A Singularidade de Esquerda

O inverno está chegando

Os esquerdistas não são perturbados pelo medo de que as massas possam se revoltar contra a esquerda, mas sim cada esquerdista teme que ele possa falhar em acompanhar a linha que sempre muda, se encontre alguns anos, ou semanas, ou dias atrás do atual politicamente correto sempre em mudança e se descubra considerado um direitista. // O que historicamente só para em derramamento de sangue. Não há nenhuma singularidade de direita equivalente, já que regimes repressivos de direita proíbem o interesse na política, ao passo em que os regimes repressivos de esquerda ordenam o interesse na política. // A singularidade de esquerda é a mesma toda vez em sua aproximação ao esquerdismo infinito, mas difere de maneira caótica e surpreendente toda vez ao acabar aquém do esquerdismo infinito — James A. Donald

Aquilo com o que mais nos preocupamos é que veremos um ciclo vicioso se desenvolver: uma governança ruim prejudica a economia, o que radicaliza e polariza a opinião pública, o que leva a uma governança pior e resultados econômicos piores… e assim por diante linha abaixo.Walter Russell Mead

A política do século XXI não vê nenhuma necessidade da verdade. Quando o governo se acredita responsável pela economia e convence as pessoas disso, ele tem que se colocar em uma caixa. …Quando uma recessão ocorre …ela faz com o governo busque política que reforçam suas mentiras. São essa política que criaram a atual crise econômica em primeiro lugar. –’Monty Pelerin‘ (via Zero Hedge)

O Iluminismo Sombrio começa com o reconhecimento de que a realidade é impopular, de modo que o curso ‘natural’ do desenvolvimento político, sob condições democráticas, é confiavelmente embasado na promessa de uma alternativa. Favorecer a fantasia é a única plataforma que oferece apoio eleitoral. Quando os sonhos ficam ruins, é politicamente óbvio que eles não foram mantidos com firmeza ou sinceridade suficientes, seu radicalismo foi insuficiente, e uma solução mais abrangente é imperativa. Uma vez que uma sabotagem direitista, seja ela deliberada ou meramente inercial, claramente é a culpada, as surras continuarão até que o moral melhore.

Esta síndrome, essencialmente indistinguível da modernidade política, exige uma teoria cibernética da deterioração social acelerante, ou repressão econômica auto-reforçadora. A tendência da qual o iluminismo sombrio recua exige uma explicação, que é encontrada no diagrama da Singularidade de Esquerda.

Uma singularidade, de qualquer tipo, é o limite de um processo dominado por um feedback positivo e, assim, levado a um extremo. Em sua expressão matemática pura, a tendência não é meramente exponencial, mas parabólica, fechando-se assintoticamente sobre o infinito em tempo finito. A ‘lógica da histórica’ converge sobre um limite absoluto, além do qual um prolongamento adicional é estritamente impossível. Desta barreira derradeira e impassável, o iluminismo sombrio regride na história política, profeticamente inflamado por sua certeza do fim. A menos que a democracia se desintegre antes da parede, ela vai dar de cara com a parede.

“Uma repressão maior traz um esquerdismo maior, um esquerdismo maior traz uma repressão maior, em um círculo cada vez mais cerrado que gira cada vez mais rápido. Esta é a singularidade de esquerda”, escreve Donald. A principal hipótese sombria é evidente: no declive da esquerda, a falha não é auto-corretiva, mas sim o oposto. A disfunção se aprofunda através do circuito do desapontamento:

Conforme a sociedade se move cada vez mais para a esquerda, cada vez mais rápido, os esquerdistas ficam cada vez mais descontentes com o resultado, mas, claro, a única cura para o seu descontentamento que é permissível pensar é um movimento ainda mais rápido, ainda mais à esquerda.

É necessário, então, aceitar a inversão esquerdista de Clausewitz e a proposição de que a política é a guerra por outros meios, precisamente porque ela retém a tendência ao extremo clausewitziana (que a torna ‘propensa a escalada‘). Esta é a razão pela qual a história política moderna tem uma forma característica, que combina uma duração de ‘progresso’ escalonante com uma interrupção terminal e semi-pontual, ou catástrofe – uma restauração ou ‘reinicialização’. Como mofo em uma placa de Petri, organizações políticas progressistas ‘se desenvolvem’ explosivamente até que todos os recursos disponíveis tenham sido consumidos, mas, ao contrário de colônias de lodo, elas exibem um dinamismo que ainda mais exagerado (do exponencial para o hiperbólico) pelo fato de que o esgotamento de recursos acelera a tendência de desenvolvimento.

A decadência econômica erode o potencial produtivo e aumenta a dependência, atando populações de maneira cada vez mais desesperada à promessa de uma solução política. O declive progressista fica mais íngreme na direção do precipício de uma radicalidade suprema, ou total absorção no estado… e, em algum lugar fracionalmente antes disso, seja antes ou depois dele ter roubado tudo que você tem, tomado seus filhos, desencadeado assassinatos em massa e descendido ao canibalismo, ele acaba.

Ele não pode comer a placa de Petri ou abolir a realidade (na realidade). Há um limite. Mas a humanidade ganha uma chance de demonstrar do que é capaz, no lado inferior. Como Whiskey comentou (nessa thread do Sailer): “Este Iluminismo é ‘Sombrio’ porque ele nos diz coisas verdadeira que preferiríamos não saber ou ler ou ouvir, porque elas pintam uma imagem não tão amável da natureza humana em sua face mais crua”. O progresso nos leva ao cru.

Gregory Bateson se referia à escalada cibernética como ‘esquismogenese’, que ele identificava em uma série de fenômenos sociais. Entre esses estava o abuso de substâncias (especificamente o alcoolismo), cuja dinâmica abstrata, no nível do indivíduo, é difícil de distinguir da radicalização política coletiva. O alcoólatra é capturado por um circuito esquismogenico e, uma vez que esteja dentro dele, a única solução atraente é ir mais fundo nele. A cada passo de desintegração de sua vida, ele precisa de um drinque mais do que nunca. Lá se vai o emprego, a poupança, a esposa e as crianças, e não há nenhum lugar onde se procurar esperança exceto o bar, a garrafa de vodka e, eventualmente, aquela lata irresistível de cera para piso. O escape vem – se vier antes do necrotério – ao ‘chegar ao fundo do poço’. A escalada ao extremo chega ao fim da estrada, ou da estória, onde uma outra poderia – possivelmente – começar. A esquismogenese prevê uma catástrofe.

Chegar ao fundo do poço tem que ser horrível. Uma longa história lhe trouxe a isso e, se isso não é óbvia e indisputavelmente um estado intolerável de degradação derradeira, ela vai continuar. Não acabou até que realmente não possa continuar, e isso tem que ser diversos graus pior do que se poderia antecipar. A Singularidade de Esquerda está afundada nas borras de cera para piso, com tudo perdido. É pior do que qualquer coisa que você possa imaginar, e não há nenhum sentido que seja em tentar persuadir as pessoas de que elas chegaram lá antes de elas saberem que chegaram. ‘As coisas poderiam ser melhores do que isso’ não vai dar conta. É para isso que serve o progresso, e o progresso é o problema.

