estranhamento como nunca antes. As linhas ‘interiores’ de memória — que ligam a cognição a uma experiência de integridade subjetiva — foram esticadas para além de suas tolerâncias naturais e sucumbiram à substituição técnica.

O Twitter acelera ainda mais esse processo — muito mais. Cada tweet é uma micro-conclusão e, assim, uma oportunidade para o término da memória. Em vez de seguir a cadeia interna de seus próprios pensamentos, ou de lembrar sobre o que se está pensando, a mente do twitter se imerge no fluxo de informação, onde a interação toma o controle. Estímulo e resposta frenéticos vindos de mensagens recebidas pulverizam a atenção, devolvendo a continuidade por meio da exterioridade, como uma sucessão em staccato de sinais de feedback — respostas, favoritamentos, e retweets. A linha de pensamento foi liberada da mente auto-contida e orgânica (ou de sua ilusão persuasiva de longa duração).

A ‘crítica cultural’ dessa inteligência amnésica, distraída, obsessiva e instável quase escreve a si mesma. O Twitter indubtavelmente é porcaria. O fato de ser viciante, contudo, de forma alguma é a menor de suas lições. Circuitos de feedback estreitos (ou intensidade cibernética) são inerentemente fascinantes, independentemente de quaisquer "recompensas" externas. O cérebro tende automaticamente a uma interconexão dinâmica, mesmo quando o custo é uma rendição abrangente da identidade. O que quer que esteja a caminho terá nos sugado para dentro, antes que consigamos decidir o que queremos pensar sobre ela. A tendência seria resolutamente óbvia, se apenas conseguíssemos lembrar de onde estivémos.

ADICIONADO: Twitter e polarização (via @benedict)

Original.

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