Usurpação do Replicador

O gráfico da evolução do desempenho computacional, feito em 1998 por Hans Moravec, surgiu na Twittersfera (via Hillary Haley). Ele tem vinte e dois anos agora, mas a estória que ele conta não mudou muito (o que significa que o clímax está bastante mais próximo).

Moravec-graph

(Clique para ampliar)

O que aconteceu com a curva? De acordo com este relato, ela se nivelou de maneira significativa desde 2002, mas nunca foi fácil se fixar exatamente o que quantificar. MIPS são geralmente ridicularizadas enquanto métrica, em parte devido à simples obsolescência quantitativa (que excede três ordens de magnitude desde 1998).

O determinismo do hardware de Moravec, brutalmente quantitativo, permanece sendo uma ferramente preditiva crível, contudo, especialmente se espera-se que efeitos emergentes não planejados dominem (soterrando a engenharia de software). Uma vez que a história tenha vomitado capacidade cerebral sintética o suficiente, as coisas podem começar a se mudar para lá.


Original.

A Tentação do Vazio (Parte 2)

As coisas certas em bruto

… é importante entender o que a Apollo foi, e o que não foi. Ela foi uma vitória na Guerra Fria contra os soviéticos, mas, uma vez que estávamos em guerra, a lutamos com uma empresa socialista de estado. O que ele não foi é o primeiro passo na abertura da fronteira para a humanidade e, na verdade, ela foi um falso começo que criou um modelo para a NASA e um ritmo no qual estamos presos há mais de quatro décadas, com muitos bilhões gastos e pouco progresso útil.
Rand Simberg

A abertura do oeste americano nas primeiras décadas do século XIX e a abertura da fronteira espacial nessas primeiras décadas do século XXI são muito similares.
Mike Snead

O fascismo faz nossas cabeças girarem, o que é lamentável, porque a incapacidade de olhar inabalavelmente para o modelo dominante de “terceira via” da economia política (o nacionalismo corporativo) torna a história do último século ininteligível. Para historiadores amadores, cair rapidamente nos Nazistas Lunares é simplesmente inevitável.

SS Sturmbannführer Wernher von Braun, vice-administrador associado de planejamento na sede da NASA, Washington DC (1970-2), ajuda na introdução. Diretor técnico do programa de foguetes nazi em Peenemünde, que culminou na criação do míssil balísitico A-4 (V-2), von Braun foi trazido à América em 1945 como o prêmio máximo da Operação Paperclip. Sua contribuição para o desenvolvimento de foguetes nos EUA, de Redstone até à Apollo (e à lua), foi central e indispensável. O Socialismo da NASA nasceu no Lado Escuro da Lua. (Este provavelmente não é o momento certo para se aprofundar muito no território de Pynchon mas, grosso modo, é onde estamos.)

Se fascismo soa demasiadamente duro, uma terminologia mais confortável é de fácil alcance. ‘Tecnocracia’ será suficiente. O nome é menos importante do que os fundamentos, que já estavam claramente formulados na obra de um imigrante alemão anterior aos Estados Unidos, Friedrich List, que devotou um livro influente a esboçar The National System of Political Economy (1841) (“O Sistema Nacional de Economia Política”, sem tradução para o português). De acordo com List, o ‘cosmopolitismo’ da economia política mainstream (smithiana) não prestava atenção suficiente ao interesse coletivo nacional. O desenvolvimento industrial era importante demais para ser entregue à interação de agentes econômicos privados, e deveria, ao contrário, ser considerado um imperativo estratégico, dentro do contexto da competição internacional. Somente aproveitando o poder do Estado para regular o comércio, fomentar as indústrias modernas e impulsionar o desenvolvimento de infraestruturas críticas, um país pode esperar avançar seus interesses na arena internacional. O desenvolvimento era guerra por outros meios e, às vezes, pelos mesmos.

Quando ardentemente adotadas por Henry Clay, que conectou as idéias de List com a tradição fundadora de Alexander Hamilton, essas idéias se tornaram a base do Sistema Americano. O nacionalismo econômico deveria ser perseguido ao longo do caminho triplo do comércio administrado (tarifas), finanças controladas pelo estado (banco central) e desenvolvimento de infraestrutura dirigido pelo estado (especialmente sistemas de transporte). Tais políticas já eram ‘progressistas’ ou fascistas, na medida em que subordinavam os interesses econômicos privados-cosmopolitas aos propósitos nacionais, mas isso ocorreu de maneira flexível, sem as incrustações mais recentes da guerra de classes anti-empresarial, dos gastos em larga escala com direitos ou do policiamento cultural catedralista. O capitalismo deveria ser conduzido, e até mesmo promovido, em vez de ordenhado, deliberadamente arruinado ou substituído. Devido a sua direção patriota, seu elitismo e sua afinidade com a militarização, esse progressismo tecnocrata poderia ser facilmente entendido como um fenômeno da ‘direita’ ou, pelo menos (nas palavras de Walter Russell Mead) do “Establishment Bipartidário”.