Aquilo que não pode continuar, irá parar. As árvores não crescem até o céu. Isso não significa necessariamente, contudo, que a liberdade será restaurada e tudo será adorável. Da última vez tivemos teocracia, tivemos estagnação por quatrocentos anos.

A expansão explosiva de gastos e regulamentação representa um colapso da disciplina dentro da elite governante. A maneira em que o sistema deveria funcionar, e a maneira em que funcionou na maior parte do tempo há várias décadas atrás, é que o Governo Federal americano só pode gastar dinheiro em algo se a Câmara dos Deputados, o Senado e o Presidente concordarem em gastar dinheiro nessa coisa, então nenhum empregado do governo pode ser empregado, exceto se todos os três concordarem que ele deva ser empregado, então o governo não pode fazer nada ao menos que os três concordem que seja feito. Um funcionário público e, na verdade, todo o seu departamento estava apto a ser demitido se irritasse alguém. Reciprocamente, o indivíduo estava livre para fazer qualquer coisa, a menos que todos os três concordassem que ele deveria ser impedido de fazer aquela coisa. Estamos agora nos aproximando da situação reversa, onde para um indivíduo fazer qualquer coisa é necessário uma pilha de permissões de diversas autoridades governamentais, mas qualquer autoridade governamental pode gastar dinheiro em qualquer coisa a menos que exista uma oposição quase unânime a ela gastar dinheiro.

Obviamente isso não pode continuar. Eventualmente, o dinheiro acaba, onde teremos uma crise hiperinflacionária e reverteremos para alguma outra forma de dinheiro, como o padrão ouro. Enquanto isso acontece, o comportamento cada vez mais sem lei dos governantes contra os governados se tornará um comportamento cada vez mais sem lei dos governantes uns contra os outros. Guerra civil, ou algum próximo de uma guerra civil, ou uma terrível e imediata ameaça de guerra civil se seguirá. Nesse ponto, teremos a singularidade política, provavelmente por volta de 2025 ou algo assim. Para além da singularidade, nenhuma previsão pode ser feita, além de que os resultados serão surpreendentes…

Original.

O Que Merecemos

Bom? Provavelmente não. Mas duro – ah, sim (ah sim!)

Obama conseguiu o que ele queria – um segundo mandato. Agora as pessoas que votaram nele vão conseguir aquilo pelo que votaram… e o que elas merecem – um colapso financeiro que faz 2008 parecer como os bons e velhos dias. – ‘libertarianNYC

Porque quando Maistre diz que toda nação recebe o governo que merece, eu acredito nele. Maistre não achava que sua grande lei era uma lei da física. Ele pensava que era uma lei de Deus. Eu não sou uma pessoa religiosa, mas eu concordo. A história me convenceu de que quando as leis de Deus são quebradas, merdas ruins acontecem. – Mencius Moldbug

‘Merecer’ deve ser a palavra mais inútil e ofuscante do dicionário – Maurice Spandrell

Os mistérios do espectro ideológico são profundos o suficiente para absorver uma exploração infinita. Por quê, por exemplo, deveria havia um espectro ideológico que seja? As discordância humanas sobre decisões sociais não são naturalmente multi-dimensionais? Como opiniões sobre a escala ótima do governo podem prever atitudes em relação a ações afirmativas, imigração, controle de armas, proibição das drogas, aborto, casamento gay, mudança climática e política externa? Não parece quase mágico que os arranjos de assentos na Assembléia Nacional francesa no final do século XVIII continuem a organizar a terminologia da orientação ideológica até os dias atuais?

Às vezes, contudo, a perplexidade recua e certos padrões básicos emergem com uma claridade surpreendente. Isso é evidente hoje nos Estados Unidos – o grande circo mundial do antagonismo ideológico – na esteira de sua mais recente e espetacular performance.

Conforme a polarização se intensifica – e ela o faz – o essencial é expressado através dos extremos, e as alternativas são simplificadas. O que vai ser: política ou economia? Não pode haver nenhuma coexistência sustentável. Uma deve erradicar absolutamente a outra.

Ou a política, ou a economia merece ser completamente destruída — a política por seu desejo incontinente pelo poder absoluto, ou a economia por sua fria indiferença aos interesses públicos. O conflito de visões é irreconciliável. Da perspectiva pura da política terminal, todas as recompensas de mercado são arbitrárias e ilegítimas, ao passo que daquela da economia, as pessoas têm direito a precisamente nada.

Falando em nome dos perdedores políticos, Russ Roberts (no Cafe Hayek) adota uma abordagem despreocupada:

Falando sobre a eleição com muitos amigos e familiares que estavam torcendo por Romney, eu descobri que suas emoções percorriam toda a escala entre o desespero e o desânimo. Todo mundo estava bem para baixo. Eu me encontrei inesperadamente melancólico também. Nossas emoções não eram tanto causadas pela derrota de Romney. Poucos de nós estavam particularmente animados com ele. Foi a vitória de Obama que nos preocupou. …Havia muito a ser desencorajado antes dessa eleição. Não tenho certeza se a eleição fornece muitas informações novas.

O desespero da Direita não é o produto de um único resultado lamentável das eleições, mas baseia-se na implacável compreensão de que ela está inerentemente mal adaptada à política. Quando a Direita alcança o poder é se tornando algo diferente de si mesma, traindo seus partidários não apenas de maneira incidental e periférica, através da timidez ou da incompetência, mas de maneira central e fundamental, ao avançar de maneira prática uma agenda que quase perfeitamente nega seus supostos comprometimentos ideológicos. Ela constrói aquilo que ela havia prometido destruir e escraviza ainda mais aquilo que havia prometido liberar. Suas vitórias significam cada vez menos, suas derrotas cada vez mais. Vencer é no máximo um mal menor, ao passo que perder abre novos e inéditos horizontes de calamidade, iniciando aventuras anteriormente inimaginadas de horror.

Dean Kalahar captura o humor:

A decisão do eleitorado de uma vez por todas confirma uma definição da América que valoriza esperanças, sentimentos e igualdade de resultados sobre as realidades da natureza humana, da história e dos princípios fundamentais que mantêm a civilização ocidental unida. Agora não há dúvida de que o ponto de inflexão do declínio cultural que aumenta geometricamente foi ultrapassado. … Nosso sistema econômico perdeu a guerra cultural.

A esquerda tem suas próprias frustrações, que sua aproximação cada vez maior do domínio político total não consegue apaziguar e, na verdade, exacerba. Quanto mais ela subordina seus inimigos à sua vontade, tanto mais sua vontade se conforma à imagem de seus inimigos – não a economia como era, evasiva e moralmente desinteressada, mas a economia como era caracturada e denunciada: estreita e brutalmente auto-interessada, sublime em sua gigantesca ganância, radicalmente corrupta e irreparavelmente disfuncional. O plutocrata dos desenhos animados reaparece como o consumado membro político em uma camiseta do Che Guevara, ditando minuciosamente o conteúdo da legislação e seguindo uma trajetória de carreira que alterna suavemente entre as cátedras das agências reguladoras e as salas de reuniões de Wall Street. Por meio de uma contabilidade perversa e ineliminável de dupla entrada, as montanhas fiscais da generosidade do governo são registradas, simultaneamente, como uma festa orgiástica da criação de dinheiro capitalista de compadrio. O altruísmo público e a avareza privada se prendem uma identidade lógico-matemática exata.

