Soberania na Internet

Um declaração de importância geoestratégica imensa é notada pelo Wall Street Journal:

Na extensão de uma página na segunda-feira, o jornal porta-voz do Partido Comunista traçou a posição da China sobre como se deveria lidar com a Internet e sua infraestrutura em todo o globo.

A página apresentava entrevistas com cinco experts chineses, incluindo o chamado "pai" do Grande Firewall da China, Fan Binxing. O resultado: Eles acreditam que cada país deveria ter poder definitivo de determinar qual tráfego da Internet flui para dentro e para fora de seu território. É um conceito que a China denominou como "soberania na Internet" e, embora as opiniões de cada expert no artigo variasse, a mensagem central é que cada nação deveria ter o direito de governar a Internet como lhe aprouver.

A única previsão absolutamente segura nesse ponto: Vai ser complicado.

ADICIONADO: Certamente relacionado —

Concebida pelo Pentágono a fim de manter linhas de comunicação abertas depois de um ataque atômico, a Internet se tornou uma ameaça. A humanidade mais uma vez foi mais esperta que si mesma. Agora precisamos de confiança em nossa capacidade de encontrar uma maneira de neutralizar o inimigo.

(Boa sorte com isso.)

ADICIONADO: The Diplomat estranhamente minimiza o caráter defensivo da iniciativa.


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Viés Verbal

É muito fácil pros tipos limitados às palavras se esquecerem do que a Internet é feita:

Impressões de fotos chegaram ao seu pico em (digamos) 80bi ou algo assim em 1999.
Compartilhamentos anualizados no FB + WhatsApp + IG + SC = mais de meio trilhão anualizados.
Filmes já foram um quarto da demanda por prata do mundo.

É o mesmo argumento que aparece em uma pesquisa recente de Nellie Bowles sobre o ‘momento‘ da tecnologia em LA:

"Os americanos assistem 5.3 horas de televisão por dia, e eles leem menos de meia hora", o VC Mark Suster me contou mais tarde. "Quer você goste ou não, você não vai mudar os padrões de consumo das pessoas de modo dramático. Se você aceitar essa premissa, então você tem que aceitar que Internet vai se tornar uma grande plataforma de vídeo, e LA vai ganhar."


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Observe esse espaço

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Hacked Matter sobre a próxima onda de eletrônicos shanzhai:

O Ciberespaço, tanto como palavra quanto como visão, entrou no léxico popular através do romance cyberpunk Neuromancer de William Gibson em 1984. Mas, como se vê, Gibson não estava interessado na Internet até que começou a comprar relógios no Ebay. Em um artigo de 1999 na Wired, ele detalha seu vício compulsivo em fazer ofertas por relógios mecânicos antigos — o que Gibson chama de "finos fósseis de uma era pré-digital". Mal sabia Gibson que, trinta anos depois de Neuromancer, relógios e o ciberespaço se fundiriam — não apenas porque agora é comum comprar relógios online, mas também graças aos "smart watches" que devem se tornar o mais recente portal para o ciberespaço.


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Mente de Twitter (+1)

Dead Twitter

Pesquisar "o Twitter está morto" no Google gera quase dois bilhões de resultados, o que não é uma indicação óbvia de vitalidade. Adrienne LaFrance e Robinson Meyer, escrevendo no The Atlantic, sobrecarregaram o meme com seu ‘encômio’ para a plataforma, que a descrevia como "tendo entrado em seu crepúsculo" conforme as tensões em seu "inerente (e explícito) mercado de atenção" foram expostas.

Desde o princípio, havia alguns preceitos úteis em que aqueles de nós que se obcecavam com a plataforma tinham que acreditar. Primeiro, você tinha que acreditar que alguma outra pessoa lá fora estava prestando atenção, ou melhor, que uma porção significativa – não só 1 ou 2% – dos seus seguidores poderiam ver seu tweet. Segundo, você tinha que acreditar que fazer tweets habilidosos e convincentes aumentaria seu número de seguidores. Terceiro, você tinha que acreditar que havia uma audiência útil que você não podia ver, para além da sua linha do tempo – um grupo que você poderia querer seguir um dia.

LaFrance e Meyer não chegam à acusação de ‘Ponzi’, ela está implícita. Ao prometer um crescimento explosivo e distribuído de audiência, o Twitter encoraja reivindicações impossíveis sobre um reservatório global de atenção já sob pressão, como se todo mundo fosse capaz de abocanhar pedaços cada vez maiores do tempo das outras pessoas. A atenção sofre uma desvalorização inflacionária, e uma subsequente implosão, conforme a bolha colapsa em um pântano de desilusão, em meio a uma enchente de "spam … pontuações de popularidade artificialmente infladas" e robôs falsos para acariciar os egos.

