A Singularidade de Esquerda

O inverno está chegando

Os esquerdistas não são perturbados pelo medo de que as massas possam se revoltar contra a esquerda, mas sim cada esquerdista teme que ele possa falhar em acompanhar a linha que sempre muda, se encontre alguns anos, ou semanas, ou dias atrás do atual politicamente correto sempre em mudança e se descubra considerado um direitista. // O que historicamente só para em derramamento de sangue. Não há nenhuma singularidade de direita equivalente, já que regimes repressivos de direita proíbem o interesse na política, ao passo em que os regimes repressivos de esquerda ordenam o interesse na política. // A singularidade de esquerda é a mesma toda vez em sua aproximação ao esquerdismo infinito, mas difere de maneira caótica e surpreendente toda vez ao acabar aquém do esquerdismo infinito — James A. Donald

Aquilo com o que mais nos preocupamos é que veremos um ciclo vicioso se desenvolver: uma governança ruim prejudica a economia, o que radicaliza e polariza a opinião pública, o que leva a uma governança pior e resultados econômicos piores… e assim por diante linha abaixo.Walter Russell Mead

A política do século XXI não vê nenhuma necessidade da verdade. Quando o governo se acredita responsável pela economia e convence as pessoas disso, ele tem que se colocar em uma caixa. …Quando uma recessão ocorre …ela faz com o governo busque política que reforçam suas mentiras. São essa política que criaram a atual crise econômica em primeiro lugar. –’Monty Pelerin‘ (via Zero Hedge)

O Iluminismo Sombrio começa com o reconhecimento de que a realidade é impopular, de modo que o curso ‘natural’ do desenvolvimento político, sob condições democráticas, é confiavelmente embasado na promessa de uma alternativa. Favorecer a fantasia é a única plataforma que oferece apoio eleitoral. Quando os sonhos ficam ruins, é politicamente óbvio que eles não foram mantidos com firmeza ou sinceridade suficientes, seu radicalismo foi insuficiente, e uma solução mais abrangente é imperativa. Uma vez que uma sabotagem direitista, seja ela deliberada ou meramente inercial, claramente é a culpada, as surras continuarão até que o moral melhore.

Esta síndrome, essencialmente indistinguível da modernidade política, exige uma teoria cibernética da deterioração social acelerante, ou repressão econômica auto-reforçadora. A tendência da qual o iluminismo sombrio recua exige uma explicação, que é encontrada no diagrama da Singularidade de Esquerda.

Uma singularidade, de qualquer tipo, é o limite de um processo dominado por um feedback positivo e, assim, levado a um extremo. Em sua expressão matemática pura, a tendência não é meramente exponencial, mas parabólica, fechando-se assintoticamente sobre o infinito em tempo finito. A ‘lógica da histórica’ converge sobre um limite absoluto, além do qual um prolongamento adicional é estritamente impossível. Desta barreira derradeira e impassável, o iluminismo sombrio regride na história política, profeticamente inflamado por sua certeza do fim. A menos que a democracia se desintegre antes da parede, ela vai dar de cara com a parede.

“Uma repressão maior traz um esquerdismo maior, um esquerdismo maior traz uma repressão maior, em um círculo cada vez mais cerrado que gira cada vez mais rápido. Esta é a singularidade de esquerda”, escreve Donald. A principal hipótese sombria é evidente: no declive da esquerda, a falha não é auto-corretiva, mas sim o oposto. A disfunção se aprofunda através do circuito do desapontamento:

Conforme a sociedade se move cada vez mais para a esquerda, cada vez mais rápido, os esquerdistas ficam cada vez mais descontentes com o resultado, mas, claro, a única cura para o seu descontentamento que é permissível pensar é um movimento ainda mais rápido, ainda mais à esquerda.

É necessário, então, aceitar a inversão esquerdista de Clausewitz e a proposição de que a política é a guerra por outros meios, precisamente porque ela retém a tendência ao extremo clausewitziana (que a torna ‘propensa a escalada‘). Esta é a razão pela qual a história política moderna tem uma forma característica, que combina uma duração de ‘progresso’ escalonante com uma interrupção terminal e semi-pontual, ou catástrofe – uma restauração ou ‘reinicialização’. Como mofo em uma placa de Petri, organizações políticas progressistas ‘se desenvolvem’ explosivamente até que todos os recursos disponíveis tenham sido consumidos, mas, ao contrário de colônias de lodo, elas exibem um dinamismo que ainda mais exagerado (do exponencial para o hiperbólico) pelo fato de que o esgotamento de recursos acelera a tendência de desenvolvimento.

A decadência econômica erode o potencial produtivo e aumenta a dependência, atando populações de maneira cada vez mais desesperada à promessa de uma solução política. O declive progressista fica mais íngreme na direção do precipício de uma radicalidade suprema, ou total absorção no estado… e, em algum lugar fracionalmente antes disso, seja antes ou depois dele ter roubado tudo que você tem, tomado seus filhos, desencadeado assassinatos em massa e descendido ao canibalismo, ele acaba.

Ele não pode comer a placa de Petri ou abolir a realidade (na realidade). Há um limite. Mas a humanidade ganha uma chance de demonstrar do que é capaz, no lado inferior. Como Whiskey comentou (nessa thread do Sailer): “Este Iluminismo é ‘Sombrio’ porque ele nos diz coisas verdadeira que preferiríamos não saber ou ler ou ouvir, porque elas pintam uma imagem não tão amável da natureza humana em sua face mais crua”. O progresso nos leva ao cru.

Gregory Bateson se referia à escalada cibernética como ‘esquismogenese’, que ele identificava em uma série de fenômenos sociais. Entre esses estava o abuso de substâncias (especificamente o alcoolismo), cuja dinâmica abstrata, no nível do indivíduo, é difícil de distinguir da radicalização política coletiva. O alcoólatra é capturado por um circuito esquismogenico e, uma vez que esteja dentro dele, a única solução atraente é ir mais fundo nele. A cada passo de desintegração de sua vida, ele precisa de um drinque mais do que nunca. Lá se vai o emprego, a poupança, a esposa e as crianças, e não há nenhum lugar onde se procurar esperança exceto o bar, a garrafa de vodka e, eventualmente, aquela lata irresistível de cera para piso. O escape vem – se vier antes do necrotério – ao ‘chegar ao fundo do poço’. A escalada ao extremo chega ao fim da estrada, ou da estória, onde uma outra poderia – possivelmente – começar. A esquismogenese prevê uma catástrofe.

Chegar ao fundo do poço tem que ser horrível. Uma longa história lhe trouxe a isso e, se isso não é óbvia e indisputavelmente um estado intolerável de degradação derradeira, ela vai continuar. Não acabou até que realmente não possa continuar, e isso tem que ser diversos graus pior do que se poderia antecipar. A Singularidade de Esquerda está afundada nas borras de cera para piso, com tudo perdido. É pior do que qualquer coisa que você possa imaginar, e não há nenhum sentido que seja em tentar persuadir as pessoas de que elas chegaram lá antes de elas saberem que chegaram. ‘As coisas poderiam ser melhores do que isso’ não vai dar conta. É para isso que serve o progresso, e o progresso é o problema.

