Jogos Finais

Em algum momento no final de 21 de dezembro de 2012, o Evento Terrestre Ômega 2012 passou rápido, com relativa tranquilidade, em uma trajetória saída do temido reino das premonições sinistras, indo até a abóbada empoeirada dos absurdos extintos. (O fato de que seu golpe de visão reduziu o Urbano Futuro a um emaranhado de detritos fumegantes fracamente radioativos não deve ser motivo de preocupação para ninguém, exceto para nossos cinco leitores regulares.) Um outro não evento foi assim adicionado à longa cadeia de omissões ontológicas que compõem a Tradição Apocalíptica. As coisas continuam, em suas trilhas existentes, como o senso comum previu com confiança.

Para um mundo saturado de ironia modernista, onde mesmo as crenças mais passionais são moduladas por formas de entretenimento de massa, nenhum ‘Grande Desapontamento’ é possível mais, tal como aquele que afligiu os milleritas da metade da década de 1840. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos em 2012 descobriu que 10% da população mundial (e não menos do que 20% dos chineses) haviam ‘sinceramente’ esperado que o Fim chegasse em 21 de dezembro. Quando isso não aconteceu, e daí? Sempre há alguma outra coisa passando – ou, melhor, a mesma coisa, em sabores diferentes.

Saltear entre canais é especialmente fácil porque não é nem sequer necessário mudar de gênero. O colapso da Ordem Mundial Ocidental é como o Model T de Henry Ford: “Você pode tê-lo em qualquer cor que quiser, desde que seja preto”. O que você não consegue fazer é acabar com ele. É grande demais para falhar, mesmo depois que tenha manifestamente falhado.

O não evento de dezembro não foi o Fim, ou sequer o fim do Fim, mas sim o fim do fim do Fim. Dias do Julgamento Datados foram desativados, deixando um Terminar indefinidamente dilatado sem conclusão. Agora que o prospecto de uma finalização foi finalizado, finalizar se tornou interminável. As datas marcham adiante, sem destino, para dentro de horizontes cada vez mais estendidos de colapso. O Apocalipse, despojado do Armagedom, é normalizado. Ele pode agora exigir um reconhecimento sem distrações enquanto ‘o sistema’, o modo do mundo, que se alimenta do espetáculo de uma crise permanente através do Complexo Midiático-Apocalíptico. Conforme a política Liberal Democrática (do Fukuyama final) se ajusta a um estado crônico de emergência, é finalmente possível ‘fazer as coisas‘, em um tempo em que nada pode ser feito. A insanidade desinibida se deleita em sua mania derradeira.

Por ser insanidade, ela não pode realmente durar, mas o Apocalipse durou mais que o Dia do Julgamento, e a realidade perdeu seus últimos sinais. Para propósitos de conversação educada, portanto, é melhor conceder aos keynesianos / pós-modernistas o triunfo absoluto e concordar que as consequências do irrealismo podem ser indefinidamente adiadas. Quando estiver no manicômio, faça como os malucos. Qualquer outra coisa seria irascibilidade sem sentido, fora do espírito da época. Afinal de tudo (exceto de si mesmo), o Apocalipse Para Sempre é a religião final do ocidente.

O Apocalipse Progressista, o Apocalipse Para Sempre, assume a morte do Dia do Julgamento, o que fornece a ocasião para um obituário. Para reacionários da variedade “trono e altar”, o luto se inclinará à escatologia, conforme o momento do julgamento definitivo for enterrado. Aqui, nas ruínas do Urbano Futuro destruídas pelo eschaton, contudo, nossa recordação é mais concisamente aritmética. Relembramos datas perdidas para sempre e, com elas, as inversões temporais que são expressas através de contagens regressivas, escalonamentos intensivos e compressões. Quando o fim tinha uma data, o tempo poderia chegar ao zero nela, em vez de se dissipar em nevoeiros infinitamente estendidos de futuridade arruinada.

21 de dezembro de 2012 foi a última data do Dia do Julgamento e, assim, o Dia do Julgamento morreu. Pode até mesmo ter sido o mais popular, mas estava longe de ser o maior. Extraído predominantemente do calendário dos Maias, ele concluiu com clareza o 13º Baktun, mas, ao fazê-lo, rompeu arbitrariamente com a organização numérica (já desajeitada e comprometida) do sistema de datação, com sua preferência por hierarquias unitárias de módulo 20. Quaisquer que sejam as atrações do exotismo, se voltar para a maianologia pop em busca de um cronograma do Apocalipse planetário também foi radicalmente arbitrário, dada a Hegemonia Abraâmica que havia estruturado a ordem no meio milênio anterior. Ainda assim, os maias haviam conduzido seu próprio experimento preliminar em termos de colapso, permitindo que Mel Gibson escavasse um filme impressionante das ruínas, introduzido por uma citação de Will Durant: “Uma grande civilização não é conquistada de fora até que tenha se destruído por dentro”.