A Apollo exemplificava perfeitamente o progressismo tecnocrata americano na tradição teutonizada e neo-hamiltoniana. Um pequeno passo para um homem, e um salto substancial para a humanidade, ela foi um salto em altura colossal para o Leviatã dos EUA, marcando um triunfo inequívoco na competição estrutural com sua principal rival geo-estratégica e ideológica. O programa Apollo não era exatamente parte da corrida armamentista de mísseis balísticos com a União Soviética, mas estava próximo o suficiente para contribuir para com seu propósito simbólico e dissuasor sobre a psicologia das massas. Pousar um homem na lua era um tipo de exagero, em relação a pousar uma bomba nuclear em Moscou, e expressava uma capacidade superabundante de entrega de carga que havia ganho uma guerra de mensagens.

Em um artigo originalmente publicado no The American Spectator (10 de novembro de 2010), Iain Murray e Rand Simberg descrevem a corrida lunar como a Fronteira Final do Governo Grande, observando que:

Há algo sobre a política espacial que faz com que os conservadores esqueçam seus princípios. Apenas uma menção da NASA, e os conservadores estão bastante felizes em deixar seus instintos de governos pequenos na porta e votar a favor de programas governamentais massivos e duras regulamentações que sufocam as empresas privadas.

Eles concluem:

É hora dos conservadores reconhecerem que a Apollo acabou. Devemos reconhecer que a Apollo era um programa governamental monopolista centralmente planejado por alguns empregados do governo, a serviço da propaganda da Guerra Fria e que, portanto, era em si uma afronta aos valores americanos. Se queremos explorar seriamente e potencialmente tirar proveito do espaço, precisamos aproveitar as empresas privadas e impulsionar as tecnologias realmente necessárias para se fazer isso.

Ao passo em que seria inutilmente perturbador traduzir isso como um chamado pela desnazificação do espaço sideral, seria igualmente enganoso não lê-lo como nada do tipo. A tecnocracia progressista, em uma gama de sabores nacionais, é a única política espacial efetiva que o mundo jamais viu e é bem mais provável — no curto prazo — que ela seja modernizada do que radicalmente suplantada. O desenvolvimento espacial apresenta um desafio coletivo tão imenso que suga até conservadores orientado à liberdade, como Simberg, a uma acomodação com o estado ativista, catalítico e neo-hamiltoniano. Pelo menos inicialmente, não há simplesmente nenhum outro lugar onde o maquinário barulhento do Leviatã esteja mais em casa.

A cultura popular pegou bem isso. Entre as muitas razões para a recepção extática do Alien (1979) de Ridley Scott estava a apreciação por seu retrato tonal ‘realista’ da atividade espacial prática. Ciência e comércio desempenhavam suas partes, mas a vanguarda era dominada por metal pesado semi-militar, financiado por orçamentos massivos, embasados em objetivos estratégicos solenemente obscuros, dirigidos e operados por tipos duros, obedientes e com cortes militares, que faziam o que fosse necessário para conseguir realizar tudo. Invadir a fronteira profunda exigia um seriedade rígida e blindada que os civis nunca entenderiam direito.

Quando repentinamente despojado de seu contexto na Guerra Fria, a guerra indireta do estado-foguete perdeu motivações coerentes e imediatamente se desviou do curso em direção a pseudo-objetivos cada vez mais ridículos. Nos anos finais do século 20, toda a pretensão de um grande impulso para fora tinha sido dissipada entre manutenção de satélites mercantis na OBT, projetos científicos pouco convincentes em gravidade zero, diplomacia ritualística sobre a estação espacial, RPs sobre astronautas multiculturais e mesmo esquemas cínicos de trabalho inútil para técnicos ex-soviéticos perigosamente competentes. A ciência inteligente continuou, embasada em sondas robóticas e telescópios espaciais, mas nada que sequer sugerisse um ímpeto em direção à colonização espacial, ou sequer uma nave tripulada, e ela tipicamente aconselhava contra isso de maneira explícita. Apesar do bem real heroísmo das ‘coisas certas‘, colocar pessoas no espaço era um ato circense e talvez sempre tivesse sido.

O que quer mais que o espaço sideral possa ser, ele é um lugar onde a direita fica esquizóide, e quanto mais se pensa sobre isso, mais irregular a divisão. A ‘imagem’ aparentemente simples, dinâmica-tradicional e extremamente estimulante da fronteira ilumina esse ponto. A fronteira é um espaço de autoridade formal atenuada, onde processos empreendedores ‘de cima para baixo’ de formação social e esforço econômico são cultivados em meio a ‘individualistas grosseiros’ arquetípicos, sua afinidade com impulsos libertários tão estreita que ela estabelece o modelo (‘homesteading‘) de direitos naturais de propriedade e, ainda assim, de maneira igualmente inegável, ela é uma zona de guerra selvagem e informal, aberta como uma decisão política, pacificada através da incessante aplicação da força e desenvolvida como um imperativo estratégico, no interesse da integração territorial-política. Ao fugir do estado, na direção da fronteira, o colonizador ou colono estende o alcance do estado em direção à fronteira, trazendo-o para fora e elevando sua ferocidade, ou encrespando-o. O caminho da fuga anti-governamental se confunde com uma correspondente expansão, endurecimento e re-feralização do estado, conforme a cavalaria aprende com os índios, em um lugar sem regras. Aí chega a ferrovia. The Moon Is a Harsh Mistress encontra Starship Troopers.