Há um argumento positivo a favor do Twitter que contorna esse diagnóstico, mas um engajamento mais revelador o abraçaria. O pressão sobre a atenção dramatizada pelo Twitter é a maneira específica em que nosso ‘choque de futuro‘, há muito esperado, finalmente chega, impelindo sistemas humanos legados – biológicos, psicológicos e sociais – até seus limites de velocidade. A "Sobrecarga de Informação" é formatada para a Linha do Tempo do Twitter, como densidade de mensagens ou um fluxo de estilhaços. Se há confusão sobre o que o Twitter é em última análise, isso se deve pelo menos em parte às correntes que correm por ele surgirem em outro lugar – a magnitude é a mensagem.

Splinter Twitter

O que quer que tenhamos pensado que seria a aparência do choque do futuro, graças ao Twitter estamos sendo informados. É uma crise do tempo, personalizada como uma inundação parcialmente navegável. Para além de todas as questões fáceis de utilidade para o consumidor, o que está sendo encontrado é algo histórico, planetário – até mesmo cósmico – e está esperando para nos submergir, o que quer que façamos. Simplesmente, há coisas demais entrando. Independente da maneira em que vamos nos ‘ajustar’ a isso, a hora de começar é agora.

Twitter Evo

(As primeiras observações do UF sobre a Mente do Twitter estão aqui.)


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BTC em Órbita

A intensidade teconômica deste desenvolvimento poderia ser maior? (Talvez se os satélites estivessem sendo fabricados por companhias shanzhai com impressoras 3D.)

Criptomoedas e o New Space tinha que convergir em algum momento. A questão imediata, de uma perspectiva teórica, é se os dois campos emergentes do comércio descentralizado na Internet e do industrialismo exoplanetário se provarão mutuamente catalíticos. Quando duas linhas de escapada social previamente distintas se interceptam dessa forma, é especialmente difícil prever o que dali sairá.

Do link do WSJ:

A coisa toda, eles estimam, custará algo entre 2 e 5 milhões de dólares, o que soa absurdamente baixo para um sistema de satélites (eles planejam levantar os fundos através de uma campanha no Kickstarter). Contudo, esses nanossatélites, chamados de "cubesats", são realmente muito pequenos – dez centímetros – e são colocados em órbita pegando carona em outros lançamentos, o que reduz grandemente a despesa. Dependendo de quanto financiamento eles consigam, eles planejam colocar até oito satélites em órbita.

Este não é um esforço para construir uma plataforma de bitcoin que possa sobreviver a alguma catástrofe que destrua a Internet, disse o Sr. Garzik, o engenheiro de software sênior da BitPay e chefe da Dunvegan. "Se você tiver uma pertubação em toda a Internet, então não podemos lhe ajudar", ele contou à BitBeat. O sistema de satélites seria conectado à rede existente do bitcoin. Contudo, ele estaria protegido de tal maneira que, caso houvesse um ataque localizado na rede, os satélites poderiam operar como um sistema de reserva, que poderia continuar transmitindo atualizações para o blockchain. O outro uso, ele disse, seria fornecer acesso à rede do bitcoin para pessoas em lugares em que há conexões irregulares de Internet, mas conexões mais fortes de telefonia móvel, como a África, ele disse.


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Filosofia em Gráfico

Como a filosofia se conecta? Simon Raper, no Drunks & Lampposts transforma essa questão em um problema prático de visualização. Quando reduzida a um gráfico, ela se parece com isso:

Philosophy Graph

(Clique para aumentar.)

Ao exibir a ‘história da filosofia’ como um conjunto de conexões simultâneas, ele faz um ponto sobre referência temporal que demandaria muitas palavras para se igualar.

Seria altamente intrigante ver este livro receber o mesmo tratamento.


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Conectividade

Duas garotas incomuns testam os limites da identidade

Na vanguarda da tecnologia da informação – e em meio aos comentários ‘transhumanistas’ que ela estimula – a ideia de auto-identidade está sofrendo um interrogatório implacável. As culturas influenciadas de maneira substancial pelas tradições religiosas abraâmicas, nas quais a integridade resiliente e a individualidade fundamental da ‘alma’ são fortemente enfatizadas, estão especialmente vulneráveis ao prospecto de uma revisão conceitual radical e desconcertante.