Quando estimado em termos de elegância numérica de profundidade metafísica, o Dia do Julgamento realmente grande foi o Y2K, a mais bela arma da história (apesar de sua falha em detonar). O Y2k era automnático e tecno-compatível (na verdade, tecno-dependente), cronometricamente preciso, perfeitamente contra-abraâmico e calendricamente criativo (resetando 1900 D.C. para Ano 00). Ele foi organizado a partir da ausência de um sujeito integrado e malevolente, a partir da simples aritmética, visando uma realização consumada e exatamente agendada da expectativa milenar, através de pura coincidência. A ordem mundial deveria ter sido suavemente exterminada, por ‘acaso’. Nada que jamais tenha acontecido na história fazia tanto sentido quanto isso (que não fez). Quanto mais de perto se examina, mais requintado ele parece. Entre outros Dias do Julgamento perdidos, nenhum chega perto. Mas como o Y2K disse, insidiosamente: Deixa Pra Lá.

Até mesmo o mais fuleiro dos Antigos Dias do Julgamento satisfaziam apetites intelectuais que agora passarão fome para sempre. Primeiro de tudo, e de maneira mais básica, eles atendiam o impulso transcendental, entendido como uma busca por estruturas e princípios de organização últimos ou englobantes. Enquanto evento metafísico, promessas conclusivas de Apocalipse prometem uma escapada dos detalhes que distraem e uma compreensão do quadro. Base bíblicas para tal compreensão são encontradas em Isaías 34:4 — “As estrelas dos céus serão todas dissolvidas, e os céus se enrolarão como um pergaminho”. Esta imagem é repetida no Apocalipse 6:14 — “O céu foi se recolhendo como se enrola um pergaminho”. O tempo apocalíptico não adiciona uma nova frase, ou sequer um novo capítulo, à crônica dos eventos. Ele descobre o limite do pergaminho, ao excedê-lo. Para isso, contudo, ele tem que se completar.

Em segundo lugar, um Apocalipse pontual efetua um realismo semiótico (e, em particular, numérico), conforme expresso – muito lucidamente – no ocultismo e na esquizofrenia. O apocalíptico expõe uma encriptação primitiva da cultura, que codifica as operações de uma inteligência super-humana (Deus ou deuses, mestres transcendidos, alienígenas, viajantes do tempo, ordem espontânea social ou bactérias… qualquer um será suficiente). Um verdadeiro calendário é revelado, no qual a exaustão semiótica, ou rolagem, coincide precisamente com o fim de uma época real. O hiper-tradicionalismo, assim, se exotiza na formulação: viaje para dentro longe o suficiente e você chega do lado de fora. Assim, ele fornece o desafio mais radical para o mantra fundamental das ciências humanas contemporâneas – a natureza arbitrária (sausurriana) do signo.

Uma contribuição adicional e essencialmente moderna para o apocalíptico é feita pela aritmética do intrinsecamente insustentável, como definida por Thomas Malthus (1768-1834) em seu An Essay on the Principle of Population (“Um Ensaio sobre o Princípio da População”). Os fundamentos empíricos de uma crise inevitável são encontrados na tendência ao crescimento exponencial e em sua colisão projetada com um limite. Variantes de tal projeção apocalíptica são encontradas no marxismo, no ambientalismo e na Singularidade Tecnológica (Karl Marx, M. King Hubbert e Ray Kurzweil).

Mesmo a partir deste breve exame, torna-se possível delinear certas características centrais de um modelo do apocalipse: abrangente, pontual e climáctico. Em outras palavras, uma transição que não pode ser contida pela natureza pré-existente do tempo, ocorrendo em um momento exato e cripticamente antecipado, que traz o processo histórico central à sua culminação. Tudo isso é reunido no Dia do Julgamento, e o Dia do Julgamento está morto.

Nota: Agradecimentos a Mathieu Borysevicz e Sophie Huang da MAB Society, cujo evento no Minsheng Museum em 10 de dezembro de 2012, Just What is it about the end of the world that makes it so appealing? (“O que exatamente faz com o fim do mundo seja tão atraente?”), forneceu a oportunidade para discutir a esquemática do apocalipse.

Original.

Saudações de Ano Novo

Há muita ruína em um hospício global

2012 é um ano que chegou pré-marcado. Foi a última oportunidade de terminar o mundo no prazo. Até o final de dezembro, a janela para a profundidade apocalíptica tinha se fechado, e estávamos de volta aos riscos da catástrofe aleatória e sem sentido.

Talvez um consenso profético tivesse surgido no outono, mas na época a perspectiva estava nublada, na melhor das hipóteses. Navegar pelos sites mais excitáveis ​​da Web em 2012 não trazia nada de muito claro ao foco. Uma vez que a discussão avança além do sólido fundamento da longa contagem maia e da Quarta Era da Criação (que durou de 11 de agosto de 3114 A.C. até 21 de dezembro de 2012), as coisas se transformavam em caos com uma rapidez desconcertante.