“Uma estratégia para se alcançar benefícios econômicos a partir do espaço deve envolver tanto o governo quanto a indústria, como o fez o desenvolvimento do oeste americano”, argumenta Martin Elvis, e ninguém discorda de maneira séria. Quando quer que o realismo seja priorizado no horizonte extraterrestre, alguma variante do progressismo tecnocrata duro-e-sujo sempre está esperando na plataforma de lançamento, pronta para colocar negócios exo-planetários nos ombros de impulsionadores patriotas de primeiro estágio financiados pelo estado. A desnazificação precipitada é estritamente para molengas presos à terra Os cabos de arranque neo-hamiltonianos funcionam bem demais para se abandonar. Como de costume, Simberg [expressa isso da melhor forma:

Os Estados Unidos deveriam se tornar uma nação espacial, e líderes de uma civilização espacial.

Isso significa que o acesso ao espaço deveria ser quase tanto uma rotina (se não exatamente tão barato) quanto o acesso aos oceanos, e com leis e regulamentações similares. Isso significa milhares, ou milhões, de pessoas no espaço — e não apenas empregados do governo escolhidos a dedo, mas cidadãos privados que gastam seu próprio dinheiro com seus próprios propósitos. Isso significa que deveríamos ter a capacidade de detectar um asteróide ou cometa vindo na direção da Terra e desviá-lo em tempo hábil. Similarmente, significa que deveríamos ser capazes de minerar asteróides ou cometas por seus recursos, para uso no espaço ou na Terra, potencialmente abrindo novas riquezas para o planeta. Significa que deveríamos explorar o sistema solar da maneira que o fizemos no Oeste: não enviando pequenos times de exploradores do governo — Lewis e Clark eram a exceção extrema, não a regra — mas por ter muitas pessoas vagando e observando o próximo riacho em busca de aventura ou lucro.

Deveríamos ter uma exploração massivamente paralela — e não apenas exploração, mas desenvolvimento, da maneira em que isso funcionou em toda fronteira anterior.

O que nos traz ao ‘NewSpace’…

[A seguir]

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Edward Glaeser sobre o Triunfo da Cidade

Entrevistamos o urbanista mais atual do mundo

Shanghai não é uma das cidades que aparecem seu livro. Ela é massiva e massivamente feita de arranha-céus. Você já considerou escrever sobre ela?

Shanghai é uma das maiores cidades do mundo, mas eu não conheço a cidade bem o suficiente para escrever sobre ela. Espero conhecer a cidade melhor e colocar os sucessos de Shanghai em alguma obra posterior.

A China é um lugar onde as cidades cresceram de maneira incrivelmente rápida e houve um êxodo em massa do campo para a vida urbana. No que você acha que as cidades da China deveriam se focar conforme crescem?

A cidades, hoje, prosperam enquanto forjas de capital humano e motores de inovação. A China claramente reconhece isto e está investimento maciçamente em educação. Isso deveria continuar. De maneira igualmente importante, a China precisa focar em fomentar mais empreendedorismo eliminando quaisquer barreiras que restem a pequenas start-ups.

Você fala sobre como as cidades deveria ser vistas como “massas de humanidade conectada”, em vez de aglomerações de construções. Você acha que isto é bem entendido neste momento, ou muitos lugares ainda estão tentando “construir seu caminho de volta ao sucesso”?

Infelizmente, muito frequentemente líderes político tentam angariar manchetes com uma nova estrutura chamativa. A chave é focar naqueles investimento em infraestrutura que realmente beneficiarão as pessoas na cidade.

Você é otimista quanto à possibilidade dos planejadores urbanos ao redor do mundo encontrarem o equilíbrio entre Paris e Mumbai, isto é, entre o planejamento central no estilo Haussman, que corre o risco de esterilidade, e um cada-um-por-si caótico?

Essa é a pergunta de um trilhão de dólares. Eu gostaria de poder ser mais otimista, mas o planejamento urbano é difícil e muitos governos são ou incapazes de gerenciar o caos, ou demasiado inclinados ao controle central. Isto reque não apenas conhecimento, mas força política, e essa é uma combinação rara.

Quais cidades ao redor do mundo estão acertando? Quais não estão?

Eu acredito que Singapura é a cidade mais bem gerida do mundo – boas escolas, uma excelente política de transportes e um abordagem sensata à regulamentação. Mas Hong Kong também é bastante impressionante, e eu pessoalmente prefiro seu estilo um pouco mais caótico.