O gira dá a volta. Administrações ‘de direita’ se tornam burocracias escleróticas de um governo grande, ao passo em que administrações ‘de esquerda’ se tornam a fachada cínica de relações públicas para cartéis de bancos vorazes. Em ambos os casos, o governo equivale à traição, executada por um partido que necessariamente abusa de seus próprios partidários políticos. Uma vez que política é cada vez mais a reserva da Esquerda, isso não é um oscilador, mas uma catraca, com uma direção previsível (até a Singularidade de Esquerda, “que move o eleitorado sempre para esquerda, tornando-o cada vez mais disfuncional”).

A Direita, o partido da economia, está perdendo toda a credibilidade enquanto Partido, especialmente para si mesma. Na guerra de aniquilação que o cisma ideológico contemporâneo se tornou, o grito de guerra substituto e característico poderia ser confiantemente antecipado, mesmo que já não fosse tão claramente ouvido: o mercado vingará essas ofensas. Nêmesis. Deixe o templo cair.

Espere ouvir muito mais disso, não importa o quanto isso lhe revolte.

As coisas cairão aos pedaços (ainda mais, bem mais…), ou não, mas em ambos os casos saberemos o que realmente merecemos. A Realidade é Deus, mas qual é a verdadeira religião?

Nas palavras imortais de HL Mencken: “A democracia é a teoria de que as pessoas comuns sabem o que querem e merecem receber isso bem duro”.

Original.

Aleatoriedades sobre a Redecoração o Regime

Qual sortudo vai ficar com a culpa?

Aqui em Shanghai, recebemos os resultados da eleição presidencial dos EUA na quarta-feira de manhã, fazendo desta a última chance de se aventurar em previsões incautas. Quem vai conseguir se apoderar do cálice envenenado e assumir a responsabilidade pelo colapso financeiro dos Estados Unidos da América?

Sinta o ódio. A negatividade reina suprema nessa eleição, com motivações opositivas ou defensivas quase totalmente purificadas de contaminação positiva. De acordo com a The Economist, anúncios políticos negativos representaram inéditos 90% do total. As palavras do comentador Subotai Bahadur no PJ Media destilam o sentimento perfeitamente: “Romney não era minha primeira, segunda ou terceira escolha, mas eu me rastejaria sobre vidro moído para votar nele”. A ser ternamente relembrada como a ‘eleição do vidro moído‘.

O Caminho da Salamandra. O Urbano Futuro não está inclinado a ridicularizar o mormonismo como esquisito (ser esquisito é o propósito das religiões), mas por certo há implicações culturais significativas na inauguração de um presidente mórmon em uma época incomumente apocalíptica. A fé mórmon é a versão de ficção científica da religião abraâmica, estendendo uma ponte evolutiva do homem até Deus – um caminho de divinização prática. Nenhuma surpresa, então, em se descobrir que há uma Associação Transhumanista Mórmon. Quando combinada com a irreverência que se prende a qualquer administração decadente e destruída pelo caos, poderia ficar seriamente divertido… mas aí perderíamos a versão clássica da Catedral II (O Retorno dos Clérigos), substituída por um remake estranho. Os eleitores precisam escolher seu sabor de vidro moído com cuidado.

Motivo do profeta. No Zero Hedge, teórico dos ciclos geracionais de Strauss & Howe, Jom Quinn, se agarra ao tema apocalíptico. Ele argumenta que – à beira do ‘Quarto Giro’ – a idade de Mitt Romney, que o coloca na ‘geração dos profetas’, faz com que ele tenha chances de liderar a superpotência global ao Armagedom (então temos isso pelo que esperar).

Previsões incautas?

(1) Descontar a desonestidade sistemática da mídia aponta para uma vitória substancial de Romney.

(2) Vencer essa vai ter sido a coisa mais estúpida que o partido estúpido jamais fez.

Original.

Fogueira das Vaidades

De boas intenções, o inferno está cheio

Como um mantra ideológico, ‘Nunca Mais’ está associado primariamente à política sobre genocídios dos anos 1940 e, nesse contexto, sua eficácia tem sido questionável, na melhor das hipóteses. Como um imperativo dominante, ele tem sido muito mais importante dentro da esfera econômica, como uma resposta à Grande Depressão dos anos 1930. Embora o assassinato em massa etnicamente seletivo seja amplamente desaprovado, suas atrações têm sido difíceis de suprimir. A depressão deflacionária, por outro lado, simplesmente não tem permissão para acontecer. Este tem sido o axioma supremo da moralidade prática por quase um século, moldando nossa era de maneira única e distinta. Podemos chamá-lo de Diretriz Primária.

Para o mundo ocidental, os anos 1930 foram uma experiência de quase morte, um encontro íntimo com o abismo, lembrado com intensidade religiosa. Já que a ameaça era ‘existencial’ – ou insuperável – o remédio foi investido com a paixão absoluta de uma fé. A Diretriz Primária foi adotada como uma lei básica e final, à qual todas as instituições e interesses sociais estavam subordinados, sem reservas. Questionar ou resistir a ela era convidar um desastre abrangente, e apenas um herege radicalmente desinformado ou criminosamente imprudente – um ‘doente’ – faria isso. Qualquer coisa é melhor que a depressão deflacionária. Isso é a New Deal Law.

A consolidação do planejamento financeiro central, baseada em bancos centrais e moedas fiduciárias, fornecia ao sacerdócio da Diretriz Primária tudo o que era necessário para assegurar a obediência coletiva: nenhuma depressão deflacionária sem deflação, e nenhuma deflação com uma impressora bem azeitada. A inflação “anticíclica” sempre foi uma opção, e a hegemonia da experiência histórico-econômica anglófona no florescente século americano marginalizou a memória dos traumas inflacionários para remansos globais de influência limitada. Ao lado da grandeza moral da Diretriz Primária, a integridade monetária não contava de nada (apenas um doente, ou um alemão, poderia argumentar de outra forma).

A Diretriz Primária define um regime que é historicamente concreto e sistemicamente generalizável. Como Ashwin Parameswaran explica em seu blog Macroeconomic Resilience, esse tipo de regime é expresso com igual clareza em projetos para gerenciar uma variedade de outros sistemas complexos (não econômicos), incluindo rios e florestas. A silvicultura moderna, dominada por um imperativo à supressão de incêndios, fornece um exemplo especialmente esclarecedor. Ele observa:

O ímpeto tanto para a supressão de incêndios e quanto para a estabilização macroeconômica veio de uma crise. Na economia, essa crise foi a Grande Depressão, que destacou a necessidade de estabilizar a política fiscal e monetária durante uma crise. De todas as iniciativas, a mais crucial do ponto de vista sistêmico foi a expansão das operações de um credor de último recurso e de resgates bancários que tentaram eliminar todos os distúrbios em sua origem. Nas palavras de [Hyram] Minsky: “A necessidade de operações de credor de último recurso ocorrerá freqüentemente antes que a renda caia abruptamente e antes que a renda semi-automática e os efeitos estabilizadores financeiros do Grande Governo entrem em ação.” (Stabilizing an Unstable Economy pg 46)