Se a Terra está destinada a mergulhar em um buraco negro é uma questão de controvérsia (pelo menos limitada), mas o fato de que quase todas as espécies imagináveis ​​de possíveis calamidades ou transformações estavam sendo sugadas para o vórtice profético de 2012 era facilmente confirmado por qualquer um com um navegador web. Até mesmo o gênero básico permanece incerto, com expectativas variando descontroladamente de colisões celestiais, explosões solares e super-vulcões, a despertares espirituais, harmonizações cósmicas e incontáveis ​​variedades de realização messiânica. De acordo com os sóbrio videntes no 2012apocalypse.net: “Os maias, hopis, egípcios, cabalistas, essênios, anciões qero do Peru, navajos, cherokees, apaches, a confederação iroquesa, a tribo de Dogon e os aborígines acreditam em um fim para este Grande Ciclo Apocalíptico de 2012″. Eles perderam Madre Shipton, Nostradamus, Terence McKenna, Kalki Bagavan e Web Bot, mas de alguma forma o pessoal da Cracked permanece inconvicto.

Como um aparte, a melhor linha que o UF já viu entre os negadores (desculpe, não pude resistir a isso), é esse espécime deliciosamente autodestrutivo de Ian O’Neill: “Ninguém jamais previu o futuro, e isso não está prestes a mudar”.

Em uma paisagem cultural cada vez mais desagregada, não é fácil separar a história secular e a opinião sensata do festival orgiasticamente reunido do Fim dos Tempos, e – por incrível que pareça – o processo mundial não está fazendo muito para colaborar. Os posts ritualísticos de previsões-para-o-ano-seguinte em sites de política e economia são praticamente indistinguíveis das profecias de o-Armagedon-2012-está-aqui, embora o lado sano do prognóstico seja caracterizado por uma maior uniformidade de desolação implacável: colapso econômico abrangente, agravado por esclerose administrativa e acompanhado por um crescente conflito internacional / desintegração social, em meio aos gritos enfurecidos das civilizações fragmentadas (e um ‘Feliz Ano Novo’ para você também).

O goldbug Darryl Robert Schoon demonstra alguma restrição profissional, mas ele nem sequer tenta impedir que a crise financeira iminente se espalhe até imensidades cósmicas:

O final do calendário maia em 2012 é tão mal entendido quanto a interação entre crédito e dívida, e oferta e demanda; mas o colapso coincidente do paradigma econômico atual e um indicador misterioso de mudança não devem ser descartados. …A atual grande onda [de aumento de preços] começou em 1896. O fato que ela poderia chegar à crista e quebrar em 2012 poderia ser uma coincidência. Ou talvez não.

É provável que a ciência, a tecnologia, a cultura criativa e as empresas gerem algumas surpresas, mas o horror degenerativo da economia política keynesiana hegemônica do mundo – combinada com a crescente e irresponsável democracia neoconservadora – sincronizou-se sinistramente com as visões mais sombrias dos cultos de 2012. Um modo patentemente disfuncional de organização socioeconômica, baseado em dinheiro falso, idiocracia beligerante e golpes de pilhagem eleitorais, está se impondo agressivamente – com uma quase incompreensível ausência de auto-reflexão – sobre um mundo que já tem muitas patologias nativas com as quais lidar. A Nova Ordem Mundial resultante, inteiramente previsível, é um asilo lunático, e mesmo seus componentes mais funcionais (como Singapura e as RAEs chinesas de Hong Kong e Macau) estão ligados ao delírio coletivo. Quando o euro, o iene japonês e o dólar americano entrarem em colapso (provavelmente nessa ordem), o tsunami financeiro e geopolítico inundará a todos. Se isso não aconteceu em 2012, é porque a história não tinha nenhum senso de clímax narrativo que fosse.

No lado ‘positivo’ – para todos os que empurram com a barriga por aí – as palavras de Adam Smith que definiram 2011 continuam a ressoar. “Jovem, há muita ruína em uma nação” e ainda mais em um sistema global. Talvez a desintegração lenta do neofascismo da social-democracia keynesiana hegemônica rodopie para além do horizonte do calendário maia, o que realmente nos daria algo para esperar…

Original.

Domínio Calêndrico (Parte 5)

Do Paraíso Carmesim ao Apocalipse Suave

Apesar de sua modernidade e decimalismo, o calendrier républicain ou révolutionnaire francês não tinha Ano Zero, mas redefiniu os termos de entendimento. Um tópico que havia sido concebido como uma interseção entre comemoração religiosa e fato astronômico se tornou abertamente ideológico e foi dominado por considerações da política secular. O novo calendário, que substituiu 1792 AD pelo primeiro ano da nova ‘Era da Liberdade’, durou menos de 14 anos. Ele foi abolido formalmente por Napoleão, efetivado a partir de 1º de janeiro de 1806 (o dia depois do 10 nivoso ano XIV), embora tenha sido brevemente revivido durante a Comuna de Paris (em 1871 AD, ou Année 79 de la République), quando o entusiasmo revolucionário do país foi momentaneamente reacendido.