Aquilo que não pode continuar, irá parar. As árvores não crescem até o céu. Isso não significa necessariamente, contudo, que a liberdade será restaurada e tudo será adorável. Da última vez tivemos teocracia, tivemos estagnação por quatrocentos anos.

A expansão explosiva de gastos e regulamentação representa um colapso da disciplina dentro da elite governante. A maneira em que o sistema deveria funcionar, e a maneira em que funcionou na maior parte do tempo há várias décadas atrás, é que o Governo Federal americano só pode gastar dinheiro em algo se a Câmara dos Deputados, o Senado e o Presidente concordarem em gastar dinheiro nessa coisa, então nenhum empregado do governo pode ser empregado, exceto se todos os três concordarem que ele deva ser empregado, então o governo não pode fazer nada ao menos que os três concordem que seja feito. Um funcionário público e, na verdade, todo o seu departamento estava apto a ser demitido se irritasse alguém. Reciprocamente, o indivíduo estava livre para fazer qualquer coisa, a menos que todos os três concordassem que ele deveria ser impedido de fazer aquela coisa. Estamos agora nos aproximando da situação reversa, onde para um indivíduo fazer qualquer coisa é necessário uma pilha de permissões de diversas autoridades governamentais, mas qualquer autoridade governamental pode gastar dinheiro em qualquer coisa a menos que exista uma oposição quase unânime a ela gastar dinheiro.

Obviamente isso não pode continuar. Eventualmente, o dinheiro acaba, onde teremos uma crise hiperinflacionária e reverteremos para alguma outra forma de dinheiro, como o padrão ouro. Enquanto isso acontece, o comportamento cada vez mais sem lei dos governantes contra os governados se tornará um comportamento cada vez mais sem lei dos governantes uns contra os outros. Guerra civil, ou algum próximo de uma guerra civil, ou uma terrível e imediata ameaça de guerra civil se seguirá. Nesse ponto, teremos a singularidade política, provavelmente por volta de 2025 ou algo assim. Para além da singularidade, nenhuma previsão pode ser feita, além de que os resultados serão surpreendentes…

Original.

O Que Merecemos

Bom? Provavelmente não. Mas duro – ah, sim (ah sim!)

Obama conseguiu o que ele queria – um segundo mandato. Agora as pessoas que votaram nele vão conseguir aquilo pelo que votaram… e o que elas merecem – um colapso financeiro que faz 2008 parecer como os bons e velhos dias. – ‘libertarianNYC

Porque quando Maistre diz que toda nação recebe o governo que merece, eu acredito nele. Maistre não achava que sua grande lei era uma lei da física. Ele pensava que era uma lei de Deus. Eu não sou uma pessoa religiosa, mas eu concordo. A história me convenceu de que quando as leis de Deus são quebradas, merdas ruins acontecem. – Mencius Moldbug

‘Merecer’ deve ser a palavra mais inútil e ofuscante do dicionário – Maurice Spandrell

Os mistérios do espectro ideológico são profundos o suficiente para absorver uma exploração infinita. Por quê, por exemplo, deveria havia um espectro ideológico que seja? As discordância humanas sobre decisões sociais não são naturalmente multi-dimensionais? Como opiniões sobre a escala ótima do governo podem prever atitudes em relação a ações afirmativas, imigração, controle de armas, proibição das drogas, aborto, casamento gay, mudança climática e política externa? Não parece quase mágico que os arranjos de assentos na Assembléia Nacional francesa no final do século XVIII continuem a organizar a terminologia da orientação ideológica até os dias atuais?

Às vezes, contudo, a perplexidade recua e certos padrões básicos emergem com uma claridade surpreendente. Isso é evidente hoje nos Estados Unidos – o grande circo mundial do antagonismo ideológico – na esteira de sua mais recente e espetacular performance.

Conforme a polarização se intensifica – e ela o faz – o essencial é expressado através dos extremos, e as alternativas são simplificadas. O que vai ser: política ou economia? Não pode haver nenhuma coexistência sustentável. Uma deve erradicar absolutamente a outra.

Ou a política, ou a economia merece ser completamente destruída — a política por seu desejo incontinente pelo poder absoluto, ou a economia por sua fria indiferença aos interesses públicos. O conflito de visões é irreconciliável. Da perspectiva pura da política terminal, todas as recompensas de mercado são arbitrárias e ilegítimas, ao passo que daquela da economia, as pessoas têm direito a precisamente nada.

Falando em nome dos perdedores políticos, Russ Roberts (no Cafe Hayek) adota uma abordagem despreocupada:

Falando sobre a eleição com muitos amigos e familiares que estavam torcendo por Romney, eu descobri que suas emoções percorriam toda a escala entre o desespero e o desânimo. Todo mundo estava bem para baixo. Eu me encontrei inesperadamente melancólico também. Nossas emoções não eram tanto causadas pela derrota de Romney. Poucos de nós estavam particularmente animados com ele. Foi a vitória de Obama que nos preocupou. …Havia muito a ser desencorajado antes dessa eleição. Não tenho certeza se a eleição fornece muitas informações novas.

O desespero da Direita não é o produto de um único resultado lamentável das eleições, mas baseia-se na implacável compreensão de que ela está inerentemente mal adaptada à política. Quando a Direita alcança o poder é se tornando algo diferente de si mesma, traindo seus partidários não apenas de maneira incidental e periférica, através da timidez ou da incompetência, mas de maneira central e fundamental, ao avançar de maneira prática uma agenda que quase perfeitamente nega seus supostos comprometimentos ideológicos. Ela constrói aquilo que ela havia prometido destruir e escraviza ainda mais aquilo que havia prometido liberar. Suas vitórias significam cada vez menos, suas derrotas cada vez mais. Vencer é no máximo um mal menor, ao passo que perder abre novos e inéditos horizontes de calamidade, iniciando aventuras anteriormente inimaginadas de horror.

Dean Kalahar captura o humor:

A decisão do eleitorado de uma vez por todas confirma uma definição da América que valoriza esperanças, sentimentos e igualdade de resultados sobre as realidades da natureza humana, da história e dos princípios fundamentais que mantêm a civilização ocidental unida. Agora não há dúvida de que o ponto de inflexão do declínio cultural que aumenta geometricamente foi ultrapassado. … Nosso sistema econômico perdeu a guerra cultural.

A esquerda tem suas próprias frustrações, que sua aproximação cada vez maior do domínio político total não consegue apaziguar e, na verdade, exacerba. Quanto mais ela subordina seus inimigos à sua vontade, tanto mais sua vontade se conforma à imagem de seus inimigos – não a economia como era, evasiva e moralmente desinteressada, mas a economia como era caracturada e denunciada: estreita e brutalmente auto-interessada, sublime em sua gigantesca ganância, radicalmente corrupta e irreparavelmente disfuncional. O plutocrata dos desenhos animados reaparece como o consumado membro político em uma camiseta do Che Guevara, ditando minuciosamente o conteúdo da legislação e seguindo uma trajetória de carreira que alterna suavemente entre as cátedras das agências reguladoras e as salas de reuniões de Wall Street. Por meio de uma contabilidade perversa e ineliminável de dupla entrada, as montanhas fiscais da generosidade do governo são registradas, simultaneamente, como uma festa orgiástica da criação de dinheiro capitalista de compadrio. O altruísmo público e a avareza privada se prendem uma identidade lógico-matemática exata.