De maneira similar, a batalha pela completa supressão de incêndios foi conquistada após os Grandes Incêndios de Idaho em 1910. “Os Grandes Incêndios de Idaho de agosto de 1910 foram um evento decisivo para a política e a gestão de incêndios, de fato para a política e gestão de todos os recursos naturais nos Estados Unidos. Muitas vezes chamado de Big Blowup, o complexo de incêndios consumiu 3 milhões de acres de madeiras valiosas no norte de Idaho e no oeste de Montana… O grito de batalha dos silvicultores e filósofos naquele ano foi simples e convincente: incêndios são maus e devem ser banidos da Terra. O Weeks Act federal, que estava paralisado no Congresso há anos, foi aprovada em fevereiro de 1911. Essa lei ampliou drasticamente o Serviço Florestal e estabeleceu programas federais-estaduais cooperativos de controle de incêndios. Isso marcou o início dos esforços federais de combate a incêndios e efetivamente pôs fim às práticas de queimas leves em quase todo o país. A pronta supressão de incêndios florestais por agências governamentais tornou-se um paradigma nacional e uma política nacional” (Sara Jensen e Guy McPherson). Em 1935, o Serviço Florestal implementou a política ’10 AM’, uma meta para extinguir todos os novos incêndios às 10h00 do dia seguinte ao da denúncia.

Em ambos os casos, o trauma de um desastre catastrófico desencadeou uma nova política que tentaria eliminar todas as perturbações na fonte, por menor que fossem.

No Zerohedge, The World Complex elabora sobre a história da supressão de incêndios nos Estados Unidos:

As florestas do sudoeste dos Estados Unidos eram submetidas a uma longa estação seca, bem diferente das florestas do nordeste. As florestas nordestinas eram úmidas o suficiente para que a decomposição de material morto reabastecesse os solos; mas no sudoeste, o clima era muito seco no verão e muito frio no inverno para que a decomposição fosse eficaz. O fogo era necessário para garantir florestas saudáveis. Além de reabastecer os solos, era necessário fogo para reduzir os resíduos inflamáveis, e o calor ou a fumaça eram necessários para germinar as sementes.

No final do século XIX, as queimas leves – fazer incêndios de pequena superfície episodicamente para limpar a vegetação rasteira e manter as florestas abertas – era uma prática comum no oeste dos Estados Unidos. Contanto que os incêndios permanecessem pequenos, eles tendiam a queimar a vegetação rasteira, deixando o crescimento mais antigo das florestas ileso. Os colonos que seguiam essa prática reconheciam sua herança nativa; assim como seus oponentes a chamavam de ‘florestamento de paiutes’ como uma expressão de desprezo (Pyne, 1982).

Os defensores das queimadas o faziam por razões filosóficas e práticas – fazer queimadas sendo a “maneira indígena”, assim como a expansão de pastagens e a redução de combustíveis para incêndios florestais. Os detratores argumentavam que os pequenos incêndios destruíam as árvores jovens, os solos esgotados, tornavam a floresta mais suscetível a insetos e doenças e eram economicamente prejudiciais. Mas o argumento crítico apresentado pelos oponentes das queimadas era que ela era hostil ao Espírito Progressivo da Conservação. Como um povo moderno, os americanos deveriam usar as abordagens científicas superiores de manejo florestal que estavam agora disponíveis para eles e que não tinham estado disponíveis para os nativos. Pior do que estar errado, aceitar os métodos de manejo florestal nativos seria primitivo.

Soletrar as conseqüências eventuais da reforma ‘progressista’ das práticas de manejo florestal provavelmente não é necessário, pois – em notável contraste com seu análogo econômico – suas lições foram completamente absorvidas, ampla e freqüentemente referenciadas. Ambientalistas ecologicamente sofisticados, em particular, se apegaram a ela como um modelo dissuasivo de intervenção arrogante e suas conseqüências perversas. Todo mundo sabe que a tentativa de eliminar os incêndios florestais, ao invés de extinguir o risco, apenas o deslocava, e até mesmo o acentuava, já que a acumulação de material inflamável transformava um regime pontuado por incêndios relativamente frequentes de escala moderada em um episodicamente devastado por enormes conflagrações que consumiam tudo.

Parameswaran explica que a ausência de incêndios leva ao acúmulo de combustível, à deriva ecológica em direção a espécies menos resistentes ao fogo, à redução na diversidade e ao aumento da conectividade. A floresta ‘protegida’ ou ‘estabilizada’ muda de natureza, de um sistema limpo, robusto, misto e retalhado para a uma massa cheia de combustível, frágil, cada vez mais mono-cultural e fortemente interconectada, equivalendo quase a um dispositivo explosivo. A estabilidade degrada a resiliência e prevenir a catástrofe-por-vir torna-se cada vez mais caro e incerto, mesmo na medida em que a importância da prevenção aumenta. No penúltimo estágio desse processo, o gerenciamento de crises criou um apocalipse iminente: um evento desastroso que simplesmente não pode ter permissão de acontecer (embora certamente vá acontecer).

Parameswaran chama essa seqüência apocalíptica de desenvolvimento de A Patologia da Estabilização em Sistemas Complexos Adaptativos. É ao que a Diretriz Primária inevitavelmente leva. Infelizmente, o diagnóstico não contém sinais de remédio. Cada passo na estrada torna a fuga mais improvável, à medida em que a escala de calamidade potencial aumenta. Poucos encontrarão muito conforto na percepção de que esse caminho era insano.

“Caixas-pretas” (ou gravadores de voo) recuperados de desastres aéreos são informativos a esse respeito. Com surpreendente regularidade, as últimas palavras do piloto, anunciadas a ninguém em particular, eloquentemente expressam um reconhecimento da realidade pouco atraente mas inconfundível: “Ah %$#&@!”. Menos comum – de fato, inédito – é qualquer abordagem honesta para com os passageiros: “Senhoras e senhores, este é o seu capitão falando. Estamos todos prestes a morrer”. Qual seria o ponto?

Tudo que pode ser realisticamente esperado de nossas elites políticas e financeiras dominantes pode ser previsto por uma analogia rigorosa. Este voo não termina em nenhum lugar bom, mas seria tolice aguardar um anúncio.

Desonerado de uma posição oficial na Catedral da Diretriz Primária, “Mickeyman” no World Complex está livre para resumir as coisas com honestidade brutal:

Temos vivenciado um longo período de gestão financeira, em que instituições financeiras falidas foram apoiadas por intervenções de emergência (aplicadas de maneira um tanto seletiva). Falências não foram permitidas. O resultado foi um tremendo acúmulo de papel pronto para queimar. Se os incêndios de inadimplência tivessem tido permissão para queimar livremente no passado, poderíamos ter instituições financeiras mais saudáveis. Em vez disso, encontramos nossos bancos carregados com todos os tipos de produtos de papel inflamáveis; seus porões estavam cheios de barris de pólvora negra. Trilhas de pó preto correm de um banco para outro, e está chovendo fósforos.

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Saudações de Ano Novo

Há muita ruína em um hospício global

2012 é um ano que chegou pré-marcado. Foi a última oportunidade de terminar o mundo no prazo. Até o final de dezembro, a janela para a profundidade apocalíptica tinha se fechado, e estávamos de volta aos riscos da catástrofe aleatória e sem sentido.

