Recursos sobre Aceleração

Um conjunto de links para escritos aceleracionistas online está em preparação no topo deste blog. Ele vai engrossar lentamente — provavelmente um link novo ou dois a cada dia — mas se há algo digno que você acha que eu vou esquecer, me diga e será incluído eventualmente.

Construir isso é um voto de confiança de minha parte de que esse tópico tem pernas. Se ele vai chegar ao ápice, demorará algum tempo — e mesmo aí ele retornará. Há ainda muito trabalho teórico (e argumentos) adiante.

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Adeus à Serpente

O UF tem estado especialmente quieto recentemente, porque eu estou no Camboja, flutuando em meio a uma conectividade em flocos. Tentar manter a atividade na Internet por meio de um tablet — que parece desdenhar até mesmo do controle elementar de um cursor (sem links, sem recortar e colar, pesadelo de edição) — agrava o problema. Neste momento estou monopolizando um computador real no alojamento onde estou hospedado e é possível avaliar o quão conectado Camboja já se tornou.

O Camboja é um país extraordinariamente atraente e é o lugar perfeito para se despedir do ano da cobra. Ele tem uma abundância de répteis (altamente venenosos), embora seja improvável que eles sejam encontrados fora da estação chuvosa (final do verão). Além disso, e sem dúvida, em grande medida, consequentemente, ele tem uma mitologia de serpentes extraordinariamente rica, organizada em torno da naga. As Nagas saturam as gloriosas ruínas do antigo Reino Angkor, como guardiãs do templo, elementos narrativos dos baixos-relevos e capuzes para os (mais recentes) Budas meditadores. As sutis, mas multifacetadas, evocações do encapuzamento sugerem que as cobras e as nagas estão envolvidas em uma complexa troca de associações. Este é incontestavelmente o país da cobra.

Para Urbano Futuro, o Ano da Cobra foi um período de transição encapuzada. ‘Este’ blog percorreu três plataformas diferentes durante o tempo da cobra. Depois de eliminar 500 comentários de spam devido a problemas de hospedagem nos últimos dias, é difícil dizer que a plataforma atual está exatamente resolvida, mas o trabalho principal está concluído. A situação da infra-estrutura certamente nunca foi melhor.

O Ano do Cavalo supostamente deve ser industrial, o que significa usar o que você precisa para conseguir as coisas feitas. Para este blog, a principal tarefa é iniciar uma discussão auto-sustentável sobre a Modernidade Chinesa, retomando a história e encaminhando-a a uma especulação disciplinada, a fim de consolidar uma compreensão de Shanghai como o tópico filosófico singular (de profundo significado global) que sempre esteve destinada a ser. No final do primeiro mês do Cavalo, essa ambição grosseira deveria se parecer mais com um programa crível.

Vou tentar publicar saudações de Chunjie em Phnom Penh (você está interessado em saber como as celebrações acontecem lá, certo?).

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Urbano Futuro (2.1)

Em comparação com o registro do caos sísmico que leva a este ponto, a transição final do Urbano Futuro para uma plataforma WordPress conveniente e confiável é um tremor pouco discernível. Todo o material postado no agora defunto site Joomla foi transferido para cá, em alguns casos amalgamado, ou anotado.

Em resposta ao feedback dos leitores, o template é seriamente sombrio. (Desculpas àquela pequena minoria de leitores que expressaram preferência por um plano de fundo claro.) O sistema de comentários deveria ser amigável e observações civis de qualquer tipo são avidamente bem-vindas, especialmente aquelas que fomentem uma discussão inteligente.

A agenda do UF2.0 permanece inalterada em suas características essenciais:

O Urbano Futuro (2.0) é um lugar para se pensar sobre cidades e o tempo. Baseado em Shanghai — o modelo da ‘cidade do futuro’ — ele se foca especialmente no que está acontecendo aqui e o que isso significa para todos os outros lugares. Este blog está estabelecido no agora, mas o ‘agora’ não tem nenhuma duração fixa.

Mais, talvez, do que qualquer outra cidade no mundo, Shanghai opera seu presente através de memórias e expectativas. O que Shanghai tem sido ainda está explicitamente ocorrendo, no caminho até um destino que há muito foi antecipado. Ela está correndo para encontrar a modernidade absoluta e globalmente incandescente que a atormentou por mais de 150 anos. Pressentimentos obscuros dessa estranha trajetória remontam de ainda antes. Agora ele está mais próximo do que jamais esteve, quase palpável, indicado em uma miríade de sinais.