O gira dá a volta. Administrações ‘de direita’ se tornam burocracias escleróticas de um governo grande, ao passo em que administrações ‘de esquerda’ se tornam a fachada cínica de relações públicas para cartéis de bancos vorazes. Em ambos os casos, o governo equivale à traição, executada por um partido que necessariamente abusa de seus próprios partidários políticos. Uma vez que política é cada vez mais a reserva da Esquerda, isso não é um oscilador, mas uma catraca, com uma direção previsível (até a Singularidade de Esquerda, “que move o eleitorado sempre para esquerda, tornando-o cada vez mais disfuncional”).

A Direita, o partido da economia, está perdendo toda a credibilidade enquanto Partido, especialmente para si mesma. Na guerra de aniquilação que o cisma ideológico contemporâneo se tornou, o grito de guerra substituto e característico poderia ser confiantemente antecipado, mesmo que já não fosse tão claramente ouvido: o mercado vingará essas ofensas. Nêmesis. Deixe o templo cair.

Espere ouvir muito mais disso, não importa o quanto isso lhe revolte.

As coisas cairão aos pedaços (ainda mais, bem mais…), ou não, mas em ambos os casos saberemos o que realmente merecemos. A Realidade é Deus, mas qual é a verdadeira religião?

Nas palavras imortais de HL Mencken: “A democracia é a teoria de que as pessoas comuns sabem o que querem e merecem receber isso bem duro”.

Original.

Adiante!

Aberração máxima até a Singularidade da Esquerda

Isso foi completamente inequívoco. Obama realmente se provou ser o FDR dessa volta do giro. Nate Silver e Paul Krugman foram vingados. O New York Times é o evangelho da era. O conservadorismo foi esmagado e humilhado. O pedal do freio foi jogado pela janela. Agora não dá mais para parar.

No dia antes da eleição, o Der Spiegel descreveu “os Estados Unidos como um país que não entende os sinais dos tempos e que tem quase deliberadamente — indo na contramão de todo o conhecimento científico — escolhido ser retrógrado”. Para os autores da redação da revista, o problema era inteiramente simples. “O ódio de um governo grande alcançou um nível nos Estados Unidos que ameaça a própria existência do país”. Forças regressivas estavam impedindo o progresso do país ao recusar entender a óbvia identidade entre o Leviatã e o avanço social. Agora deveria ser óbvio para todo mundo – mesmo para os partidários carbonizados do Tea Party, resmungando em estado de choque nas ruínas – que a democracia americana contemporânea fornece todo o ímpeto necessário para afastar tal obstrucionismo. O Estado é Deus, e todos devem ser curvar à sua vontade. Adiante!

Com a ascensão do Governo dos EUA, uma nova pureza é alcançada, e um experimento fantástico (e Titânico) progride a um novo estágio. Não é mais necessário entrar em controvérsias com o detrito despedaçado da direita, daqui em diante tudo que importa é o teste de força entre a motivação política concentrada e a obstinação da própria realidade. O que seria dizer: a resistência final a ser superada é a ideia insolente de um princípio de realidade, ou exterior. Assim que não mais existir qualquer forma das coisas que exista independentemente do desejo soberano do Estado, a Singularidade da Esquerda será alcançada. Esta é a promessa escatológica que canta seus aleluias em todo peito progressista. Ela se traduz perfeitamente para o canto coloquial: sim, podemos!

Claro, é preciso entender claramente que “nós” – agora e daqui para frente – significa o Estado. Através do Estado, nós fazemos qualquer coisa e tudo, que podemos, se não realmente, então pelo menos verdadeiramente, como prometido. O Estado é ‘nós’ como Deus. Hegel já tinha visto tudo isso, mas foi necessário sistemas educacionais progressistas para generalizar a compreensão. Agora nossa época chegou, ou está chegando. Todos juntos agora: sim, podemos! Nada além de um frágil realismo reacionário está em nosso caminho, e isso é algo para fora do qual podemos ser educados (sim, podemos). Fomos! Veja nossos destruídos inimigos espalhados em completa devastação diante de nós.

O mundo deve ser como queremos que ele seja. Certamente.

Original.

Aleatoriedades sobre a Redecoração o Regime

Qual sortudo vai ficar com a culpa?

Aqui em Shanghai, recebemos os resultados da eleição presidencial dos EUA na quarta-feira de manhã, fazendo desta a última chance de se aventurar em previsões incautas. Quem vai conseguir se apoderar do cálice envenenado e assumir a responsabilidade pelo colapso financeiro dos Estados Unidos da América?

Sinta o ódio. A negatividade reina suprema nessa eleição, com motivações opositivas ou defensivas quase totalmente purificadas de contaminação positiva. De acordo com a The Economist, anúncios políticos negativos representaram inéditos 90% do total. As palavras do comentador Subotai Bahadur no PJ Media destilam o sentimento perfeitamente: “Romney não era minha primeira, segunda ou terceira escolha, mas eu me rastejaria sobre vidro moído para votar nele”. A ser ternamente relembrada como a ‘eleição do vidro moído‘.

O Caminho da Salamandra. O Urbano Futuro não está inclinado a ridicularizar o mormonismo como esquisito (ser esquisito é o propósito das religiões), mas por certo há implicações culturais significativas na inauguração de um presidente mórmon em uma época incomumente apocalíptica. A fé mórmon é a versão de ficção científica da religião abraâmica, estendendo uma ponte evolutiva do homem até Deus – um caminho de divinização prática. Nenhuma surpresa, então, em se descobrir que há uma Associação Transhumanista Mórmon. Quando combinada com a irreverência que se prende a qualquer administração decadente e destruída pelo caos, poderia ficar seriamente divertido… mas aí perderíamos a versão clássica da Catedral II (O Retorno dos Clérigos), substituída por um remake estranho. Os eleitores precisam escolher seu sabor de vidro moído com cuidado.

Motivo do profeta. No Zero Hedge, teórico dos ciclos geracionais de Strauss & Howe, Jom Quinn, se agarra ao tema apocalíptico. Ele argumenta que – à beira do ‘Quarto Giro’ – a idade de Mitt Romney, que o coloca na ‘geração dos profetas’, faz com que ele tenha chances de liderar a superpotência global ao Armagedom (então temos isso pelo que esperar).

Previsões incautas?

(1) Descontar a desonestidade sistemática da mídia aponta para uma vitória substancial de Romney.

(2) Vencer essa vai ter sido a coisa mais estúpida que o partido estúpido jamais fez.

Original.

Anarquia na Velha Direita

Sobre aquela cadeira vazia…

No The American Conservative, a Velha Direita tem expressado seu fumegante desalento com os prospectos políticos do país através de um ataque de paralisado dissenso.

Os 29 membros do simpósio do TAC se dividiram bastante igualmente entre (o Democrata) Barack Obama, (o Republicano) Mitt Romney e (o Libertário) Gary Johnson. Cada um reúne quatro compromentimentos definitivos, com Andrew J. Bacevich, Leon Hadar, Scott McConnell, e Noah Millman a favor de Obama; Marian Kester Coombs, James P. Pinkerton, Stephen B. Tippins Jr., e John Zmirak a favor de Romney; e Doug Bandow, Peter Brimelow, Scott Galupo, e Bill Kauffman a favor de Johnson.