Talvez um consenso profético tivesse surgido no outono, mas na época a perspectiva estava nublada, na melhor das hipóteses. Navegar pelos sites mais excitáveis ​​da Web em 2012 não trazia nada de muito claro ao foco. Uma vez que a discussão avança além do sólido fundamento da longa contagem maia e da Quarta Era da Criação (que durou de 11 de agosto de 3114 A.C. até 21 de dezembro de 2012), as coisas se transformavam em caos com uma rapidez desconcertante.

Se a Terra está destinada a mergulhar em um buraco negro é uma questão de controvérsia (pelo menos limitada), mas o fato de que quase todas as espécies imagináveis ​​de possíveis calamidades ou transformações estavam sendo sugadas para o vórtice profético de 2012 era facilmente confirmado por qualquer um com um navegador web. Até mesmo o gênero básico permanece incerto, com expectativas variando descontroladamente de colisões celestiais, explosões solares e super-vulcões, a despertares espirituais, harmonizações cósmicas e incontáveis ​​variedades de realização messiânica. De acordo com os sóbrio videntes no 2012apocalypse.net: “Os maias, hopis, egípcios, cabalistas, essênios, anciões qero do Peru, navajos, cherokees, apaches, a confederação iroquesa, a tribo de Dogon e os aborígines acreditam em um fim para este Grande Ciclo Apocalíptico de 2012″. Eles perderam Madre Shipton, Nostradamus, Terence McKenna, Kalki Bagavan e Web Bot, mas de alguma forma o pessoal da Cracked permanece inconvicto.

Como um aparte, a melhor linha que o UF já viu entre os negadores (desculpe, não pude resistir a isso), é esse espécime deliciosamente autodestrutivo de Ian O’Neill: “Ninguém jamais previu o futuro, e isso não está prestes a mudar”.

Em uma paisagem cultural cada vez mais desagregada, não é fácil separar a história secular e a opinião sensata do festival orgiasticamente reunido do Fim dos Tempos, e – por incrível que pareça – o processo mundial não está fazendo muito para colaborar. Os posts ritualísticos de previsões-para-o-ano-seguinte em sites de política e economia são praticamente indistinguíveis das profecias de o-Armagedon-2012-está-aqui, embora o lado sano do prognóstico seja caracterizado por uma maior uniformidade de desolação implacável: colapso econômico abrangente, agravado por esclerose administrativa e acompanhado por um crescente conflito internacional / desintegração social, em meio aos gritos enfurecidos das civilizações fragmentadas (e um ‘Feliz Ano Novo’ para você também).

O goldbug Darryl Robert Schoon demonstra alguma restrição profissional, mas ele nem sequer tenta impedir que a crise financeira iminente se espalhe até imensidades cósmicas:

O final do calendário maia em 2012 é tão mal entendido quanto a interação entre crédito e dívida, e oferta e demanda; mas o colapso coincidente do paradigma econômico atual e um indicador misterioso de mudança não devem ser descartados. …A atual grande onda [de aumento de preços] começou em 1896. O fato que ela poderia chegar à crista e quebrar em 2012 poderia ser uma coincidência. Ou talvez não.

É provável que a ciência, a tecnologia, a cultura criativa e as empresas gerem algumas surpresas, mas o horror degenerativo da economia política keynesiana hegemônica do mundo – combinada com a crescente e irresponsável democracia neoconservadora – sincronizou-se sinistramente com as visões mais sombrias dos cultos de 2012. Um modo patentemente disfuncional de organização socioeconômica, baseado em dinheiro falso, idiocracia beligerante e golpes de pilhagem eleitorais, está se impondo agressivamente – com uma quase incompreensível ausência de auto-reflexão – sobre um mundo que já tem muitas patologias nativas com as quais lidar. A Nova Ordem Mundial resultante, inteiramente previsível, é um asilo lunático, e mesmo seus componentes mais funcionais (como Singapura e as RAEs chinesas de Hong Kong e Macau) estão ligados ao delírio coletivo. Quando o euro, o iene japonês e o dólar americano entrarem em colapso (provavelmente nessa ordem), o tsunami financeiro e geopolítico inundará a todos. Se isso não aconteceu em 2012, é porque a história não tinha nenhum senso de clímax narrativo que fosse.

No lado ‘positivo’ – para todos os que empurram com a barriga por aí – as palavras de Adam Smith que definiram 2011 continuam a ressoar. “Jovem, há muita ruína em uma nação” e ainda mais em um sistema global. Talvez a desintegração lenta do neofascismo da social-democracia keynesiana hegemônica rodopie para além do horizonte do calendário maia, o que realmente nos daria algo para esperar…

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Animação Suspensa (Parte 5)

Motores da Devastação

O pós-modernismo ainda parece legal para alguém? — Provavelmente não. Tendo vendido qualquer simulacro de alma que poderia ter tido para os instáveis deuses da moda, ele aprendeu mais sobre o reino de Cronos do que poderia ter esperado – as crianças são devoradas e se vai adiante para algo novo. O que foi aceito sem nenhuma boa razão é descartado sem nenhuma boa razão. Na ciência política, se chama democracia (mas isso é uma outra discussão).

Claramente, há algo profundamente justo sobre o desaparecimento do pós-modernismo na lata de lixo da diferença aleatória (o que está ‘in‘ tem que ser novo, de preferência sem significado). É até mesmo ‘poeticamente justo’, o que quer que isso signifique. Mas isso também destrói informação. Embora o pós-modernismo tenha certamente sido um modismo, ela também foi um zeitgeist, ou espírito dos tempos. Ele significou algo, apesar de seus melhores esforços, pelo menos enquanto sintoma. O desaparecimento da realidade que ele anunciava era, ele mesmo, real, assim como o era o domínio da simulação que a substituiu. Pelo menos em sua morte, ele pode ter importado em algo.

Considere seu maior mistagogo, Jacques Derrida, e seu outrora amplamente celebrado ‘conceito’ de differance (sim, em francês), um termo dentro de uma série de palavras mágicas que marcam as indecidíveis, incompreensíveis, inapresentáveis e, em última análise, inconcebíveis não-coisas ontológicas que suplantam os eventos reais, através de uma sucessão infinita de deslocamentos e adiamentos. Não podemos realmente dizer nada sobre isso, então temos que falar sobre ele interminavelmente, e departamentos universitários inteiros são necessários para se fazer isso. É ridículo (e então acabou). Mas é também, bastante exatamente, a cultura globalmente hegemônica do estagnacionismo macroeconômico programático keynesianizado, e isto ainda não acabou, embora sua morbidez já seja altamente conspícua. Ao contrário do pós-modernismo acadêmico passageiro, sua morte vai ser realmente interessante.

Muito antes que os derridóides tivessem começado, Keynes havia ensinado aos governos que a differance era algo que eles poderiam fazer. A procrastinação – a suspensão estratégica da realidade econômica através de uma série popularmente incompreensível de deslocamentos e adiamentos – rapidamente veio a definir a arte da política. Por que sofrer hoje o que pode ser adiado até amanhã, ou sofrer você mesmo algo que poderia ser o problema de outra pessoa? Adie! Desloque! No longo prazo estamos todos mortos. A realidade é para perdedores.