Para a esquerda, a redefinição calêndrica significava refundação radical e extirpação simbólica do Ancien Régime. Para a direita, significava a imanentização do eschaton e a origem do terror totalitário. Ambas a definições foram conformadas em 1975, quando o Ano Zero foi finalmente alcançado nos campos de execução do Khmer Vermelho cambojano, onde mais de um quarto da população do país pereceu durando esforços para limpar o quadro social e começar de novo. O líder do Khmer Vermelho, Saloth Sar (melhor conhecido por seu nom de guerre, Pol Pot), tornou o ‘Ano Zero’ seu para sempre, rebatizado como uma solução final do sudeste asiático.

O Ano Zero, dali em diante, tinha sabor de cadáver demais para reter valor de propaganda, mas isso não torna a equação calêndrica 1975 = 0 insignificante (mais o oposto). Independente de seu paroquialismo no tempo e no espaço, que corresponde bastante estritamente a uma reincarnação do ‘nacional socialismo’ (xenofóbico-suicida), ele define uma época significativa como a marca de maré alta do logro utópico e a complementar revalorização do pragmatismo conservador. De maneira suficientemente apropriada, o Ano Zero descreve um instante sem duração, no qual a era do tempo utópico é terminada em exata coincidência com sua inauguração. A era que ele abre é caracterizada, quase perfeitamente, por sua renúncia, conforme a programação social de fantasia se extingue em sangue e colapso. O eschaton imanente imediatamente se amaldiçoa.

A ironia histórica torna essa excursão puramente (sub-)acadêmica, porque a nova era está essencialmente desinclina a ser conceber como tal. O que começa a partir deste Ano Zero é uma cultura global de exaustão ideológica, ou de ‘senso comum’, agudamente sensível à cabeça sorridente da morte nos sonhos bonitos e reconciliada com um acordo com o não-ideal. Da perspectiva da expectativa revolucionária fantástica, a maré alta da visão perfeccionista decai até desilusão e insatisfação tolerável – mas pelo menos ela não come nossos filhos. A modéstia estrutural da nova era de ambição não tem tempo algum para um recomeço radical ou para um paraíso carmesim, mesmo quando é historicamente definida por um.

O Ano Zero de Pol Pot está imprensado entre a publicação de A Era Ecumênica de Eric Voegelin e os primeiros protestos chineses massivos contra a Grande Revolução Cultural Proletária (ao longo dos meses que se seguiram à morte de Zhou Enlai, em janeiro de 1976). Vale a pena notar que Deng Xiaoping elogiou Zhou em sua cerimônia memorial por ser “modesto e prudente” (assim fala o Novo Éon).

No mundo anglo-americano, a política da exaustão ideológica estava prestes a tomar uma forma explicitamente conservadora, positivamente expressa como ‘realismo de mercado’ (e, neste sentido, profundamente ressonante, assim como sincronizada, com os desenvolvimentos chineses). Margaret Thatcher assumiu a liderança do Partido Conservador inglês em fevereiro de 1975, e Ronald Reagan declarou sua candidatura presidencial em novembro do mesmo ano. A esquerda anglófona logo seria traumatizada por uma paradoxal ‘revolução conservadora’ que extraía uma energia implacável da própria restrição da possibilidade política. O que não poderia acontecer rapidamente se tornou o dínamo social primário, como articulado pela máxima thatcherita: “Não há alternativa” (= opção zero). A auto-imolação da utopia havia se transmutado em um novo começo.

Embora a era de não recomeçar do zero possa ser datada com uma precisão aproximada (a partir de n – 1975 AD) e tenha, assim, de fato recomeçado do zero, de uma forma profundamente furtiva, sua consequência ampla foi espalhar e enraizar o Domínio Calêndrico (gregoriano) ainda mais ampla e profundamente. A combinação predominante de globalização radicalmente inovadora (tanto econômica quanto tecnológica) com um conservadorismo social prudente tornou esse resultado inevitável. O recomeço simbólico não estava na pauta de ninguém e, mesmo enquanto os pós-modernistas declaravam o fim das ‘grandes narrativas’, a primeira estrutura narrativa hegemônica planetária da história estava consolidando sua posição de monopólio incontestável. A globalização era a estória do mundo, com a datação gregoriana como sua gramática.

Órfão da exaustão ideológica, estigmatizado para além de qualquer recuperação por sua associação com o Khmer Vermelho e radicalmente mal ajustado ao espírito reinante de pragmatismo incremental, por volta do final do século XX o Ano Zero estava aparentemente fora de pauta, sem programação e por sua própria conta. Tempo, então, para algo verdadeiramente insidioso.