Philip Giraldi sintetiza o espírito de obstrução anti-neoconservadora com suas intenções eleitorais declaradas, oscilando entre um voto a favor de Johnson, uma inserção de Ron Paul, ou uma escolha em favor de Obama para esterilizar Romney, se a disputa for apertada. James Bovard também está dividido entre Johnson e uma inserção de Ron Paul (mas sem menção de uma opção anti-Romney a favor de Obama). Como Johnson, Romney conseguiu dois ‘talvez’ adicionais (de W. James Antle III e Bradley J. Birzer). Virgil Goode do Constitution Party reúne apenas um apoio sólido (Sean Scallon). Há também uma inserção de Rand Paul (Daniel McCarthy) e quatro indecifráveis (Jeremy Beer, Rod Dreher, William S. Lind, e Steve Sailer).

O vencedor decisivo entre os autores do TAC, contudo, é Ninguém, apoiado por sete abstenções inequívocas (Michael Brendan Dougherty, David Gordon, Robert P. Murphy, Justin Raimondo, Sheldon Richman, e Gerald J. Russello) e provavelmente uma oitava (Paul Gottfried, equilibrado na borda democraticamente abstêmia dos indecifráveis).

Talvez questões como esta estejam azedando o humor.

Por quê não optar pelo melhor negócio?

Original.

O Iluminismo Sombrio, Parte 4e

Parte 4e: História transcodificada

Democracia é o oposto de liberdade, quase inerente ao processo democrático é que ele tende na direção de menos liberdade, em vez de mais, e a democracia não é algo que pode ser consertado. A democracia está inerentemente quebrada, assim como o socialismo. A única maneira de consertá-la é romper com ela.
Frank Karsten

O historiador (principalmente da ciência) Doug Fosnow pediu que os condados “vermelhos” dos EUA se separassem dos “azuis”, formando uma nova federação. Isso foi recebido com muito ceticismo pela audiência, que notou que a federação “vermelha” não ficaria com praticamente nenhum litoral. Doug realmente pensou que uma secessão dessas tinha alguma probabilidade de ocorrer? Não, ele admitiu alegremente, mas qualquer coisa seria melhor do que a guerra racial que ele acha provável que ocorra, e é dever dos intelectuais propor possibilidade menos horríveis.
John Derbyshire

Assim, em vez de por meio de uma reforma de cima para baixo, sob as atuais condições, sua estratégia deve ser a de uma revolução de baixo para cima. A princípio, a compreensão dessa visão pareceria tornar a tarefa de uma revolução social liberal-libertária impossível, pois isso não implica que ter-se-ia que persuadir uma maioria do público a votar pela abolição da democracia e pôr um fim a todos os impostos e legislações? E isso não é pura fantasia, dado que as massas são sempre estúpidas e indolentes, ainda mais dado que a democracia, como explicado acima, promove a degeneração moral e intelectual? Como alguém pode esperar que uma maioria de pessoas cada vez mais degeneradas, acostumadas com o “direito” de votar, jamais renunciasse voluntariamente à oportunidade de saquear a propriedade alheia? Colocado desta maneira, tem-se que admitir que o prospecto de uma revolução social deve, de fato, ser considerado como virtualmente nulo. Em vez disso, é apenas com base em uma reconsideração, ao considerar a secessão como uma parte integral de qualquer estratégia de baixo para cima, que a tarefa de uma revolução liberal-libertária parece menos do que impossível, mesmo que ainda continue sendo intimidadora.
Hans-Herman Hoppe

Concebida de maneira genérica, a modernidade é uma condição social definida por uma tendência integral, resumida como taxas de crescimento econômico sustentadas que excedem os aumentos de população e, assim, marcam uma escapada da história normal, aprisionada dentro da armadilha malthusiana. Quando, no interesse da apreciação desapaixonada, a análise é restrita aos termos deste padrão quantitativo básico, ela suporta uma subdivisão nos componentes positivo (crescimento) e negativo da tendência: contribuições tecno-industriais (científicas e comerciais) à aceleração do desenvolvimento, por um lado, e as contra-tendências sócio-políticas à captura do produto econômico por parte de interesses especiais de rent-seeking democraticamente empoderados (demosclerose), por outro. O que o liberalismo clássico dá (a revolução industrial), o liberalismo maduro leva embora (por meio do cancerígeno estado de intitulações). Na geometria abstrata, isso descreve uma curva em S de fuga auto-limitante. Assim como um drama de liberação, é uma promessa quebrada.

Concebida de maneira particular, como uma singularidade ou coisa real, a modernidade tem características etno-geográficas que complicam e qualificam sua pureza matemática. Ela veio de algum lugar, se impôs de maneira mais ampla e levou os vários povos do mundo a uma extraordinária gama de novas relações. Estas relações eram caracteristicamente ‘modernas’ se envolviam um transbordamento dos limites malthusianos anteriores, permitiam a acumulação de capital e iniciavam novas tendências demográficas, mas elas reuniam grupos concretos em vez de funções econômicas abstratas. Pelo menos em aparência, portanto, a modernidade foi algo feito por pessoas de um certo tipo com – e não incomumente a (ou mesmo contra) – outras pessoas, que eram conspicuamente diferentes delas. No momento em que hesitava no declive de desvanecimento da curva em S, no começo do século XX, a resistência às suas características genéricas (‘alienação capitalista’) havia se tornado quase inteiramente indistinguível da oposição à sua particularidade (‘imperialismo europeu’ e ‘supremacia branca’). Como consequência inevitável, a auto-consciência modernista do núcleo etno-geográfico do sistema deslizou em direção ao pânico racial, em um processo que só foi reprimido pelo surgimento e imolação do Terceiro Reich.

Dada a tendência inerente da modernidade à degeneração ou auto-cancelamento, três prospectos amplos se abrem. Estes não são estritamente exclusivos e não são, portanto, verdadeiras alternativas, mas, para propósitos esquemáticos, é útil apresentá-los como tal.

(1) Modernidade 2.0. A modernização global é revigorada a partir de um novo núcleo etno-geográfico, liberado das estruturas degeneradas de seu predecessor eurocêntrico, mas sem dúvida confrontando tendências de longo prazo de um caráter igualmente mortuário. Este é de longe o cenário mais encorajante e plausível (de uma perspectiva pró-modernista) e, se a China permanecer, mesmo que aproximadamente, em seu curso atual, será certamente realizado. (A Índia, infelizmente, parece ter ido muito longe em sua versão nativa da demosclerose para competir à sério.)

(2) Pós-Modernidade. Equivalendo essencialmente a uma nova idade das trevas, na qual os limites malthusianos se reimpõem brutalmente, este cenário assume que a Modernidade 1.0 globalizou tão radicalmente sua própria morbidez que todo o futuro do mundo colapsa ao seu redor. Se a Catedral ‘vencer’, estas são as consequências.

