Estimulação Lógica

O presidente da Greenlight Capital, David Einhorn, em conversa com Erik Schatzker (da Bloomberg TV), sobre um encontro entre Einhorn e Ben Bernanke (presidente aposentado do Federal Reserve) em março de 2014:

Einhorn: … meu sentimento era de que, tendo as taxas em zero por um período muito, muito longe de tempo, o dano que estamos causando aos poupadores superam os benefícios que poderiam ser vistos em outros lugares na economia. Então eu fui perguntar a ele sobre isso.

Schatzker: Okay, e o que ele disse?

Einhorn: Bem, primeiro de tudo, ele disse "você está errado". Isso era bom. E então ele disse que a razão é, se você aumentar as taxas de juros para os poupadores, alguém tem que pagar esse juro. Então você não cria nenhum valor na economia, porque para cada poupador tem que haver um tomador de empréstimo. E o que eu retruquei para ele foi, eu disse "mas espera um minuto". Você disse que por muito tempo não tivemos estímulo fiscal suficiente, e quem está do outro lado do comércio com juros baixos? É o governo. E, então, se o governo – se aumentarmos a taxas, o governo teria que pagar mais dinheiro para os poupadores. Você teria os déficits maiores. Você criaria o estímulo, o estímulo fiscal que você tem reclamado que o Congresso não te dá, certo? E os poupadores se beneficiariam das taxas maiores e, uma vez que a poupança é gasta em uma taxa bem alta em termos de juros – a renda dos juros sobre a poupança é gasta em uma alta percentagem, você obteria um fluxo real através da economia.

Questões de alto nível sobre a teoria econômica de lado, a pura genialidade contra-intuitiva desse argumento é deslumbrante, e desconcertante em termos do pensamento macroeconômico mainstream. Elevar as taxas de juros – supostamente o ato definitivo de ‘austeridade fiscal’ – é exposto como um mecanismo de estímulo automático. Infelizmente, Einhorn não parece ter recebido qualquer resposta de Bernanke que explica onde seu modelo está errado.

(Transcrição parcial e vídeo completo disponíveis no link do ZH.)

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Caminho da Ruína

Keynes lê Lenin e encontra ouro:

Dizem que Lenin declarou que a melhor maneira de destruir o sistema capitalista era depravar a moeda. Através de um processo contínuo de inflação, os governos podem confiscar, de maneira secreta e não observada, uma parte importante da riqueza de seus cidadãos.

Conforme a inflação procede, e o valor real da moeda flutua descontroladamente de mês a mês, todas as relações permanentes entre devedores e credores, que formam a fundação última do capitalismo, ficam tão absolutamente desordenadas, a ponto de serem quase sem sentido; e o processo de obtenção de riqueza se degenera em uma aposta e uma loteria.

Lenin certamente estava certo. Não há nenhum meio mais sutil e mais certo de derrubar a base existente da sociedade do que depravar a moeda. O processo engaja todas as forças ocultas da lei econômica no lado da destruição, e o faz de uma maneira que nenhum homem é capaz de diagnosticar.

(A última frase, que é frequentemente citada, é ainda mais reveladora em contexto.)

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Alibaba

O Wall Street Journal produziu uma introdução excelente e cheia de gráficos à gigante chinesa do e-commerce, que conduziu US$240 bilhões em negócios online em 2013 (mais do que a Amazon e o E-Bay combinados). A definição informal no início explica porque você deveria se importar:

A Alibaba é maior empresa de comércio online da China – e, por algumas métricas, do mundo. Seus três principais sites – Taobao, Tmall e Alibaba.com – têm centenas de milhões de usuários e hospedam milhões de comerciantes e negócios. A Alibaba lida com mais negócios do que qualquer outra empresa de comércio eletrônico.

Espera-se que o IPO da Alibaba o valorize entre US$150 e 250 bilhões (colocando-a entre as dez empresas de tecnologia mais valiosas do mundo). A rapidez da mudança neste setor é difícil de compreender. Espera-se que o mercado de e-commerce chinês, hoje em US$300 bilhões, exceda US$700 bilhões em 2017.

ADICIONADO: Alguns antecedentes sobre o relacionamento Alibaba-Yahoo.

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Prontidão para o Impacto

Qualquer que seja o status da Singularidade enquanto evento de mídia, uma premonição irradia dela em uma cascata. O recente veículo hollywoodiano com Johnny Depp, Trancendence, estimulou uma onda de respostas, incluindo comentários de Steven Hawking (que sabe uma uma coisa ou outra sobre a popularização de tópicos científicos). Um artigo de Hawking em um grande jornal trouxe a conversa a um novo nível de animação. (Meu feed no Twitter não pode ter sido o único a ficar entupido a ponto de explodir com ela.)