A informatização das ciências naturais – incluindo as neurociências – garante que a investigação do cérebro humano e a inovação de sistemas de inteligência artificial avancem em paralelo, ao mesmo tempo em que reticulam e reforçam mutualmente uma à outra. Cada vez mais, o entendimento do cérebro e de sua emulação digital tende a se fundir em um único programa de pesquisa complexo. Conforme este programa emerge, metafísica arcaica e doutrinas espirituais se tornam problemas de engenharia. A identidade individual se parece cada vez menos com uma propriedade básica e mais com uma realização precária – ou desafio – determinada por processos de auto-referência e por um isolamento comunicativo relativo. (Casos de ‘cérebro dividido’ ilustraram de maneira vívida a instabilidade e a artificialidade do indivíduo auto-identificador.)

Uma programa de IA – ou um cérebro – que fosse acoplado de maneira estreita à Internet através de conexões de banda larga ainda se consideraria estritamente individuado? Ciborgues – ou uploads mentais – dissolvem suas almas? Um robô em rede poderia dizer ‘eu’ e falar sério? Uma vez que tais questões estão se tornando cada vez mais proeminentes e práticas, não é surpreendente que um artigo do New York Times de Susan Dominus, devotado às gêmeas siamesas craniopagus Krista e Tatiana Hogan, tenha gerado uma quantidade incomum de excitação e links na Internet.

As gêmeas não são apenas fundidas pela cabeça (craniopagus), seus cérebros são conectados por uma ‘ponte neural’ que permite que sinais passem de um ao outro. O neurocirurgião Douglas Cochrane propõe “que os estímulos visuais entram através das retinas de uma garota, alcançam o seu tálamo e então tomam dois cursos diferentes, como a eletricidade que viaja ao longo de um fio que se divide em dois. Na garota que está olhando para o estrobo ou para um bicho de pelúcia em seu berço, o estímulo visual continua em seu caminho usual, um dos quais acaba no córtex visual. No caso da outra garota, o estímulo visual alcançaria seu tálamo através da ponte talâmica e então viajaria até os seus próprios circuitos neurais visuais, acabando nos sofisticados centros de processamento de seu próprio córtex visual. Agora ela viu, provavelmente milissegundos depois de sua irmã.”

Os cérebros das gêmeas, ou um cérebro-gêmeo? O caso Hogan é tão extraordinário que uma ambiguidade irredutível surge:

Os cérebros das garotas são formadas de maneira tão incomum que os médicos não conseguiram prever como seria o seu desenvolvimento: cada garota tem um corpus callosum incomumente pequeno, a banda neural que permite que os dois hemisférios cerebrais se comuniquem, e, em cada garota, os dois hemisférios cerebrais também diferem em tamanho, com o hemisfério esquerdo de Tatiana e o direito de Krista sendo significante menores do que é típico. “A assimetria levanta questões intrigantes sobre se um consegue compensar o outro por causa da ponte cerebral”, disse Partha Mitra, um neurocientista no Cold Spring Harbor Laboratory, que estuda arquitetura cerebral. A cognição das garotas pode tem estar enfrentando desafios específicos que ninguém mais experimentou: algum tipo de conversa cruzada confusa que exigiria energia adicional para filtrar e processar. Além de separar as experiências sensoriais comuns do mundo, os cérebros das garotas, acreditam seus médicos, foram forçados a se adaptar a sensações que se originam nos órgãos e nas partes do corpo de uma outra pessoa. …Krista gosta de ketchup, e Tatiana não, algo que a família descobriu quando Tatiana tentou raspar o condimento de sua própria língua, mesmo quando não o estava comendo.

Conforme elas lutam para fazer sentido de seu limites, as gêmeas são avatares de uma confusão iminente e universal:

Embora cada garota frequentemente usasse “eu” quando falava, eu nunca ouvi nenhuma dizer “nós”, apesar de toda sua colaboração. Era como se mesmo elas parecessem confusas sobre como pensar sobre si mesmas, com a linguagem correta talvez as eludindo neste estágio de desenvolvimento, sob essas circunstâncias incomuns – ou talvez sem sequer existir. “É como se elas fossem uma e duas pessoas ao mesmo tempo”, disse Feinberg, o professor de psiquiatria e neurologia no Albert Einstein College of Medicine. Que pronome captura isso?

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