(3) Renascença Ocidental. Para renascer é primeiro necessário morrer, então, quanto mais forte a ‘reinicialização forçada’, tanto melhor. Crise abrangente e desintegração oferecem as melhores chances (mais realisticamente como um subtema da opção #1).

Visto que a concorrência é boa, uma pitada de Renascença Ocidental apimentaria as coisas, mesmo que – como é extremamente provável – a Modernidade 2.0 seja a principal rodovia do mundo para o futuro. Isso depende do Ocidente parar e reverter basicamente tudo que vem fazendo há mais de um século, com exceção apenas de inovações científicas, tecnológicas e empresariais. É aconselhável manter a disciplina retórica dentro de um modo estritamente hipotético, porque a possibilidade de qualquer uma dessas coisas é profundamente colorida pela incredulidade:

(1) Substituição da democracia representativa pelo republicanismo constitucional (ou por mecanismos governamentais anti-políticos ainda mais extremos).

(2) Redução massiva do governo e seu confinamento rigoroso a funções centrais (no máximo).

(3) Restauração da moeda lastreada (moedas de metais preciosos e notas de depósito desses metais) e abolição do banco central.

(4) Desmantelamento da discrição monetária e fiscal do estado, abolindo assim a macroeconomia prática e liberando a economia autônoma (ou ‘catalática’). (Este ponto é redundante, uma vez que ele se segue rigorosamente de 2 & 3 acima, mas é o verdadeiro prêmio e, logo, digno de enfatização.)

Há mais – isto é, menos política – mas já está absolutamente claro que nada disso vai acontecer aquém de um cataclisma existencial da civilização. Pedir que os políticos limitem seus próprios poderes é um não-começo, mas nada a menos nem remotamente leva na direção certa. Este, contudo, não é sequer o problema mais amplo ou profundo.

A democracia poderia começar como um mecanismo procedural defensável para se limitar o poder do governo, mas ela rápida e inexoravelmente se desenvolve em algo bastante diferente: uma cultura de roubo sistemático. Tão logo os políticos tenham aprendido a comprar apoio político com o ‘dinheiro público’ e tenham condicionado os eleitorados a abraçar a pilhagem e o suborno, o processo democrático se reduz à formação das ‘coalizões distributivas’ (de Mancur Olson) – maiorias eleitorais cimentadas juntas pelo interesse comum em um padrão coletivamente vantajoso de roubo. Pior ainda, uma vez que as pessoas não são, na média, muito brilhantes, a escala de depredação disponível para o establishment político de longe excede até mesmo o saqueamento insano que está aberto ao escrutínio público. Pilhar o futuro, através de degradação monetária, acúmulo de dívidas, destruição do crescimento e retardamento tecno-industrial, é especialmente fácil de ocultar e, assim, confiavelmente popular. A democracia é essencialmente trágica porque fornece à população uma arma para se destruir, uma que sempre é avidamente aproveitada e usada. Ninguém jamais diz ‘não’ para coisas de graça. Quase ninguém sequer vê que não existem coisas de graça. A ruína cultural total é a conclusão necessária.

Dentro da fase final da Modernidade 1.0, a história americana se torna a narrativa mestra do mundo. É ali que o grande transmissor cultural abraâmico culmina no neo-puritanismo secularizado da Catedral, conforme estabelece sua Nova Jerusalém em Washington DC. O aparato do propósito messiânico-revolucionário é consolidado no estado evangélico, que está autorizado, por quaisquer meios necessários, a instalar uma nova ordem mundial de fraternidade universal, em nome da igualdade, dos direitos humanos, da justiça social e – sobretudo – da democracia. A confiança moral absoluta da Catedral garante a busca entusiasta de um poder centralizado irrestrito, otimamente ilimitado em sua penetração intensiva e em seu escopo extensivo.

Com uma ironia completamente escondida da própria prole dos queimadores de bruxas, a ascensão dessa corte de sombrios fanáticos morais a alturas previamente inescaláveis de poder global coincide com a decadência da democracia de massas a profundidades previamente inimagináveis de corrupção gulosa. A cada cinco anos, a América rouba-se de si mesma novamente e se revende em troca de apoio político. Essa coisa de democracia é fácil – você simplesmente vota no cara que lhe promete mais coisas. Um idiota conseguiria fazê-lo. Na verdade, ela gosta de idiotas, os trata com aparente gentileza e faz tudo o que pode para fabricar mais deles.

A tendência implacável da democracia à degeneração apresenta um caso implícito a favor da reação. Uma vez que cada um dos principais limiares de ‘progresso’ sócio-político levou a civilização ocidental em direção a uma ruína abrangente, um retraçamento de seus passos sugere uma reversão da sociedade de pilhagem a uma ordem mais antiga de auto-suficiência, indústria e comércio honestos, aprendizado pré-propagandístico e auto-organização cívica. As atrações desta visão reacionária são evidenciadas pela voga de vestuário, símbolos e documentos constitucionais do século XVII entre a minoria substancial (Tea Party) que claramente vê o curso desastroso da história política americana.

O alarme de ‘raça’ já soou na sua cabeça? Seria surpreendente se não tivesse. Cambaleie de volta, em imaginação, até antes de 2008, e o sussurro tenso da consciência já está questionando seus preconceitos contra revolucionários quenianos e professores marxistas negros. Continue em reverso até a era da Grande Sociedade / Direitos Civis e os avisos alcançam um tom histérico. É perfeitamente óbvio, neste ponto, que a história política americana progrediu ao longo de trajetórias gêmeas e entrelaçadas, que correspondem à capacidade e à legitimação do estado. Lançar dúvidas sobre sua escala e escopo é, simultaneamente, disputar a santidade de seu propósito e a necessidade moral-espiritual de que ele comande quaisquer recursos e imponha quaisquer restrições legais que possam ser requeridas para cumpri-lo. Mais especificamente, recuar da magnitude do Leviatã é demonstrar insensibilidade à imensidão – de fato, quase infinitude – de culpa racial herdada e ao único imperativo categórico sobrevivente da modernidade senescente – o governo precisa fazer mais. A possibilidade, de fato quase certeza, de que as consequências patológicas do ativismo governamental crônico tenham há muito suplantado os problemas que ele originalmente visava é uma contenção tão completamente mal-adaptada à época da religião democrática que sua insignificância prática é garantida.

Mesmo na esquerda, seria extraordinário encontrar muitos que genuinamente acreditam, após continuada reflexão, que o motor primário da expansão e centralização do governo tenha sido o desejo ardente de fazer o bem (não que intenções importem). Ainda assim, conforme as trajetórias gêmeas se cruzam, tamanho é o choque elétrico do drama moral, saltando o fosso entre o Gólgota racial e o Leviatã intrusivo, que o ceticismo é suspenso, e o grande mito progressista, instalado. A alternativa a mais governo, fazendo cada vez mais, era ficar lá, negligentemente, enquanto eles linchavam outro negro. Esta proposição contém todo o conteúdo essencial da educação progressista americana.