A differance como ela realmente funciona é muito mais crua do que sua reflexão na filosofia pós-moderna (e o que poderia ser filosoficamente mais cru do que um apelo à noção de ‘reflexão’?). Por exemplo, ela é pescada do abgrund ontológico e processada por mecanismos específicos de políticas públicas, sustentada por instituições concretas de maneiras que são, em uma medida considerável, economicamente mensuráveis, com limites geográficos e históricos elásticos, mas muito certamente finitos. Mais cru de tudo e derradeiramente decisivo é a circunscrição da desrealização pelo real e o retorno do apocalíptico, não mais enquanto avatar fantasmagórico da ‘metafísica da presença’ (ou falsa promessa de um evento real), mas enquanto evento real iminente, e um cujo processo de construção histórica é, em grande medida, inteligível. A differance real não ‘desconstruiu’ o apocalipse, ela o construiu. Não é nem mesmo tão difícil ver como.

No EconLog, David Henderson postou suas notas sobre a palestra de John H. Cochrane na conferência sobre ‘Restaurar o Crescimento Econômico Robusto na América’ da Hoover Institution da Universidade de Standford, em 3 de dezembro. Não há nenhuma menção à differance, mas não precisa haver.

Por quase 100 anos, tentamos parar as corridas aos bancos com garantias governamentais — depósito de segurança, um generoso emprestador de último recurso e resgates. Esse caminho leva a um enorme perigo moral. Dar a um banqueiro uma garantia de resgate é como dar a um adolescente as chaves do carro e uma garrafa de uísque. Então, apontamos reguladores que deveriam impedir os bancos de assumirem riscos, em uma corrida armamentística desesperada contra MBAs, advogados e lobistas espertos que tentam contornar a regulamentação e embora permitamos — não, encorajemos e subsidiemos — a expansão de ativos passíveis de corridas aos bancos.

No Dodd-Frank, os EUA simplesmente duplicou nossas apostas nesse regime. ….

Os resgates adiam um evento econômico doloroso (adiamento) ao passo que transferem a responsabilidade financeira (deslocamento). O risco é restaurado à virtualidade, enquanto o desastre é transformado de volta em uma ameaça, mas não é a mesma ameaça. Por qualquer método remotamente são de contabilidade, agora está pior. Uma deterioração virtual significante substitui um desconforto real. Esse é o custo da desrealização.

Como as coisas ficam piores, exatamente? — De muitas maneiras. Comece com o ‘perigo moral’, que é uma maneira educada de dizer ‘insanidade’. Ações são dissociadas de suas consequências, removendo o desincentivo à loucura. O resultado, de maneira absolutamente previsível, é mais loucura. Na verdade, qualquer coisa que sistematicamente aumente o perigo moral simplesmente está fabricando loucura. É jogar LSD no reservatório de água, embora provavelmente pior. Então os resgates nos deixam insanos e destroem a civilização (ninguém realmente contesta isso, embora possam tentar evitar o tópico).

Ah, mas tem mais! — Muito mais, porque todos esses deslocamentos não apenas movimentam as coisas de lugar, eles as movem para cima. O risco é centralizado, concentrado, sistematizado, politicado – e isso no (inteiramente irrealista) melhor caso, quando ele não é também expandido e degradado pela corrupção e pela ineficiência de instituições públicas com incentivos fracos ou cínicos. Essa é a economia da cascata – na verdade, uma enchente – para cima, na qual tudo de ruim que jamais acontece com qualquer um é despojado de qualquer sanidade residual (ou estimativa realista de consequências), agrupado, recodificado, complicado por regulamentações compensatórias e deslocado para altitudes cada vez mais etéreas de irresponsabilidade democrática populista, onde a única coisa que importa é o que as pessoas querem ouvir e que realmente jamais vai ser verdade.

“Faça bastante besteira e você provavelmente sofre ou morre” – essa é a verdade. É uma mensagem que não se traduz na linguagem da política keynesiana de empurrar com a barriga, que é o pós-modernismo popular. O mais próximo que chegamos, conforme as mandíbulas começam a se fechar sobre a a corrente do chapéu de resgate, é “Vamos precisar de um barco maior”. Depois de inúmeros episódios disso, estamos todos amontados no Titanic, e as coisas estão mais ou menos parecendo OK. Pelo menos a banda ainda está tocando…

Quando abstraído de sua esquálida psicose, o padrão é matematicamente bastante preciso. É chamado de sistema de gamarra, melhor conhecido dos americanos como ‘o dobro ou nada’ (e para os britânicos como ‘o dobro ou sai’). Cochrane já tocou nele (“os EUA simplesmente duplicou nossas apostas”). Aposte no vermelho, e vem preto. Sem problema, simplesmente duplique a aposta e repita. Você não pode perder. (Se você gosta desta lógica, Paul Krugman tem uma recuperação econômica para lhe vender.)

O que aparece como desastre adiado é, na realidade virtual, um desastre expandido. A entrada da Wikipédia sobre o sistema de gamarra prestativamente o conecta à Distribuição de Taleb, também conhecida como catar moedas na frente de um rolo compressor. A persistência de pequenos ganhos faz esse modelo de negócio parecer uma coisa certa — até que não.

Nassim Nicholas Taleb e Mark Blyth expandem sobre essa ideia no Foreign Affairs, com aplicação a vários aspectos da atual (ou iminente) crise. Perguntando por quê “a surpresa [é] a condição permanente da elite política e econômica dos E.U.A.”, eles traçam o problema à “supressão artificial da volatilidade — os altos e baixos da vida — em nome da estabilidade”.

Sistema complexos que suprimiram artificialmente a volatilidade tendem a se tornar extremamente frágeis, ao mesmo tempo em que não exibem nenhum risco visível. Na verdade, eles tendem a ser calmos demais e a exibirem uma variabilidade mínima, enquanto os riscos se acumulam sob a superfície. Embora a intenção declarada dos líderes políticos e dos formuladores de políticas econômicas seja estabilizar o sistema, inibindo flutuações, o resultado tende a ser o oposto. Esses sistemas artificialmente restritos se tornam propensos a “Cisnes Negros” – isto é, eles se tornam extremamente vulneráveis a eventos de larga escala que estão longe da norma estatística e que são, em grande parte, imprevisíveis para um dado conjunto de observadores.

Discutindo este artigo no PJMedia, Richard Fernandez comenta e afia sua conclusão:

Parte do problema é a consequência do próprio amortecimento [das elites]. Ao tentar administrar centralmente os sistemas de acordo com algum esquema pré-determinado, elas na verdade armazenam volatilidade em vez de dispersá-la. Ao empurrar com a barriga, elas eventualmente se condenam a dar de cara com uma pilha enorme de coisas quando a barriga acaba. …Mas as elites não podem admitir surpresas; tampouco elas podem admitir que coisas ruins comecem sob sua guarda. Portanto, elas continuam varrendo coisas para debaixo do tapete até que, como em alguns filmes de horror, elas geram um zumbi. Para tornar os sistemas robustos, diz Taleb, você tem que admitir que você pode cometer erros e pagar o preço. Você vai ter que pagar no fim das contas de qualquer jeito.