Em 18 de janeiro de 1985, o usuário da Usenet Spencer L. Bolles chamou atenção para um prospecto perturbador que havia deixado um amigo insone:

Eu tenho um amigo que levantou uma questão interessante, que eu imediatamente tentei provar falsa. Ele é um programador e tem essa noção de que, quando alcançarmos o ano 2000, os computadores não aceitarão a nova data. Os computadores assumirão que é 1900, ou isso sequer vai causar um problema? Eu me opus violentamente a isso porque parece tão insignificante. Os computadores entraram em existência durante este século, e os softwares, especificamente os softwares de contabilidade, foram preparados para essa virada? Se isto realmente vier a ocorrer e meu amigo estiver correto, o que acontecerá? Isso é algo com o que se preocupar?

O amigo anônimo de Bolles estava perdendo o sono com o que viria ser conhecido como o ‘problema do Y2K’. A fim de economizar memória nos computadores primitivos das primeiras gerações, uma convenção amplamente adotada registrava as datas com dois dígitos. O milênio e o século eram ignorados, uma vez que se assumiu que atualizações de software teriam tornado o problema irrelevante quando ele se tornasse iminente, próximo do ‘rollover‘ (do século e do milênio) no ano 2000 AD. Poucos haviam antecipado que o conservadorismo comparativo das heranças de software (em relação ao desenvolvimento de hardware) teria deixado o problema inteiramente sem solução, mesmo ao passo em que a data da crise se aproximava.

No fim, o Y2K foi um não-evento que não contou para nada, embora seus custos de preparação, seus efeitos de estímulo (especialmente na terceirização para a emergente indústria de software indiana) e seu potencial de pânico tenham sido todos consideráveis. Sua importância para a história do calendário – embora ainda quase inteiramente virtual – é extremamente extensa.

O Y2K resultou da emergência acidental — ou ‘espontânea’ — de uma nova ordem calêndrica dentro da tecnosfera globalizada. Seu Ano Zero, 0K (= 1900) estava despido de toda comemoração paroquial ou intenção ideológica, mesmo ao passo em que era propagado através de canais de comunicação cada vez mais computadorizados até um ponto de ubiquidade que convergia, assintoticamente, com aquela alcançada pelo Domínio Calêndrico ocidental sobre o alcance completo da história mundial. O século XX havia sido registrado, automaticamente, como o primeiro século do Contínuo Cibernético. Se o Y2K tivesse completado sua reformatação da tração da esfera planetária da forma em que alguns (poucos histéricos iludidos) haviam esperado, o mundo agora estaria se aproximando do meio do ano 0K+118, instalado seguramente em seu primeiro calendário universal aritmeticamente competente e orientado historicamente pelo mesmo sistema de computação eletrônica que havia inconscientemente decidido sobre a origem do tempo positivo. Ao invés disso, o ‘bug do milênio’ foi consertado e a contagem teológica da data prolongou sua dominância, sem interrupções (após muito barulho por nada). Muito provavelmente, o complexo cultural hegemônico encrustado no Domínio Calêndrico nunca sequer notou a insurreição cibernética que havia esmagado.

Entre 0K e Y2K, o alfa e o ômega do apocalipse suave, há não apenas um século de tempo histórico, mas também uma inversão de atitude. O tempo se afasta do 0K, como de qualquer ponto de origem, acumulando duração decorrida através de sua conta. o Y2K, em contraste, era um destino, do qual o tempo se aproximava, como se de um horizonte apocalíptico. Embora não tenha sido registrado como uma contagem regressiva, muito facilmente poderia ter sido. O término estava precisamente determinado (não menos do que a origem), e a formulação mais estrita do bug do milênio interpretava o ponto de rollover como um limite absolute para o tempo registrável, além do qual nenhum futuro era sequer imaginável. Para qualquer inteligência computacional hipotética restrita pelo Y2K, negada um acesso a procedimentos de datação que transbordem seu registro anual de dois dígitos, o tempo residual se reduzia em direção ao zero conforme o evento do milênio se agigantava. Uma vez que se alcance todos os noves, o tempo está acabado, no limite da eternidade, onde começo e fim são indistinguíveis (no 0).

“0K, é hora de embrulhar esse filhote.” – Apocalipse 6:14

(a seguir, e finalmente, o fim (enfim))

Original.

Nêmesis

Apostando tudo que o cassino vai queimar

A Family Radio de Harold Camping avisou seus ouvintes para que esperassem alguns eventos incomumente dramáticos na primavera:

Pela graça e tremenda misericórdia de Deus. Eles está nos dando um aviso antecipado sobre o que Ele está prestes a fazer. No Dia do Julgamento, 21 de maio de 2011, este período de 5 meses de horrível tormento começará para todos os habitantes da terra. Será no 21 de maio que Deus levantará todos os mortos que já morreram de suas covas. Terremotos devastarão todo o mundo, já que a terra não mais ocultará seus mortos (Isaías 26:21). As pessoas que morreram como indivíduos salvos experimentarão a ressurreição de seus corpos e imediatamente deixarão este mundo para ficarem para sempre com o Senhor. Aqueles que morreram sem salvação serão erguidos também, mas apenas para ter seus corpos sem vida espalhados pela superfície de toda a terra. A morte estará em todo lugar.