As trajetórias históricas gêmeas de capacidade e propósito estatal podem ser concebidas como um protocolo de tradução, que permite que qualquer restrição recomendada ao poder do governo seja ‘decodificada’ como obstrução maligna da justiça racial. Este sistema de substituições funciona tão suavemente que fornece todo um vocabulário de ‘code-words‘ ou ‘dog-whistles‘ (bipartidários) – ‘welfare’, ‘liberdade de associação’, ‘direitos dos estados’ – garantindo que qualquer elocução inteligível na Dimensão Política Principal (esquerda-direita) ocupe um registro duplo, semi-saturado de evocações raciais. A regressão reacionária cheira a frutos estranhos.

…e isso é antes de se sair do calamitoso século XX. Não foi a Era dos Direitos Civis, mas a ‘Guerra Civil Americana’ (nos termos dos vencedores) ou ‘Guerra entre os Estados’ (naqueles dos vencidos) que primeiro transcodificou indissoluvelmente a questão prática do Leviatã com a dialética racial (negro/branco), estabelecendo o centro de junção do antagonismo político e retórico subsequente. O passo primário indispensável em compreender esta fatalidade serpenteia ao longo de uma estranha diagonal entre o relato estatista mainstream e o revisionista, porque a conflagração que consumou a nação americana no início dos anos 1860 foi inteiramente, mas não exclusivamente, sobre a emancipação da escravidão e sobre direitos dos estados, sem nenhuma ‘causa’ sendo redutível a outra ou suficiente para suprimir as duradouras ambiguidades da guerra. Embora exista algum número de ‘liberais’ felizes em celebrar a consolidação de um poder governamental centralizado na triunfante União, e, simetricamente, um número (bem menor) de neo-confederados apologistas da instituição da escravidão nos estados do sul, nenhuma dessas posições não conflituosas capturam o legado cultural dinâmico de uma guerra através dos códigos.

A guerra é um nó. Ao dissociar, na prática, a liberdade em emancipação e independência e então arremessar uma contra a outra em meia década de carnificina, azul contra cinza, estabeleceu-se que a liberdade seria quebrada no campo de batalha, qualquer que fosse o resultado do conflito. A vitória da União determinou que o sentido emancipatório da liberdade prevaleceria, não apenas na América, mas ao redor do mundo, e o eventual reino da Catedral foi garantido. Não obstante, o esmagamento da segunda guerra de secessão da América fez piada da primeira. Se a instituição da escravidão deslegitimava uma guerra de independência, o que sobrevivia de 1776? A coerência moral da causa da União exigia que os fundadores fossem reconcebidos como proprietários de escravos brancos patriarcais politicamente ilegítimos e a história americana comburida na educação progressista e nas guerras culturais.

Se a independência é a ideologia dos donos de escravos, a emancipação requer a destruição programática da independência. Dentro de uma história transcodificada, a efetuação da liberdade é indistinguível de sua abolição.

Original.

O Iluminismo Sombrio, Parte 3

O fascículo anterior desta série acabou com nosso herói, Mencius Moldbug, até a cintura (ou pior) no pântano mefítico do politicamente incorreto, aproximando-se do coração sombrio de sua meditação político-religiosa em How Dawkins Got  Pwned. Moldbug pegou Dawkins no meio de uma denúncia sintomaticamente significante e excruciantemente beata dos “sentimentos vitorianos” racistas de Thomas Huxley – um sermão que conclui com a estranha declaração de que ele está citando as palavras de Huxley, apesar de sua  auto-evidente e totalmente intolerável pavorosidade, “apenas para ilustrar como o Zeitgeist segue em frente”.

Moldbug dá o bote, perguntando mordazmente: “O que, exatamente, é essa coisa do Zeitgeist?”. É, indiscutivelmente, uma extraordinária captura. Eis aqui um pensador (Dawkins), treinado como biólogo e especialmente fascinado pelos tópicos (disjuntivamente) geminados da evolução naturalista e da religião abraâmica, tropeçando no que ele apreende como uma tendência unidirecional de desenvolvimento espiritual histórico-mundial, que ele então – enfaticamente, mas sem o menor apelo à razão disciplinada ou à evidência – nega que tenha qualquer conexão séria com o avanço da ciência, com a biologia humana ou com a tradição religiosa. O disparate balbuciante que daí se resulta é uma coisa de se admirar, mas, para Moldbug, tudo faz sentido:

Na verdade, o Zeitgeist do Professor Dawkins é… indistinguível do… antigo conceito anglo-calvinista ou puritano de Providência. Talvez esta seja uma falsa correspondência. Mas é uma bem próxima.

Uma outra palavra para Zeitgeist é Progresso. Não é de se surpreender que os Universalistas tendam a acreditar no Progresso – na verdade, em um contexto político, eles frequentemente se denominam progressistas. O universalismo de fato fez um bom bocado de progresso desde [a época da embaraçosa observação de Huxley em] 1913. Mas isto dificilmente refuta a proposição de que o Universalismo é uma tradição parasita. Progresso para o carrapato não é progresso para o cão.

O que, exatamente é essa coisa de Zeitgeist? Vale a pena repetir a questão. Não é espantoso, para começar, que quando um darwinista inglês busca uma arma para golpear outro, o cacete mais conveniente à mão seja uma palavra alemã – associada com uma linhagem abstrusa de filosofia idealista adoradora do estado – fazendo referência explícita a uma concepção de tempo histórico que não tem qualquer conexão discernível com o processo de evolução naturalista? É como se, de maneira dificilmente imaginável, durante uma contenda comparável entre físicos (sobre o tópico da indeterminação quântica), de repente se ouvisse gritar que “Deus não joga dados com o universo”. Na verdade, os dois exemplos estão intimamente emaranhados, uma vez que a fé de Dawkins no Zeitgeist é combinada com uma adesão ao progressismo dogmático da ‘Religião Einsteiniana’ (meticulosamente dissecada, claro, por Moldbug).

O despudor é notável, ou pelo menos seria, se ingenuamente se acreditasse que os protocolos da racionalidade científica ocupavam uma posição soberana em tal disputa, mesmo que apenas em princípio. Na verdade – e aqui a ironia é amplificada à própria beira da psicose uivante – o Old One de Einstein ainda reina. Os critérios de julgamento devem tudo à higiene espiritual neo-puritana e nada que seja à realidade testável. A elocução científica é filtrada para a conformidade com uma agenda social progressista, cuja autoridade parece não ser afetada por sua completa indiferença para com a integridade científica. O que lembra Moldbug de Lysenko, por razões compreensíveis.

“Se os fatos não concordam com a teoria, tanto pior para os fatos” afirmou Hegel. É o Zeitgeist que é Deus, historicamente encarnado no estado, espezinhando meros dados de volta na poeira. A esta altura, todo mundo sabe onde isso acaba. Um ideal moral igualitário, endurecido em um axioma universal ou dogma cada vez mais incontestável, completa a ironia histórica suprema da modernidade, ao tornar a ‘tolerância’ o critério de ferro para os limites da tolerância (cultural). Uma vez que seja aceito de maneira universal ou, falando de maneira mais prática, por todas as forças sociais que empunham um poder cultural significante, que a intolerância é intolerável, a autoridade política legitimou toda e qualquer coisa que seja conveniente para si mesma, sem restrição.

