Determinação Tecnológica

Determinismo tecnológico‘ está entre aqueles traços teóricos (‘falácia naturalista’ é um outro) que tendem a provocar imediatamente uma atitude de superioridade intelectual complacente, em vez de engajamento cognitivo. Meramente identificá-lo é tipicamente julgado como suficiente para uma rejeição. Se o DT como tal levanta uma questão, ela é facilmente perdida.

Uma questão sub-examinada poderia ser: Por que o determinismo tecnológico é tão plausível na sociedades modernas e ainda mais conforme elas se modernizam? O equilíbrio da determinação social dentro da sociedade é, em si, uma variável histórica instável, com uma tendência positiva inequívoca?

Dois relatos populares recentes de relevância vagueiam bastante ingenuamente para dentro da mira pré-definida da crítica. No The Atlantic, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee anunciam o Alvorecer da Segunda Era das Máquinas, ao passo que o Deus-Google dos DTs, Ray Kurzweil, transmite sua previsão (através do Daily Mail britânico) de que "Os robôs serão mais inteligentes que os humanos mais inteligentes dentro dos próximos 15 anos". Os sofisticados zombarão — sem consequências.

Algumas razões rápidas para não se zombar.

(1) A tecnologia avançada segue aproximadamente a Lei de Moore e prevê um impacto comensurável no crescimento. Na ausência de tal crescimento, torna-se cada vez mais difícil evitar notar um mecanismo de compensação, que reequilibra através de um retardamento sistemático o que é perturbado através do desenvolvimento. O DT é de fato parcial, porque ele não tem qualquer explicação sobre o que está lhe segurando. Uma vez que isso seja reconhecido, contudo, ele descreve seu outro de maneira mais realista (como supressão orquestrada) do que o supressor pode explicar a si mesmo.

(2) A combinação de falha sócio-política com realização tecno-econômica — que emerge com definição impressionante da equação de crescimento líquido global — é apenas secundariamente uma questão de clareza conceitual. Primariamente, ela é uma divisão, ou quebra, na qual o determinismo tecnológico representa a instância dinâmica, e a crítica sócio-cultural sofisticada representa — na realidade — a contra-dinâmica, ou entidade retardante. A tentativa de "colocar a tecnologia em seu lugar" que é, de um lado, uma questão de razão abrangente teoricamente auto-evidente é, do outro, a tentativa cada vez mais cômica de um parasita de justificar sua relação com seu hospedeiro. (Esta é uma outra oportunidade de recomendar a visão geral de Andrea Castillo.)

(3) O que quer que a tecnologia possa fazer, ela está fazendo, em um passo acelerado. Conforme ela avança, ideias sobre os ‘limites do tecnológico’ são automaticamente tornadas obsoletas. Ser condescendente com uma máquina a vapor é uma coisa, tentar o mesmo com uma super-inteligência artificial é bem outra. A presunção crítica tem um horizonte externo.

"Queremos que [os computadores] leiam tudo na web e todas as páginas de todos os livros, e então sejam capazes de se engajar em um diálogo inteligente com o usuário para serem capazes de responder suas perguntas", explica Kurzweil. Então, o que você acha desse absurdo de determinismo tecnológico?, em breve seremos capazes de perguntar, arrogantemente.

Original.

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