O ocidente tem muitas potência urbanas, mas poucas delas são realmente modelos de gestão perfeita. Por exemplo, eu sou um grande fã do Prefeito Menino em Boston, mas apesar de mais de 15 anos de trabalho duro, as escolas de Boston ainda estão tendo dificuldades.

Obviamente, Barcelona, Paris e Milão são todas cidades encantadoras e maravilhosas, mas elas não são necessariamente modelos de boa gestão.

Você é cautelosamente otimista em seu livro, mas o que lhe preocupa mais quanto ao futuro da cidade?

Os maiores desafios estão nas mega-cidades do mundo em desenvolvimento, especialmente na África. Estamos muito longe de fornecer sequer os essenciais básicos como água potável em muitos lugares.

Nos EUA, temos problemas enormes de má gestão fiscal que precisão ser abordados. Além disso, há sempre a possibilidade de desastres físicos realmente grandes – sejam naturais ou humanos.

Há alguma maneira de se contornar o fato de que as cidades mais vibrantes também se tornam as mais caras – ou, como você diz no livro, isto é simplesmente o preço da boa saúde urbana?

As leis da oferta e da demanda não podem ser revogadas. Se uma cidade é atraente e produtiva, a demanda pelos seus imóveis será alta. O melhor antídoto para isso é uma oferta abundante, mas é um erro subsidiar a habitação urbana. O melhor caminho em direção a uma maior acessibilidade vem de uma construção privada de habitação que seja regulamentada apenas tanto quanto for absolutamente necessário. Ainda assim, construir pode ser caro e isso sempre tornará os preços nas cidades bem-sucedidas mais caros.

Ao funcionarem como motores de oportunidade econômica e como refúgios, as cidades tendem a concentrar disparidades econômicas. Você acha que se pode argumentar que tais desigualdades poderiam ser interpretadas como um sintoma do sucesso urbano? Você poderia estar sutilmente sugerindo isso em sua própria obra?

Eu estou sugerindo exatamente isso. A desigualdade nacional pode ser um problema real, mas a desigualdade local pode ser um sinal de saúde. As cidades tipicamente não tornam as pessoas pobres, elas atraem pessoas pobres. A desigualdade de uma cidade reflete o fato de que ela atrai pessoas ricas e pobres igualmente, e isso é algo a se admirar.

Como as cidades podem se esforçar para controlar a desigualdade e evitar guetos de ricos e pobres? Elas sequer deveriam estar tentando?

A educação é a melhor arma contra a desigualdade. As cidades deveriam estar se esforçando para garantir que as crianças de cada pai e mãe tenham uma chance de serem bem-sucedidas.

Algum grau de estratificação por renda é inevitável, mas a segregação pode ser bastante custosa porque tais separações significam que pessoas isoladas perdem as vantagens urbanas da conexão. Não existem grandes ferramentas para a redução da segregação, mas os governos deveriam garantir que suas políticas não exacerbem a segregação.

Geoffrey West, no Santa Fe Institute, tem estudado as cidades como ‘sistemas complexos’ e identificou uma série de padrões confiáveis e quantificáveis sobre este fundamento. Você acha este tipo de análise informativa ou relevante para sua obra?

Cidades são, de fato, sistemas complexos.

Mesmo no mundo moderno, com o nacionalismo ascendente, cidades-estado parecem ser incomumente bem-sucedidas. As cidades fornecem um desafio às concepções dominantes sobre organização política em larga escala? Como você avalia os prospectos das políticas de devolução, com uma ênfase municipal?

Eu não acho que os estados-nação estarão propensos a ceder tanto poder assim, e as cidades podem continuar economicamente dominantes, mas politicamente fracas. O caminho nos EUA continua a ser em direção a mais, não menos, poder nacional, e eu acho que isso provavelmente é um erro. Em muitos casos – tais como Mumbai – escolhas locais certamente seriam melhores do que as escolhas impostas às cidades vindas de cima.

Além do seu próprio trabalho, quem você considera serem os autores mais importantes sobre cidades hoje?

Eu admiro profundamente o historiador de Columbia, Kenneth Jackson.

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Implosão

Poderíamos estar à beira de uma implosão catastrófica – mas isso é OK

A ficção científica tem tendido à extroversão. Na América especialmente, onde ela encontrou um lar natural entre um povo incomumente orientado ao futuro, o objeto icônico da FC foi indisputavelmente a nave espacial, que parte dos confins da Terra para fronteiras sem entraves. O futuro era medido pelo enfraquecimento do fosso de gravidade terrestre.

O cyberpunk, chegando na metade dos anos 1980, causou um choque cultural. O Neuromancer de William Gibson ainda incluía alguma atividade espacial (na órbita da Terra) – e até mesmo uma comunicação de Alpha Centauri – mas suas jornadas agora se curvavam para dentro do espaço interior de sistemas computacionais, projetadas através dos tratos desprovidos de estrelas do Ciberespaço. A comunicação interestelar contornava espécies biológicas e ocorria entre inteligências artificiais planetárias. Os Estados Unidos da América pareciam ter desaparecido.