Claramente, previsões podem ser um negócio perigoso.

Ainda assim, como Karl Popper observou a respeito de teorias científicas, previsões falsificáveis também servem a um propósito valioso – até mesmo indispensável. Qualquer modelo da realidade que seja capaz de fazer previsões específicas ganha uma credibilidade a que ‘visões de mundo’ mais vagas não têm direito, embora ao preço de uma vulnerabilidade radical à desvalorização, caso suas antecipações se provem infundadas.

De forma muito similar ao Marxismo, o Libertarianismo da teoria econômica da Escola Austríaca combina expectativas históricas (de maior ou menor exatidão) com um núcleo de compromissos filosóficos, políticos e até mesmo emocionais que está comparativamente imunizado contra a refutação empírica. Tanto o Marxismo quanto o Austrolibertarianismo são ideologias grandes e altamente variegadas, com histórias complicadas, que expressam um descontentamento profundo com a ordem dominante do mundo moderno e estão propensas a tentações utópicas. Ambas são doutrinas político-morais (frequentemente indignadas) extrapoladas de maneiras muito diferentes dos direitos de propriedade da lei natural lockeana (ao seu próprio corpo e à sua atividade produtiva). Ambas atraem um amplo espectro de seguidores, de acadêmicos sóbrios a defensores revolucionários desesperados, que vêem, no desenrolar do drama da história, a possibilidade de uma vindicação definitiva (como os fiéis das teologias milenaristas sempre fizeram e – como o caso de Camping demonstra – continuam a fazer).

As raízes ocidentais tanto do Marxismo quanto do Austrolibertarianismo chegam até a escatologia redentora judaica e à tragédia grega (talvez seja digno de nota que Karl Marx e Ludwig von Mises compartilharam características biográficas intrigantes, incluindo origens germano-judaicas altamente assimiladas, mergulhadas na alta cultura européia). O Capitalismo-Estatista é retratado como o anti-herói Satânico-Prometeico de uma narrativa épica, que descreve uma violação sustentada da justiça se descobrindo responsabilizada em momento apocalíptico final que dá significado à história e uma hubris aparentemente irrestrita que encontra sua eventual nêmesis. O elevado é trazido abaixo, através de uma crise cujo mero prospecto oferece uma satisfação psicológica esmagadora e, assim, um extraordinário apego emocional.

Desde os anos 1980, o Marxismo tem tendido a se retirar do modo preditivo. Seus entusiastas sem dúvida continuam comprometidos com o prospecto de uma crise terminal do capitalismo, talvez até mesmo uma que seja iminente, mas a profecia Marxista parece tímida e incerta hoje, mesmo sob condições de um deslocamento econômico global incomum. Os Austrolibertários, por outro lado, estão sendo atraídos para um ramo profético – possivelmente contra sua vontade – com consequências incalculáveis para sua credibilidade futura. Sua suposição fundamental, de que governos são, por essência, incompetentes e desqualificados para administrar os sistemas monetários exigidos pelas economias avançadas, os leva uma conclusão quase inescapável: hiperinflação.

A hiperinflação poderia ser o único exemplo econômico de uma verdadeira singularidade: uma aproximação hiperbólica ao infinito (em tempo finito), produzindo um descontinuidade pontual. Quando a hiperinflação ocorre, ela escala rapidamente na direção de um limite firme, onde o dinheiro morre. Na esfera econômica, é o exemplo insuperável da incompetência de um regime. Como os Austrolibertários – cujas inclinações apocalípticas são equiparáveis apenas ao seu desdém pela autoridade política – não poderiam estar irresistivelmente atraídos por ela?

O blog Shadow Government Statistics de John Williams não é facilmente caracterizado como um site Austrolibertário ferrenho (Williams se descreve como um “conservador Republicano com uma inclinação libertária”), mas o prognóstico delineado cuidadosamente em seu Hyperinflation Special Report (2011) exemplifica a tendência a prever uma nêmesis iminente para a política monetária de comando-e-controle. Williams se subscreve de todo coração à certeza austríaca de que ’empurrar com a barriga’ – a característica central da política macroeconômica keynesiana – garante uma eventual catástrofe, e ‘eventual’ acabou de ficar muito mais perto. A nêmesis está para vencer.