Transcendence

  • Isso pode ser bem brusco

O argumento de Hawking, montado de maneira lúcida para uma audiência geral, é de que a IA é plausível, já está em uma medida considerável demonstrada, é suscetível em teoria a uma amplificação cibernética radical (‘explosão de inteligência’), é bastante possivelmente calamitosa para a espécie humana e ainda precisa ser engajada socialmente com a seriedade apropriada. Como ele concede, "é tentador descartar a noção de máquinas altamente inteligentes como mera ficção científica. Mas isso seria um erro, e potencialmente nosso pior erro na história".

Dinâmicas explosivas já são evidentes na trajetória de desenvolvimento da IA, que está sofrendo uma aceleração, guiada por uma "corrida armamentista de TI, alimentada por investimentos sem precedentes e se embasando em uma fundação teórica cada vez mais madura".

Olhando para o futuro, não há limites fundamentais para o que pode ser alcançado: não há nenhuma lei física que impeça que partículas estejam organizadas em maneiras que desempenhem computações ainda mais avançadas que os arranjos de partículas nos cérebros humanos. Uma transição explosiva é possível, embora ela possa terminar diferente do filme: como Irving Good percebeu em 1965, máquinas com inteligência sobre-humana poderiam repetidamente melhorar seu design ainda mais, desencadeando o que Vernos Vinge [aqui] chamou de uma "singularidade" e o personagem de Johnny Depp chama de "transcendência".

Hawking emprega sua plataforma na mídia para argumentar que algo deveria ser feito:

O sucesso em se criar uma IA seria o maior evento na história humana. […] Infelizmente, ele também seria o último, a menos que aprendamos como evitar os riscos. […] Embora estejamos potencialmente enfrentando a melhor ou pior coisa a acontecer à humanidade na história, pouca pesquisa séria é devotada a essas questões fora de institutos sem fins lucrativos tais como o Cambridge Centre for the Study of Existential Risk, o Future of Humanity Institute, o Machine Intelligence Research Institute, e o Future of Life Institute.

Conforme seu prospecto se condensa, a Singularidade Tecnológica já está operando como uma influência cultural e, assim, como um fator causal no processo social. Neste estágio, contudo, como Hawking observa, ela ainda está relativamente limitada. Quais seriam as implicação de ela vir a importar ainda mais?

A cibernética sócio-histórica é compelida a perguntar: um problema da Singularidade incandescente funcionaria como um inibidor, ou ele excitaria ainda mais os desenvolvimentos sob consideração? Certamente é difícil imaginar uma resposta preventiva sofisticada à emergência da Inteligência Artificial que não canalizasse recursos adicionais para técnicos de elite trabalhando na área da cognição sintética avançada, mesmo antes da quase inevitável captura de instituições reguladoras pelas indústrias que elas visam.

Respostas institucionais ao hackeamento de computadores têm sido caracterizadas por exercícios de recrutamento estrategicamente ambíguos em que o "caçador vira o guarda-caça", e algum análogo próximo desses jogos de caça seriam uma parte inevitável de qualquer tentativa de se controlar o desenvolvimento da cognição de máquina. Jogar jogos de traição extremamente complicados contra uma super-inteligência virtual poderia ser bastante divertido, por um tempo…

ADICIONADO: Daniel Dewey, do FHI, chegou.


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Promovida pela PPC

Ilusões monetárias têm sido algo como uma obsessão aqui recentemente (por exemplo. Como exemplo de quanta diferença elas podem fazer, a ordem econômica do mundo, que é confortavelmente dominada pelos Estados Unidos em taxas de câmbio internacionais, está à beira de sua maior transição em meio milênio se a contabilidade for conduzida de acordo com a PPC.

Do Bloomberg:

A China está pronta para ultrapassar os EUA como a maior economia do mundo, enquanto a Índia saltou para o terceiro lugar, à frente do Japão, usando cálculos que levam em consideração as taxas de câmbio.

A economia da China era 87 por cento do tamanho da dos E.U.A. em 2011, avaliada de acordo com a chamada paridade do poder de compra, O Programa Internacional de Comparação disse em comunicado ontem em Washington. O programa, que envolve organizações como o Banco Mundial e as Nações Unidas, colocou o número em 43% em 2005.

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