Não estamos no pós-modernismo mais, Totó. Estamos mais próximos disso:

O movimento ondulatório que afeta o sistema econômico, a recorrência de períodos de explosão que são seguidos por períodos de depressão, é o resultado inevitável das tentativas, repetidas de novo e de novo, de se abaixar a taxa bruta de juros do mercado por meio de expansão de crédito. Não há meio de se evitar o colapso final de uma explosão provocada por uma expensão de crédito. A alternativa é apenas se a crise deveria vir mais cedo, como resultado de um abandono voluntário de mais expansão de crédito, ou mais tarde, como uma catástrofe final e total do sistema monetário envolvido. (Ludwig von Mises, Human Action)

Ou mesmo disso:

Grande é a Falência; o grande insondável golfo no qual todas as Falsidades, públicas e privadas, de fato afundam, desaparecendo; à qual, desde a primeira origem delas, elas estavam todas fadadas. Pois a Natureza é verdadeira e não uma mentira. Nenhuma mentira você pode falar ou agir que não virá, depois uma circulação maior ou menor, como uma Fatura extraída da Realidade da Natureza, e que não será lá apresentada para pagamento, –com a resposta, Sem efeitos. Pena apenas que frequentemente tenha uma circulação tão longa: que o forjador original fosse tão raramente aquele que suportasse a dor final dela! Mentiras, e o fardo do mal que elas trazem, são passadas adiante; transferidas de costas a costas e de classe para classe; e, assim, aterrizam, finalmente, na mais burra baixa classe, que com pá e enxada, com coração ferido e carteira vazia, diariamente entram em contato com a realidade e não podem mais passar o engodo adiante.

Observe, não obstante, como, por uma justa lei compensadora, se a mentira com seu fardo (nesse confuso redemoinho da Sociedade) afunda e é transmitida cada vez mais para baixo, então, em troca, a angústia dela se eleva cada vez mais. Através da qual, depois do longo anseio e semi-inanição daqueles Vinte Milhões, um Duque de Coigny e sua Majestade viessem também a ter sua ‘desavença real’. Tal é a lei da justa Natureza; trazendo, embora em longos intervalos, e fosse apenas pela Falência, as questões de volta novamente à marca.

Mas com uma Bolsa de Fortunato em seu bolso, através de qual período de tempo quase toda Falsidade não poderia durar! Sua Sociedade, seu Lar, Arranjo prático ou espiritual, é inverdadeiro, injusto, ofensivo ao olho de Deus e do homem. Não obstante, sua lareira está cálida, sua despensa bem reabastecida: os inúmeros Suíços do Céu, com um tipo de lealdade Natural, se reúnem ao seu redor; provarão, por panfletagem, mosquetaria, que é uma verdade; ou, se não uma Verdade sem mistura (sobrenatural, impossível), então melhor, uma saudavelmente temperada (como o vento é para o cordeiro tosquiado), e funciona bem. Perspectiva alterada, contudo, quando bolsa e despensa ficam vazias! Se seu Arranjo era tão verdadeiro, tão de acordo com as maneiras da Natureza, então como, em nome do milagre, a Natureza, com sua recompensa infinita, veio a deixá-lo faminto aqui? Para todos os homens, para todas as mulheres e todas as crianças, agora é indubitável que o seu Arranjo era falso. Honra à Falência; sempre direita na grande escala, embora no detalhe seja tão cruel! Sob todas as Falsidades ela trabalha, incansavelmente minerando. Nenhuma Falsidade, mesmo que ela se elevasse ao céu e cobrisse o mundo, ainda assim a Falência, um dia, a varrerá para baixo e nos livrará dela. (Thomas Carlyle, via Mencius Moldbug, mas citado em todo lugar recentemente)

Lá vem ela.

Original.

Animação Suspensa (Parte 3)

A mão morta do estado

Eu queria estar dizendo que vai acontecer logo… esta é a crise de maior duração, na qual as pessoas tem dado datas falsas, pessoas aparecendo para cúpulas dizendo que tem que ser resolvido, nada acontece e as pessoas vão embora e o céu não cai… mais cedo ou mais tarde o céu vai cair, eu só não sou inteligente o suficiente para saber quando vai ser.
— Anthony Fry, Presidente no Reino Unido do Espírito Santo Investment Bank (para a CNBC)

A Europa adotará a solução americana. O BCE não permitirá que grandes bancos venham a falir. Ele inflará para comprar os ativos ruins, ou então comprará os títulos dos governos, para que eles consigam fazer pagamentos. Então os banqueiros colocarão esse dinheiro em reservas excedentárias. Novos empréstimos para empresas cessarão. O Ocidente entrará em uma recessão permanente ou estase sem crescimento. Os governos absorverão uma percentagem cada vez maior do capital da região: vendas de títulos. As firmas privadas não serão capazes de emprestar a taxas baixas. O desenvolvimento do capital se enrugará.
— Gary North (aqui)

O novo milênio está nos ensinando vastamente mais sobre zumbis do que qualquer um poderia ter antecipado. Há muito se foram os vampiros viris e predatórios que outrora populavam as estórias de horror sobre o capitalismo, sugando a essência vital do proletariado em fortalezas góticas de ‘trabalho morto’. Em vez disso, destroços destruídos por vermes trituram por aí, sem meta, enquanto aumentam seus números em circuitos canibais obscuros que desafiam a compreensão racional e que são, em todo caso, horríveis demais para se contemplar fixamente. Demônios se degeneraram em canibais, que não caçam e se alimentam para se fortalecer, mas apenas prosseguem prolongando sua decrepitude putrescente.

Um artigo de 2002 no Guardian sobre a “economia zumbi do Japão” prefigura uma série de revelações posteriores e mais gerais. Em particular, ele identifica o apocalipse zumbi que se espalha com o colapso em câmera lenta do keynesianismo, conforme as políticas monetárias e fiscais ‘estimulantes’ (taxas de juros zero combinadas com um gastos deficitários governamentais massivos) perdem seus poderes mágicos de revitalização e, em vez disso, meramente perpetuam um estado interminável de morte-viva. Hiper-estímulos são necessários apenas para se manter na assistolia.

Claro, sendo o Guardian, a solução é óbvia: “o que a economia precisa agora é uma boa dose de inflação”. Para keynesianos mortos-vivos, não há mal-estar profundo demais que uma revigorante onda de destruição monetária não resolva. É aqui que o metabolismo zumbi realmente fica interessante. No fim da década, a América tinha ela mesmo se tornado totalmente zumbi e começou a perceber que isso não era apenas alguma coisa japonesa estranha que ela não entendia, mas um fenômeno completamente mais geral e radicalmente misterioso. O Federal Reserve de Ben Bernanke empurrou as taxas de juros dos EUA para o chão (ZIRP) e começou a monetizar incontinentemente a dívida pública (QE) enquanto nacionalizava a dívida privada (TARP), usando todo instrumento político disponível para direcionar a economia em uma direção inflacionária, em velocidade máxima. Nada demais aconteceu. Zumbis não ficam com febre.

Neste ponto, as questões vêm em inundação. Por exemplo: por que alguém ainda está comprando títulos dos governos japonês ou americano? Não é óbvio que esse papel não representa nada além de uma fatia de dívidas irresgatáveis, que promete um retorno insultante, ‘garantido’ por uma entidade estruturalmente insolvente e associado com políticas mais ou menos explicitamente orientadas à destruição deliberada da moeda? O que a pessoas estão pensando? Para responder isso, é necessário se aventurar um pouco mais fundo no mundo zumbi.