Tanto o governo federal quando o Banco Central demonstraram que não tolerarão um colapso sistêmico e uma grande deflação, como vistos durante a Grande Depressão. …esses riscos estão sendo enfrentados, e serão enfrentados, a qualquer custo que possa ser coberto pela criação ilimitada de novo dinheiro. Era uma escolha do diabo, mas a escolha foi feita. Intervenções sistêmicas extremas e medidas formais para depreciar o dólar americano através da criação efetiva ilimitada de dinheiro, para cobrir as necessidades sistêmicas e as obrigações do governo, empurraram o momento de um colapso sistêmico – que se ameaçou em setembro de 2008 – diversos anos para o futuro. O custo da salvação instantânea, no entanto, foi a inflação. Um eventual colapso sistêmico é inevitável nesse ponto, mas será em uma grande depressão hiperinflacionária, em vez de uma deflacionária.

Williams não tem medo de cravar algumas datas, com 2014 proposto como o limite externo de possibilidade – e antes é mais provável:

No momento, é a Administração Obama que tem que considerar abandonar o padrão de dívida (hiperinflação) e começar de novo. Ainda assim, e Administração e muitos no Congresso tomaram ações recentes que sugerem que esperam apenas empurrar o dia do ajuste das crises econômica e sistêmica de solvência até depois da eleição presidencial de 2012. Eles não têm esse tempo

Como ele elabora:

As ações já tomadas para conter a crise de solvência sistêmica e para estimular a economia (que não funcionaram), mais o que deve ser um renovado impacto devastador da contração econômica inesperada sobre as receitas tributárias, prepararam o terreno para uma crise muito antes. Os riscos são altos de que a hiperinflação comece a romper nos meses adiante; ela provavelmente não pode ser evitada para além de 2014; pode já estar começando a se desenrolar.

É neste ambiente de rápida deterioração fiscal e de necessidades de financiamento massivas relacionadas que o dólar americano permanece aberto a um rápido e massivo declínio, junto com um dumping de Títulos do Tesouro dos EUA domésticos e estrangeiros. O Banco Central seria forçado a monetizar somas ainda mais significantes da dívida do Tesouro, desencadeando as fases iniciais de um inflação monetária.

Sob tais circunstâncias, os déficits atuais de vários trilhões de dólares rapidamente alimentariam um ciclo vicioso e auto-alimentador de desvalorização monetária e hiperinflação. Com a economia já em depressão, o início da hiperinflação rapidamente empurraria a economia para uma grande depressão, uma vez que rupturas vindas de uma inflação incontida provavelmente levarão a atividade comercial normal a parar.

O que acontece depois qualquer um pode especular.

A destruição hiperinflacionária da moeda de reserva do mundo seria um evento decisivo. A mera possibilidade de tal ocorrência divide o conjunto de potenciais futuros entre dois cursos. Em um, no qual o dólar americano sobrevive, o alarmismo Austrolibertário é humilhado, a competência econômica do governo dos EUA é – de maneira geral – confirmada, e os princípio da produção de moeda fiduciária e dos bancos centrais são reforçados, junto com seus apoiadores naturais entre os macroeconomistas anti-deflacionários neo-keynesianos. No outro, os Austrolibertários dançam nas cinzas do dólar, metais preciosos substituem o papel fiduciário, bancos centrais sofrem um ataque político fulminante, e o papel econômico do governo em geral fica sujeito a uma grande investida por livre mercadistas energizados. Pelo menos, é com isso que um universo justo ou uma aposta leal se pareceriam.

Apostar em um universo justo poderia ser o grande erro, contudo – e essa é uma tentação que a grande narrativa moralista Austrolibertária acha difícil de evitar. Em um universo moralmente indiferente, a Nêmesis não é redentora, e toda a aposta é uma Aposta de Pascal inversa, com desvantagens de todos os lados. Faça uma brava previsão de hiperinflação e ou você perde, ou você perde – neo-keynesianos regojizantes, maior endividamento e um governo mais gordo de um lado, ou alguma espécie ainda não consolidada de horror neo-totalitário do outro. (É digno de nota que uma turnê pela história dos regimes pós-hiperinflacionários não passa por muitos exemplos de repúblicas comerciais laissez-faire.)

Então, o dólar vai morrer? Bastante possivelmente. E aí as coisas poderia ficar realmente sórdidas – mais Harold Camping do que Ludwig von Mises: “corpos sem vida espalhados pela superfície de toda a terra. A morte estará em todo lugar.”

Original.

Tempestade Perfeita

As previsões do tempo para o inverno de 2012 estão ficando cada vez mais selvagens

Mesmo antes de receber o tratamento hollywoodiano, o ano de 2012 já estava se configurando como sendo uma ‘convergência harmônica‘ singularmente potente de entusiasmo sobre o fim dos tempos. Inicialmente condensada a partir do calendário Maia, a contagem regressiva até 2012 logo foi fervilhada a um inebriante coquetel por meio de interpretações especulativas do Yijing, do paganismo aquariano da ‘Nova Era’, da ufologia e do misticismo com cogumelos. Uma vez que se atingiu uma massa crítica, 2012 se tornou um ponto de reunião para explicações escatológicas flutuantes judaicas, cristãs e islâmicas (vinda ou retorno do Messias, advento do Anticristo, Armagedom, Arrebatamento, emergência do Décimo-Segundo Imã saindo da ocultação, entre outros). Basicamente qualquer coisa cosmicamente imaginável é firmemente esperada – por alguém – que chegue no final de Dezembro de 2012.