Essa é a mágica da dialética, ou da perversidade lógica. Quando apenas a tolerância é tolerável, e todo mundo (que importa) aceita esta fórmula manifestamente absurda como não apenas racionalmente inteligível, mas como o princípio universalmente afirmado da fé democrática moderna, nada resta exceto a política. A tolerância perfeita e a intolerância absoluta se tornaram logicamente indistinguíveis, com qualquer uma sendo igualmente interpretável como a outra, A = não-A, ou o inverso, e, no mundo abertamente orwelliano que daí resulta, apenas o poder tem as chaves da articulação. A tolerância progrediu em tal grau que tem se tornado uma função de policiamento social, fornecendo o pretexto existencial para novas instituições inquisitoriais. (“Devemos lembrar que aqueles que toleram a intolerância abusam da própria tolerância, e um inimigo da tolerância é um inimigo da democracia”, ironiza Moldbug.)

A tolerância espontânea que caracterizava o liberalismo clássico, enraizada em um conjunto modesto de direitos estritamente negativos que restringiam o domínio da política, ou intolerância governamental, se rende, durante a maré democrática, a um direito positivo a ser tolerado, definido de maneira cada vez mais expansiva como intitulação substancial, envolvendo afirmações públicas de dignidade, garantias impostas pelo estado de tratamento igual por parte de todos os agentes (públicos e privados), proteções governamentais contra desfeitas e humilhações não-físicas, subsídios econômicos e – em última análise – representação estatisticamente proporcional dentro de todos os campos de emprego, realização e reconhecimento. Que a culminação escatológica desta tendência seja simplesmente impossível não importa de maneira alguma para a dialética. Pelo contrário, isso energiza o processo político, comburindo qualquer ameaça de saciação política no combustível do agravo infinito. “I will not cease from Mental Fight, Nor shall my Sword sleep in my hand: Till we have built Jerusalem, In England’s green and pleasant land.”[1] Em algum lugar antes de que Jerusalém fosse alcançada, o pluralismo inarticulado de uma sociedade livre foi transformado no multiculturalismo assertivo de uma democracia totalitária suave.

Os judeus da Amsterdam do século XVII ou os huguenotes da Londres do século XVIII gozaram do direito de serem deixados em paz e enriqueceram suas sociedades anfitriãs em troca. Os grupos de agravo democraticamente empoderados dos tempos modernos posteriores são incitados por líderes políticos a exigirem um (fundamentalmente iliberal) direito de ser ouvido, com consequências sociais que são predominantemente malignas. Para os políticos, contudo, que se identificam e se promovem como a voz dos não ouvidos ou dos ignorados, o auto-interesse em jogo dificilmente poderia ser mais óbvio.

A tolerância, que já pressupôs a negligência, agora a condena e, ao fazê-lo, se torna seu oposto. Fosse este um desenvolvimento partidário, a política partidária de um tipo democrático poderia sustentar a possibilidade de reversão, mas ele não é nada do tipo. “Quando alguém está sofrendo, o governo tem que se mover” declarou o Presidente ‘conservador compassivo’ dos EUA George W. Bush, em um fútil esforço de canalizar a Catedral. Quando a ‘direita’ soa assim, ela não está apenas morta, mas inequivocamente fedendo a decomposição avançada. O ‘Progresso’ venceu, mas isso é ruim? Moldbug aborda a questão de  maneira rigorosa:

Se uma tradição faz com que seus hospedeiros cometam erros de cálculo que comprometem suas metas pessoais, ela exibe um morbidez misesiana. Se ela faz com que seus hospedeiros ajam de maneiras que comprometam os interesses reprodutivos de seus genes, ela exibe uma morbidez darwiniana. Se se subscrever à tradição é individualmente vantajoso ou neutro (desertores são recompensados ou pelo menos não são punidos), mas coletivamente prejudicial, a tradição é parasitária. Se se subscrever é individualmente desvantajoso, mas coletivamente benéfico, a tradição é altruísta. Se é tanto individual quanto coletivamente benigna, ela é simbiótica. Se é tanto individual quanto coletivamente danosa, é maligna. Cada um desses rótulos podem ser aplicados tanto à morbidez misesiana quanto à darwiniana. Um tema que seja arracional, mas não exiba nem morbidez misesiana, nem darwiniana, é trivialmente mórbido.

Considerados de maneira comportamental, os sistemas misesiano e darwiniano são aglomerações de incentivos ‘egoístas’, orientados, respectivamente, à acumulação de propriedade e à propagação de genes. Ao passo que os darwinistas concebem a esfera ‘misesiana’ como um caso especial da motivação geneticamente auto-interessada, a tradição austríaca, enraizada em um anti-naturalismo neokantiano altamente racionalizado, está predisposta a resistir a tal reducionismo. Embora as consequências finais desta disputa sejam consideráveis, sob as atuais condições ela é uma querela de urgência menor, uma vez que ambas as formações estão unidas no ‘ódio’, isto é, em sua tolerância reacionária a estruturas de incentivos que punem os mal adaptados.

‘Ódio’ é uma palavra sobre a qual se deter. Ela testemunha com especial clareza a ortodoxia religiosa da Catedral, e suas peculiaridades merecem uma observação cuidadosa. Talvez sua característica mais notável seja sua perfeita redundância, quando avaliada da perspectiva de qualquer análise das normas legais e culturais que não esteja inflamada pelo entusiamo evangélico neo-puritano. Um ‘crime de ódio’, se for qualquer coisa que seja, é apenas um crime, mais ‘ódio’, e o que o ‘ódio’ adiciona é revelador. Para nos restringirmos, momentaneamente, a exemplos de criminalidade incontroversa, se poderia perguntar: o que é, exatamente, que agrava um assassinato, ou uma agressão, se a motivação for atribuída ao ‘ódio’? Dois fatores parecem especialmente proeminentes, e nenhum tem qualquer conexão óbvia com as normas legais comuns.

Primeiramente, o crime é aumentado por um elemento puramente ideacional, ideológico ou mesmo ‘espiritual’, que atesta não apenas uma violação da conduta civilizada, mas também uma intenção herética. Isto facilita a abstração completa do ódio em relação à criminalidade, após a qual ele toma a forma de ‘discurso de ódio’ ou simplesmente ‘ódio’ (que deve sempre ser contrastado com a ‘paixão’, ‘injúria’ ou ‘ira’ justificada representada pela linguagem crítica, controversa ou meramente abusiva que é dirigida contra grupos, categorias sociais ou indivíduos não protegidos). ‘Ódio’ é uma ofensa contra a própria Catedral, uma recusa de sua orientação espiritual e um ato mental de provocação contra o destino religioso manifesto do mundo.

Em segundo lugar, e de maneira relacionada, o ‘ódio’ é deliberadamente e mesmo estrategicamente assimétrico em relação à polaridade política de equilíbrio das sociedades democráticas avançadas. Entre a implacável marcha do progresso e o resmungo ineficaz do conservadorismo, ele não vacila. Como vimos, apenas a direita pode ‘odiar’. Conforme o sistema imunológico doxológico da supressão de ‘ódio’ é consolidado dentro dos sistemas educacional da elite e midiático, a distribuição altamente seletiva de proteções garante que o ‘discurso’ – especialmente o discurso empoderado – seja consistentemente reajustado para a esquerda, o que quer dizer, na direção de um Universalismo cada vez mais abrangentemente radicalizado. A morbidez desta tendência é extrema.