Espaço e tempo haviam colapsado na ‘matriz do ciberespaço’ e no futuro próximo. Mesmo as distâncias abstratas do utopismo social haviam sido incineradas nos núcleos de processamento de micro-eletrônicos. Julgado pelos critérios da ficção científica mainstream, tudo em que o cyberpunk tocava estava passando raspando e ficando ainda mais perto. O futuro havia se tornado iminente e colado.

As cidades de Gibson não haviam acompanhado sua visão mais ampla – ou estreita. Os espaços urbanos de sua Costa Leste da América do Norte ainda eram descritos como ‘The Sprawl’, como se encalhados em um estado de extensão que rapidamente ficava obsoleto. As forças esmagadoras da compressão tecnológica haviam pulado para além da geografia social, sugando toda a animação histórica das cascas decadentes do ‘espaço de carne’. Construções eram relíquias, contornadas pela vanguarda da mudança.

(As referências de Gibson a cidades asiáticas, contudo, são bem mais intensas, inspiradas por inovações em compressão urbana tais como a Kowloon Walled City, e os ‘hotéis caixão’ japoneses. Além disso, os urbanistas desapontados pela primeira onda do cyberpunk têm toda razão para prosseguir até Spook Country, onde a influência da tecnologia de GPS sobre a reanimação do espaço urbano nutre especulações altamente férteis.)

Cruzeiros estelares e civilizações alienígenas pertencem à mesma constelação da ficção científica, reunidas pela suposição do expansionismo. Assim como, no âmbito da ficção, esse futuro de ‘ópera espacial’ colapsou no cyberpunk, na ciência (mais ou menos) mainstream – representada pelos programas do SETI – ele pereceu no deserto do Paradoxo de Fermi. (OK, é verdade, o Urbano Futuro tem uma obsessão bizarramente nerd com este tópico.)

A solução de John M. Smart para o Paradoxo de Fermi é integral às suas mais amplas ‘Especulações sobre a Cultura Cósmica’ e emerge naturalmente do desenvolvimento compressivo. Inteligências avançadas não se expandem espaço adentro, colonizando vastos tratos galáticos ou dispersando sondas-robô auto-replicantes em um programa de exploração. Em vez disso, elas implodem, em um processo de ‘transcensão’ – provendo seus próprios recursos primariamente através dos ganhos hiper-exponenciais de eficiência da miniaturização extrema (através da engenharia de escala micro, nano e até femto, de componentes funcionais subatômicos). Tais culturas ou civilizações, nucleadas por sobre uma inteligência tecnológica auto-aumentadora, emigram do universo extensivo na direção da intensidade abismal, esmagando a si mesmas até densidades de buracos negros, na borda da possibilidade física. Através da transcensão, elas se retiram da comunicação extensiva (embora, talvez, deixem ‘fósseis radiofônicos’ para trás, antes que eles parem de piscar, indo para o silêncio da fuga cósmica).

Se as especulações de Smart capturam os contornos básicos de um sistema de desenvolvimento atraído pela densidade, então se deveria esperar que as cidades seguissem um caminho comparável, caracterizado por uma fuga para dentro da interioridade, uma viagem interior, involução ou implosão. Aproximando-se da singularidade em uma trajetória acelerante, cada cidade se torna cada vez mais voltada para dentro, conforme se torna presa da irresistível atração de sua própria intensificação hiperbólica, ao passo que o mundo exterior desvanece em estática irrelevante. Coisas desaparecem em cidades, em um caminho de partida do mundo. Sua destinação não pode ser descrita dentro das dimensões do universo conhecido – e, com efeito, tediosamente familiar demais. Apenas no interior exploratório profundo é que a inovação ainda está ocorrendo, mas ali ela tem lugar a uma taxa infernal e que derrete o tempo.

O que um desenvolvimento urbano de tipo Smart poderia sugerir?

(a) Devo Previsibilidade. Se o desenvolvimento urbano não é nem aleatoriamente gerado por processos internos, nem arbitrariamente determinado por decisões externas, mas sim guiado predominantemente por um atrator de desenvolvimento (definido primariamente pela intensificação), se segue que o futuro das cidades é, pelo menos parcialmente, autônomo em relação às influências política nacional, econômica global e arquitetônica cultural que são frequentemente invocadas como fundamentalmente explicativas. O urbanismo pode ser facilitado ou frustrado, mas suas principais ‘metas’ e caminhos práticos de desenvolvimento são, em cada caso individual, interna e automaticamente gerados. Quando uma cidade ‘funciona’, não é porque ela se conforma a um ideal externo e discutível, mas sim porque ela encontrou uma rota para a intensificação cumulativa que projeta fortemente seu ‘próprio’ caráter urbano, singular e intrínseco. O que uma cidade quer é se torna ela mesma, mas mais – levando a si mesma mais adiante e mais rápido. Apenas isto é o florescimento urbano, e entendê-lo é a chave que destranca a forma do futuro de qualquer cidade.