A ideia do dólar americano (ou do iene japonês) como ‘porto seguro’ poderia soar como uma piada, e você provavelmente já a ouviu antes:

Joe Dollar e Jacques Euro estão acampando no mato, quando de repente ouvem o fungar aterrorizante de uma carnívoro faminto se aproximando. Joe apressadamente começa a amarrar seus tênis de corrida. “O que você está fazendo?” pergunta Jacques. “Você não consegue ser mais rápido que um mercado-urso.”

“Eu não preciso ser mais rápido que o mercado”, Joe responde. “Eu só preciso ser mais rápido que você.”

No Asia Times Online, Martin Hutchinson vislumbra um fim de jogo para a crise financeira que “elimin[e] os mercados de dívida governamental que formaram a peça central dos últimos três séculos”, devolvendo o mundo ao dinheiro baseado no mercado e ao regime de bancos livre de 1693, antes da criação do Banco da Inglaterra. Paradoxalmente, contudo, o prospecto de colapso eleva a potência financeira do estado a um nível sem precedentes, conforme a ‘segurança’ que ele promete se desconecta das questões de competência econômica e se reverte a algo bem mais atávico e hobbesiano. Uma vez que tudo começa a se afivelar, a credibilidade se vincula ao maior, mais malvado e mais implacável fornecedor de ‘proteção’ ao estilo da máfia. A política do poder relativista (de soma zero ou negativa) toma o centro do palco.

Um relatório financeiro pedestre, mas informativo, da Bloomberg estabelece claramente:

Jim Chanos, fundador do hedge fund Kynikos Associates Ltd., disse que, embora as chances de uma recessão possam estar aumentando, a economia dos EUA é “a melhor casa em uma vizinhança ruim”

O dólar americano poderia não ser nada mais do que o “cavalo mais bonito na fábrica de cola”, mas, uma vez que a lógica financeira do apocalipse zumbi assume o controle, as implicações podem ser de longo alcance, a Bloomberg continua:

Os tesouros de dez anos apagaram as perdas depois que os EUA vendeu US$29 bilhões en títulos de sete anos a um rendimento em baixa recorde de 1.415 por cento, somando US$99 bilhões em vendas de notas nesta semana. Os rendimentos de dez anos caíram quatro pontos-base, para 1.88 por cento, depois de subir até quatro pontos mais cedo. A taxa está em alta depois de uma baixa recorde de 1.67 em 23 de setembro.

Os tesouros dos EUA que maturam entre sete e 10 anos devolveram 14 por cento este ano, superando um retorno de 9.3 por cento para o mercado de tesouros mais amplo, de acordo com os índices Merrill Lynch do Bank of America, dados de ontem [23 de novembro].

Vale a pena tirar um momento para digerir esses números. Ninguém espera que a inflação média dos EUA ao longo dos próximos sete anos fique abaixo de 1.415% a.a., ou abaixo de 1.88% ao longo dos próximo dez, então o rendimento é pura extorsão. Ainda assim, esse ataque flagrante ao cólon inferior dos poupadores foi compatível com um retorno de 14% (!) em um ano – eles estão implorando por isso. Sério, quem se importa se Bernanke está acendendo um gordo charuto cubano com uma nota alta tirada direto do seu bolso? Isso só faz ele parecer mais foda e é por isso que eles estão pagando. O ouro parece bom em teoria, mas ele não vem junto com sua própria organização gangster, então se agarrar a ele em meio ao interlúdio zumbi pode ser difícil. É bem mais seguro, de longe, investir no estado alfa.

Uma vez que essa zumbinomia hobbesiana é política e relativista, existem estados epsilon no outro lado da troca, assim como um estado beta preso no meio. A Europa não é sequer um estado, claro, que é como a (interminável) fase final da zumbinomia começou. Antes dela mudar, contudo, o ato de conjuração da UE parecia estar indo muito bem. Cada estado membro da zona do Euro emitindo dívida do governo na moeda comum pagava rendimentos que estavam amplamente harmonizados, como se a Europa fosse um entidade financeiramente soberana, estando unida por trás de seus papéis. A percepção de que a soberania econômica permanecia nacional, mesmo depois da alienação da soberana monetária ao Banco Central Europeu, veio meio como um choque, e os diferenciais das obrigações se escancararam de acordo.

A alucinação da ‘Europa’ como um estado alfa unido e honorário rapidamente se degenerou na realidade, recodificando os títulos do governo como títulos de ações no apocalipse zumbi. Repentinamente, os títulos gregos pararam de ter muito a ver com o BCE e começaram a resmungar promessas em grego – em última análise, que o estado grego faria o que fosse necessário para assegurar a redenção, ao mesmo tempo em que mobilizaria seus poderes olímpicos para manter a disciplina social, se necessário. Uma luta pelas saídas imediatamente se seguiu. Idem, com variações de velocidade e intensidade, para todos os epsilons (= PIIGS).

Para onde fugir? Esta é a questão zumbinômica par excellance (procurando o cavalo mais bonito na fábrica de cola). Primeira escolha, para os leitores mais afiados de Hobbes, era ir direto ao Mr. Big, também conhecido como Benny, o Ianque, esperar educadamente enquanto ele terminasse de fumar um nuke fumegante e então implorar por proteção (eis seu salto de 14% em um ano no valor do título de 10 anos do Tesouro dos EUA, bem aqui). A segunda escolha — mais atraente para os tipos antiquados que pensavam que a economia ainda contava de algo – era procurar por uma responsabilidade financeira comparativa mais perto de casa.

De maneira breve, esta rota levava à qualidade genuína, mas a zumbinomia rapidamente retomou seu controle:

A Suíça provocou temores de uma nova guerra cambial na terça-feira [6 de setembro] depois que atrelou o franco suíço ao euro na tentativa de proteger sua economia da crise da dívida europeia.

O Banco Nacional Suíço, com efeito, desvalorizou o franco, comprometendo-se a comprar “quantidades ilimitadas” de moedas estrangeiras para forçar seu valor para baixo. O BNS avisou que não permitiria mais que um franco suíço valesse mais do que €0.83 – equivalente a SFr1.20 por euro – tendo assistido as duas moedas se aproximarem de uma paridade, conforme a Suíça se tornou um “porto seguro” contras as devastações da crise na zona do euro.

…o que nos traz à Alemanha e ao último capítulo na saga zumbi – cômica ou trágica, provavelmente ambos, irônica ao ponto do absurdo em todo caso. Arruinada, encolhida, dividida e traumatizada pela culpa, a Alemanha do pós-guerra buscou sobretudo enterrar suas aspirações nacionalistas na Europa. O que se tornou a UE foi para a Alemanha – como a Argélia foi para os legionários estrangeiros da França – um lugar no qual esquecer. Agora o ‘mercado’ de títulos, em sua busca cada vez mais desesperada por um um estado grande, durão e disciplinador (um beta global seria suficiente), está determinado a desenterrar o Leviatã Teutônico de sua cova.

Com lembranças gêmeas da hiper-inflação de Weimar e da hiper-afirmação estatista ainda vívidas, a Alemanha está teimosamente resistindo à opção zumbi-total de devassidão financeira (monetária e fiscal) contra-balanceada por uma política de segurança hobbesiana. Esta relutância em se atirar no espírito da era, naturalmente o bastante, a expôs a uma vilificação internacional implacável, e a pressão só vai aumentar. Tudo isso poderia ficar desagradavelmente interessante.

Original.