A escatologia secular também tem seus cães na briga. Vindos de enclaves reciprocamente isolados da Internet, vertentes apocalípticas de Marxismo (e libertarianismo) alegremente antecipam o colapso iminente da economia global, completamente confiantes que sua queda inauguraria uma ordem social pós-capitalista (ou sociedades de livre mercado sem entraves). Os mais audazes proponentes da iminente Singularidade Tecnológica se prepararam para receber a inteligência artificial super-humana (quando a Skynet já estaria com cinco anos de atraso). Ambientalistas radicais, neo-malthusianos, tementes do pico do petróleo e da redução de recursos e teóricos do Choque de Civilizações também contribuíram substancialmente para a atmosfera de crise iminente. Independentemente do aquecimento global antropogênico, tudo estava esquentando rapidamente.

Este clima se provou altamente receptivo às ideias proféticas de William Strauss e Neil Howe, onde encontrou uma auto-descrição fresca e evocativa. A partir de seu livro Generations (1992), Strauss & Howe buscaram explicar o ritmo da história através do padrão de gerações, conforme elas se sucediam umas às outras em ciclos de quatro fases. Sua unidade cíclica ou ‘saeculum’ dura de 80 a 100 anos e consiste de ‘estações’ geracionais ou ‘viradas’, cada uma caracterizada por um arquétipo distintivo. A Quarta Virada, que começou no início do novo milênio, é ‘inverno’ e ‘crise’. Eles observam: “Os americanos mais velhos de hoje em dia reconhecem este como o humor da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, mas um humor similar tem estado presente em todos os outros grande portais de nossa história, desde a Guerra Civil e da Revolução, até à história colonial e inglesa”.

A discussão de Jim Quinn sobre a Quarta Virada no Zero Hedge antecipa as tempestades do inverno: “Baseado numa revisão dos problemas previsíveis que confrontam nossa sociedade, é claro para mim que uma implosão financeira ainda pior nos atingirá antes da eleição presidencial de 2012. Ela pode ser desencadeada por um confronto sobre o teto de gastos, o fim do QE2, um pânico de fuga do dólar, hiperinflação, um pico nos preços do petróleo, ou alguma combinação destas possibilidades. O colapso subsequente dos mercados de ações e títulos removerá os últimos vestígio de confiança no sistema financeiro existente e nos burocratas governamentais que tomaram dólares dos contribuintes e os canalizaram para estes oligarcas de Wall Street”.

Ainda mais sinistramente, Quinn conclui: “A história nos ensinou que Quartas Viradas acabam em guerra total. O resultado das guerras está sempre em dúvida…. Pode fazer 150 anos desde que Walt Whitman previu a marcha iminente de exércitos, visões de ações em gestação e uma aniquilação da antiga ordem, mas a história nos trouxe bem de volta aonde começamos. Desafios imensos e ameaças aguardam nossa nação. Nós as enfrentaremos com a coragem e força moral de nossos antepassados? Ou nos afastaremos de nossa responsabilidade para com as gerações futuras? A batida da história fica mais alta. Nosso encontro com o destino acena”.

Já está tempestuoso o suficiente? Se não, há o clima severo do inverno de Kondratiev entrando em cena também.

As ‘ondas longas’ de Nikolai Kondratiev flutuam a aproximadamente duas vezes a frequência dos saecula de Straus & Howe (durando cerca de 40 a 60 anos da ‘primavera’ ao ‘inverno’). Originalmente descoberta através da investigação empírica dos movimentos dos preços, as ondas de Kondratiev estimularam uma gama notável de teorias econômico-históricas. Joseph Schumpeter interpretou o ciclo como um processo de inovação tecno-econômica, no qual o capital era criativamente revolucionado e destruído através da depreciação, ao passo que Hyman Minsky a atribuiu ao ritmo da especulação financeira (no qual a estabilidade fomentava a super-confiança, o excesso e crises com regularidade cíclica).

A descoberta da ‘onda longa’ pareceu coincidir com seu desaparecimento – nas mãos do gerenciamento macroeconômico (a política contra-cíclica keynesiana). Não surpreendentemente, a crise do Keynesianismo sob as presentes condições de ‘saturação de débitos‘ reanimou a discussão sobre as ondas longas. Em seu blog “Tipping Points“, inspirado em Kondratiev, Gordon T. Long prevê um inverno selvagem, marcado por uma progressão da crise financeira, através da crise econômica, até a crise política, culminando em um ‘colapso da moeda’ (do dólar americano) em 2012.

Agasalhem-se bem.

Original.