(b) Metropolitanismo. O nacionalismo metodológico tem sido sistematicamente sobre-enfatizado nas ciência sociais (e não apenas às custas do individualismo metodológico). Uma variedade de pensadores urbanos influentes, de Jane Jacobs a Peter Hill, buscaram corrigir este viés, ao focar na significância e parcial autonomia de economias urbanas, culturas urbanas e da política municipal para a prosperidade, a civilização e as eras douradas. Eles estavam certos em fazê-lo. O crescimento das cidades é o fenômeno sócio-histórico básico.

(c) Introversão Cultural. John Smart argumenta que uma inteligência que sofre um desenvolvimento relativista avançado acha a paisagem externa cada vez menos informativa e absorvente. A busca por estímulo cognitivo a atrai para dentro. Conforme as culturas urbanas evoluem, através de uma complexidade social acelerante, pode-se esperar que elas manifestem exatamente este padrão. Seus processos internos de implosão desembestada de inteligência se tornam cada vez mais emocionantes, cativantes, surpreendentes, produtivos e educacionais, ao passo que a paisagem cultural mais ampla fica para trás no tédio previsível, de relevância meramente etnográfica e histórica. A singularidade cultural se torna cada vez mais urbana-futural (em vez de etno-histórica), para o previsível descontentamento dos estados-nação tradicionais. Como o Ciberespaço Terrestre de Gibson, que encontra outro de seu tipo em uma órbita ao redor de Alpha Centauri, a conectividade cosmopolita é criada através da viagem interior, ao invés da extensão expansiva.

(d) Ressonância de Escala. No nível mais abstrato, a relação entre urbanismo e microeletrônicos é escalar (fractal). Os computadores por vir estão mais próximos de cidades em miniatura do que de cérebros artificiais, dominados por problemas de tráfego (congestionamento), migração / comunicação, questões de zoneamento (uso misto), o potencial de engenharia de novos materiais, questões de dimensionalidade (soluções 3D para restrições de densidade), dissipação de entropia ou calor / desperdício (reciclagem / computação reversível) e controle de doenças (novos vírus). Uma vez que as cidades, assim como computadores, exibem um desenvolvimento (filogenético acelerante) dentro de um tempo histórico observável, elas fornecem um modelo realista de melhoria para máquinas compactas de processamento de informação, sedimentado como uma série de soluções práticas para o problema da intensificação implacável. A emulação do cérebro poderia ser considerada uma meta computacional importante, mas ela é quase inútil enquanto modelo de desenvolvimento. Tecnologias microeletrônicas inteligentes contribuem para o processo em aberto da solução de problemas urbanos, mas elas também a recapitulam em um novo nível.

(e) Matriz Urbana. O desenvolvimento urbano exibe a real embriogênese da inteligência artificial? Em vez da Internet global, da Skynet militar, ou de um programa de IA com origem em um laboratório, seria o caminho da cidade, embasado em intensificação acelerante (compressão STEM), que melhor fornece as condições para a computação sobre-humana emergente? Talvez a principal razão para pensar assim seja que o problema da cidade – administração e acentuação de densidade – já a compromete à engenharia computacional, antes de qualquer pesquisa deliberadamente guiada. A cidade, por sua própria natureza, se comprime, ou intensifica, em direção ao computrônio. Quando a primeira IA falar, poderia ser em nome da cidade que ela identifica como seu corpo, embora mesmo isso fosse pouco mais do que um ‘fóssil radiofônico’ – um sinal anunciando a beira do silêncio – conforme o caminho da implosão se aprofunda e desaparece dentro do interior alienígena.

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Horizonte de Eventos

As pessoas gravitam em direção às cidades, mas em direção ao que a cidades estão gravitando? Algumas estranhas possibilidades se sugerem.

As cidades são definidas pela densidade social. Esta compreensão simples, mas de enormes consequências, fornece a tese central do Triumph of the City: How our Greatest Invention Makes us Richer, Smarter, Greener, Healthier and Happier (2011) de Edward Glaeser, onde é enquadrada tanto quanto ferramenta analítica quanto como projeto político.

“As cidades são a ausência de espaço física entre pessoas e companhias. Elas nos permitem trabalhar e brincar juntos, e seu sucesso depende da demanda por conexão física”, observa Glaeser.

A vida urbana de alta-densidade se aproxima de uma tautologia, e ela é uma que Glaeser não apenas observa, mas também celebra. Pessoas muito próximas são mais produtivas. Como Alfred Marshal notou em 1920, ‘economias de aglomeração’ alimentam um processo auto-reforçador de compressão social que sistematicamente supera populações difusas em todos os campos de atividade industrial. Além disso, os urbanitas também são mais felizes, vivem mais e sua pegada ecológica é menor, Glaeser insiste, baseando-se em uma variedade de evidências científicas sociais para fazer seu argumento. Quer os problemas sociais sejam articulados em termos econômicos, hedônicos ou ambientais, o urbanismo (denso) oferece a solução mais prática.