Conforme a chegada se aproxima, coisas são desencadeadas, ou inflamadas, em uma sucessão cada vez mais rápida. O Urbano Futuro está — mais uma vez — entre elas.

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Introduzindo o Urbano Futuro

O que os leitores podem esperar deste blog? Uma vez que ele promete estar orientado para o futuro, faz sentido começar com algumas previsões preliminares sobre si mesmo.

De maneira mais básica e previsível, o Urbano Futuro foi programado por seu nome. Seu tópico principal é a intersecção das cidades com o futuro. Ele visa fomentar discussões sobre cidades enquanto motores do futuro, e sobre o futurismo enquanto uma influência dinâmica sobre a forma, o caráter e o desenvolvimento das cidades. De maneira mais particular, ele escava em busca de pistas e flutua especulações sobre a Shanghai de amanhã. Ele antecipa um futuro urbano global no qual Shanghai aparece de maneira proeminente, e uma Shanghai vindoura que expressa, de maneira tanto firme quanto sutil, as forças transformativas do futurismo global. Isso já é nos anteciparmos bastante, que é o que tipicamente faremos.

Para alguns leitores, ‘futurismo’ invocará o movimento cultural de vanguarda do início do século XX, cristalizado no Manifesto Futurista de Filippo Tommaso Marinetti de 1909. O futurismo, eles poderiam razoavelmente objetar, foi definido e até mesmo fechado pela passagem do tempo. Como o modernismo, ele agora pertence ao arquivo da história concluída. O que existe hoje, e nos dias por vir, só pode ser um neo-futurismo (e um neo-modernismo): não menos retrospectivo do que prospectivo, uma repetição tanto quanto uma especulação. Tais considerações, correções e lembranças, com todas suas perplexidades concomitantes, são extremamente bem-vindas. O tempo de abordá-las logo chegará.

Uma vez que Shanghai está entre-cruzada por índices fraturados no tempo de ambiguidade histórico-futurista, do paleo-modernismo ao neo-tradicionalismo, o blog terá toda oportunidade de discutir tais coisas. Por ora, uma referência casual aos estranhamente geminados ícones arquitetônicos de tais emaranhados temporais, o Park Hotel e a Jinmao Tower – cada um deles uma obra-prima retro-futurista ou cibergótica – tem que servir de substituta, enquanto mnemônico e nota promissória.

Também, em tempo, os obstáculos à previsão precisam ser abordados de maneira meticulosa: tópicos tais como o catastrofismo histórico, a hipótese dos mercados eficientes (EMH), a crítica do historicismo de Karl Popper, a incerteza knightiana (ou as “incógnitas desconhecidas” rumsfeldianas) e a teoria do Cisne Negro de Nassim Nicholas Taleb. A fim de nos instalarmos e começarmos a funcionar, todos esses pensamentos complicadores foram temporariamente colocados entre parênteses, como bestas astutas e ferozes, mas não permanecerão enjaulados para sempre, ou mesmo por muito tempo.

Uma vez que há algo irresistivelmente distorcido sobre se começar com o futuro, a primeira enxurrada de posts irá direto para o amanhã, com os tópicos se tornando cada vez mais focados em cidades e em Shanghai conforme as coisas progredirem. Uma série inicial de posts interconectados delineará o pensamento futurista em termos amplos, incluindo esboços preliminares dos principais pontos de parada na [l=]linha principal da tradição tecno-científica que o suporta.

Em última análise, nada relevante para o futuro de Shanghai é alienígena ao propósito deste blog. Ele se embasará na história, geografia e cultura de Shanghai, em filosofias tradicionais chinesas do tempo (Yijing e Taoísmo), em teorias sobre a modernidade e sobre o urbanismo, em biologia evolutiva, ficção científica, discussões tecno-científicas sobre sistemas complexos e emergência, na economia da ordem espontâneaondas longas, tendências tecnológicas, pesquisa e desenvolvimentos da robótica, em modelos de mudança acelerativa e antecipações da Singularidade Tecnológica. As coisas deveriam ficar continuamente mais esquisitas.

Amanhã, começa.

Original.