Uma vez que o status de agravo é concedido como compensação política para a incompetência econômica, ele constrói um mecanismo cultural automático que advoga a disfunção. O credo Universalista, com sua identificação reflexiva da igualdade com a injustiça, não consegue conceber nenhuma alternativa à proposição de que, quanto mais baixo a situação ou o status de alguém, mais convincente é a sua revindicação sobre a sociedade, mais pura e mais nobre é a sua causa. A falha temporal é a o sinal da eleição espiritual (marxo-calvinista) e disputar qualquer parte disso é claramente ‘ódio’.

Isto não força nem mesmo o neo-reacionário de coração mais duro a sugerir, em uma caricatura do estilo cultural alto-vitoriano, que a desvantagem social, como manifesta em violência política, criminalidade, falta de moradia, insolvência e dependência do bem-estar social, é um índice simples da culpabilidade moral. Em grande parte – talvez uma parte esmagadoramente grande – ela reflete o puro infortúnio. Pessoas obscuras, impulsivas, sem saúde e pouco atraentes, criadas caoticamente em famílias abusivas e encalhadas em comunidades despedaçadas e assoladas pelo crime, têm toda razão de amaldiçoaram os deuses antes de si mesmas. Além disso, um desastre pode atingir qualquer um.

Em relação a estruturas efetivas de incentivos, contudo, nada disto é da menor importância. A realidade comportamental conhece apenas uma lei de ferro: O que quer que seja subsidiado é promovido. Com uma necessidade não mais fraca do que aquela da própria entropia, na medida em que a democracia social busca suavizar as más consequências – para grandes corporações não menos do que para indivíduos batalhadores e culturas desafortunadas – as coisas ficam piores. Não há maneira de contornar ou ir além desta fórmula, só pensamento positivo e cumplicidade com a degeneração. Claro, esta compreensão reacionária definidora está condenada à inconsequência, uma vez que equivale à conclusão supremamente impalatável de que toda tentativa de melhoria ‘progressiva’ está fadada a se reverter, ‘perversamente’, em uma falha horrível. Nenhuma democracia poderia aceitar isto, o que significa que toda democracia falhará.

A excitada espiral da fuga degeneradora misesiana-darwiniana é nitidamente capturada nas palavras da libertária mais fofa do Beltway, Megan McArdle, escrevendo na embocadura central da Catedral, The Atlantic:

É um pouco irônico que as primeiras tensões sérias causadas pelas mudanças demográficas da Europa estejam aparecendo nos orçamentos de bem-estar social do continente, porque os próprios sistemas de pensão podem bem ter moldado e limitado o crescimento da Europa. O século XX viu a adoção internacional de sistemas de seguridade social que prometiam benefícios definidos, pagos a partir da receita tributária futura – conhecidos pelos especialistas em pensão como sistemas de “paygo” e pelos críticos como esquemas de Ponzi. Estes sistemas tem aliviado grandemente os medos de uma velhice destituída, mas múltiplos estudos mostram que conforme os sistemas seguridade social se tornam mais generosos (e a velhice mais segura), as pessoas têm menos filhos. De acordo com uma estimativa, de 50 as 60 por cento da diferença entre a taxa de natalidade (acima da taxa de reposição) da América e da Europa pode explicada pelos sistemas mais generosos da última. Em outras palavras, o sistema de pensão da Europa pode ter posto em ação o próprio declínio demográfico que ajudou a tornar esse sistema – e alguns governos europeus – insolvente.

Apesar da ridícula sugestão de McArdle de que os Estados Unidos da América, de alguma maneira, se isentaram do caminho mortuário da Europa, o esboço geral do diagnóstico é claro e cada vez mais aceito como senso comum (embora melhor ignorado). De acordo com o credo ascendente, o bem-estar social alcançado através da progenitura e da poupança não é universal e, assim, é moralmente ignorante. Ele deveria ser suplantado, tão ampla e rapidamente quanto possível, por benefícios universais ou ‘direitos positivos’, distribuídos universalmente ao cidadão democrático e, assim, inevitavelmente, roteado através do Estado altruísta. Se, como resultado, devido à irremediável incorreção política da realidade, economias e populações colapsarem em concerto, pelo menos isso não danificará nossas almas. Ó, democracia! Sua idiota moribunda doce como sacarina, você acha que as hordas zumbis se preocuparão com a sua alma?

Moldbug comenta:

O Universalismo, na minha opinião, é melhor descrito como um culto dos mistérios do poder. É um culto do poder porque um estágio crítico em seu ciclo replicador de vida é uma criaturazinha chamada Estado. Quando olhamos para as proteínas de superfície dos grandes Us, notamos que a maioria delas podem ser explicadas por sua necessidade de capturar, reter e manter o Estado e dirigir seus poderes à criação de condições que favoreçam a replicação continuada do Universalismo. É tão difícil imaginar o Universalismo sem o Estado quanto a malaria sem o mosquito.

É um culto dos mistérios porque ele desloca as tradições teístas, substituindo as superstições metafísicas por mistérios filosóficos, tais como humanidade, progresso, igualdade, democracia, justiça, meio ambiente, comunidade, paz, etc.

Nenhum destes conceitos, como definidos na doutrina Universalista ortodoxa, é sequer ligeiramente coerente. Todos podem absorver uma energia mental arbitrária sem produzir nenhum pensamento racional. Nisto, eles são melhor comparados aos
absurdos plotinianos, talmúdicos ou escolásticos.

Como bônus, eis aqui o guia do Urbano Futuro para a sequência principal dos regimes políticos modernos:

Regime(1): Tirania Comunista
Crescimento Típico: ~0%
Voz / Saída: Baixa / Baixa
Clima cultural: Utopismo psicótico
A vida é… dura, mas ‘justa’
Mecanismo de transição: Redescobre os mercados no grau zero econômico

Regime(2): Capitalismo Autoritário
Crescimento Típico: 5-10%
Voz / Saída: Baixa / Alta
Clima cultural: Realismo insensível
A vida é… dura, mas produtiva
Mecanismo de transição: Pressurizado pela Catedral a se democratizar

Regime(3): Social Democracia
Crescimento Típico: 0-3%
Voz / Saída: Alta / Alta
Clima cultural: Desonestidade beata
A vida é… suave e insustentável
Mecanismo de transição: Empurrar com a barriga até sair da pista

Regime(4): Apocalipse Zumbi
Crescimento Típico: N/A
Voz / Saída: Alta (em sua maioria gritaria inútil) / Alta (com combustível, munição, comida seca, moedas de metais preciosos)
Clima cultural: Sobrevivencialismo
A vida é… de dura a impossível
Mecanismo de transição: Desconhecido

Para todos os regimes, as expectativas de crescimento assumem uma população moderadamente competente, de outra forma, vá direto para (4).

________________________
[1] Nota do Tradutor: Estrofe final do poema “And did those feet in ancient time” de William Blake, na introdução de seu épico Milton (1808). Tradução livre: “Eu não deixarei de Lutar com a Mente, Tampouco minha Espada dormirá em minha mão: Até que tenhamos construído Jerusalém, na terra verde e agradável da Inglaterra”.

Original.