A conclusão que Glaeser tira, com bastante lógica, é que o adensamento deveria ser encorajado, em vez de inibido. Ele interpreta o espalhamento como um reflexo de incentivos perversos, ao passo em que contesta sistematicamente as escolhas de políticas que restringem a tendência à compressão urbana contínua. Sua linha de argumentação mais determinada se dirige em favor do desenvolvimento de arranha-céus e contra as restrições de planejamento que mantém a cidades tolhidas. Uma cidade que é impedida de se elevar será excessivamente cara e estará deficientemente excitada, sendo inflexível, ineficiente, suja, retrógrada e atravancada perifericamente com espalhamento e favelas. Adiante e acima é o caminho.

O planejamento urbano tem sua própria medida de densidade: o COS (ou Coeficiente de Ocupação do Solo), tipicamente determinado como limite estabelecido sobre a concentração permitida. Um COS de 2, por exemplo, permite que um empreiteiro construa um prédio de dois andares sobre toda uma área, um de quatro andares em metade da área, ou um de oito andares em um quarto da área. Um COS estabelece um teto médio para o desenvolvimento urbano. É essencialmente um dispositivo burocrático para tolher deliberativamente o crescimento vertical.

Como Glaeser mostra, os problemas de desenvolvimento urbano de Mumbai foram praticamente inevitáveis, devido ao bastante ridículo COS de 1,33 que foi estabelecido para a capital comercial da Índia em 1964. O desenvolvimento de favelas foi o resultado totalmente previsível.

Embora dispute com Jane Jacobs o impacto da construção de arranha-céus sobre a vida urbana, Glaeser está, em última análise, de acordo com a importância do desenvolvimento orgânico, embasado em padrões espontâneos de crescimento. Ambos atribuem os problemas urbanos mais ruinosos a erros de política, mais obviamente a tentativa de canalizar – e, na verdade, deformar – o processo urbano através de decretos burocráticos arrogantes. Quando as cidades falham em fazer o que vem naturalmente, elas fracassam, e o que vem naturalmente, Glaeser argumenta, é o adensamento.

Seria elegante se referir a esta profunda tendência em direção à compressão social, à emergência, crescimento e intensificação do assentamento urbano, como urbanização, mas não podemos fazer isso. Mesmo quando desajeitadamente nomeada, contudo, ela expõe uma realidade social e histórica profunda, com implicações surpreendentes, que quase equivalem a uma lei da gravitação especificamente social. Tal como acontece com a gravidade física, a compreensão das forças da atração social apóia as previsões, ou pelo menos os contornos gerais, da antecipação futurista, uma vez que essas forças de aglomeração e intensificação manifestamente moldam o futuro.

John M. Smart faz apenas referências passageiras a cidades, mas sua hipótese da Singularidade do Desenvolvimento (SD) é especialmente relevante para a teoria urbana, uma vez que foca no tópico da densidade. Ele argumenta que a aceleração, ou compressão temporal, é apenas um aspecto de uma tendência evolutiva (ou, mais precisamente, evolutiva-desenvolvimentista, ou ‘evo-devo’) geral que abarca espaço, tempo, energia e massa. Esta ‘compressão-STEM’ é identificada com uma inteligência ascendente (e com entropia negativa). Ela reflete uma pulsão cosmo-histórica profunda ao aumento da capacidade computacional que casa “processos evolutivos que são estocásticos, criativos e divergentes [com] processos de desenvolvimento que produzem estruturas e trajetórias estatisticamente previsíveis, robustas, conservadoras e convergentes”.

Smart observa que “a vanguarda da complexidade estrutural em nosso universo aparentemente transicionou de uma matéria primitiva universalmente distribuída, para galáxias, para estrelas replicantes dentro de galáxias, para sistemas solares em zonas galáticas habitáveis, para a vida sobre planetas especiais nessas zonas, para uma vida superior dentro da biomassa superficial, para cidades e, em breve, para tecnologia inteligente, que será um subconjunto vastamente mais local do espaço citadino da Terra”.

Audaciosamente, Smart projeta esta tendência ao seu limite: “Pesquisas atuais (Aaronson 2006, 2008) agora sugerem que construir computadores futuros embasados na teoria quântica, uma das duas grandes teorias da física do século XX, não produzirá uma capacidade computacional com crescimento exponencial, mas apenas quadrático, em relação à computação clássica de hoje. Na busca pela emergência de uma capacidade computacional futura verdadeiramente disruptiva, podemos, portanto, olhar para a segunda grande teoria física do último século, a relatividade. Se a hipótese da SD está correta, o que podemos chamar de computação relativista (um buraco-negro que se aproxima de um substrato computacional) será o atrator comum final para todas as civilizações universais em desenvolvimento bem-sucedidas”.

Conceba as histórias das cidades, portanto, como os segmentos iniciais de trajetórias que se curvam assintoticamente na direção da densidade infinita, no derradeiro horizonte de eventos do universo físico. O começo é fato registrado e o fim, bastante literalmente, ‘já era’, mas o que jaz no meio, isto é, a seguir?

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Para Além da Urbanização

‘Urbanização’ não captura muito do que as cidades estão fazendo

(Este post é basicamente uma nota de rodapé preventiva. Por favor, sinta-se ainda mais livre para ignorá-la do que você normalmente estaria.)

O tópico principal do Urbano Futuro é o desenvolvimento das cidades (com Shanghai enquanto caso exemplar). É peculiarmente frustrante, portanto, descobrir que nenhum termo único existe para descrever um processo que é, sem dúvidas, o mais importante de todos os fenômenos sociais e até mesmo a chave para qualquer significado que possa ser descoberto na história humana.

Uma coisa, pelo menos, é clara (ou deveria ser): o desenvolvimento urbano não é urbanização.

‘Urbanização’ é um conceito demográfico comparativamente rigoroso e bem definido, que se refere à redistribuição dinâmica de populações da existência não-urbana para a urbana. Uma vez que descreve a proporção de habitantes de cidades dentro de uma população, ela pode ser quantificada por uma percentagem, que estabelece um limite matemático estrito para o processo (assintótico em 100% urbanizado). Quando concebida historicamente, a aproximação a este limite segue uma curva abrupta, que ecoa as tendências (abertas) exponenciais ou super-exponenciais da modernização e da industrialização.

Embora teoricamente indispensável, claro, significativo e informativo, o conceito de urbanização é inadequado ao fenômeno do desenvolvimento urbano. As cidades são essencialmente concentracionais ou intensivas. Elas são definidas pela densidade social, distribuição desigual ou entropia negativa demográfica. A urbanização descreve apenas uma parte disso.

Dentro de todo o sistema demográfico, a urbanização fornece uma medida da fração urbana (embasada em uma definição pelo menos semi-arbitrária de uma cidade, por tamanho e por fronteira). Ela não diz nada sobre o padrão das cidades: quão numerosas elas são, o quanto elas diferem em escala relativa, quão rápido as cidades maiores crescem em comparação às menores ou, em geral, se uma população urbanizada está se tornando mais ou menos homogeneamente distribuída entre cidades. Na verdade, ela não nos diz nada que seja sobre a distribuição da população urbanizada, excepto que ela está, de alguma forma, agrupada em aglomerações de ‘escala citadina’.

Uma vez ‘agrupadas’ – ou trazidas para dentro do limiar espacial de uma nuvem de tamanho de cidade – uma partícula demográfica troca de identidade binária, de não-urbanizada para urbanizada. Registrada enquanto habitante de uma cidade, não há mais nada a ser dito sobre ela. Ainda assim, a cidade é, em si, uma distribuição, de densidade variável, ou concentração heterogênea. Dentro de cada cidade, a intensidade urbana pode aumentar ou cair, independente do nível geral de urbanização. O limite da urbanização não estabelece nenhuma restrição sobre as tendências de intensificação urbana, como exemplificado pela arquitetura de arranha-céus.

A urbanização é um conceito proporcional, indiferente à escala demográfica absoluta. Em contraste, medir intensidade, ou entropia negativa, fornece uma informação refinada que cresce com o tamanho do sistema considerado (uma vez que a medida da entropia é uma função logarítmica da escala do sistema, definida pela totalidade de distribuições possíveis, o que cresce exponencialmente com a população). Embora os fenômenos científicos sociais ou demográficos sejam altamente intratáveis para a análise intensiva quantitativa, sua realidade ainda assim é intensiva, o que seria dizer: determinada por uma variação distributiva de magnitudes absolutas. A medida da urbanização não é afetada pela duplicação da população de uma cidade, a menos que a população geral cresça a uma taxa menor. A intensidade urbana, em contraste, é altamente sensível à flutuação demográfica absoluta (e, não raramente, hiper-sensível).

Intensidades são caracterizadas por limiares de transição. Conforme elas crescem e caem, elas cruzam ‘singularidades’ ou ‘transições de fase’ que marcam uma mudança de natureza. Uma pequena mudança na magnitude intensiva pode desencadear um mudança catastrófica no comportamento do sistema, com a emergência de propriedades previamente não reveladas. Ao medir a urbanização, uma cidade é uma cidade é uma cidade. Enquanto concentração intensiva, contudo, uma cidade é um indivíduo real essencialmente variável, que passa através de limiares conforme cresce, inovando comportamentos sem precedentes e, assim, se tornando algo ‘qualitativamente’ novo.

Enquanto invoca a coragem para circular um neologismo adequado (‘urbanomia’?), o Urbano Futuro cambaleará adiante com estranhos compostos tais como ‘desenvolvimento urbano’, ‘intensificação urbana’, ‘condensação urbana’, ou o que quer que pareça menos doloroso no momento (embora queira dizer, em cada caso, o que a ‘urbanização’ descreveria se os urbanistas tivessem conseguido pegá-la antes que os demógrafos o fizessem).

Ainda assim, a despeito deste obstáculo linguístico, uma quantia surpreendente pode ser dita sobre o processo urbano em geral. Fazer um começo quanto a isso vem a seguir.

Original.