Edward Glaeser sobre o Triunfo da Cidade

Entrevistamos o urbanista mais atual do mundo

Shanghai não é uma das cidades que aparecem seu livro. Ela é massiva e massivamente feita de arranha-céus. Você já considerou escrever sobre ela?

Shanghai é uma das maiores cidades do mundo, mas eu não conheço a cidade bem o suficiente para escrever sobre ela. Espero conhecer a cidade melhor e colocar os sucessos de Shanghai em alguma obra posterior.

A China é um lugar onde as cidades cresceram de maneira incrivelmente rápida e houve um êxodo em massa do campo para a vida urbana. No que você acha que as cidades da China deveriam se focar conforme crescem?

A cidades, hoje, prosperam enquanto forjas de capital humano e motores de inovação. A China claramente reconhece isto e está investimento maciçamente em educação. Isso deveria continuar. De maneira igualmente importante, a China precisa focar em fomentar mais empreendedorismo eliminando quaisquer barreiras que restem a pequenas start-ups.

Você fala sobre como as cidades deveria ser vistas como “massas de humanidade conectada”, em vez de aglomerações de construções. Você acha que isto é bem entendido neste momento, ou muitos lugares ainda estão tentando “construir seu caminho de volta ao sucesso”?

Infelizmente, muito frequentemente líderes político tentam angariar manchetes com uma nova estrutura chamativa. A chave é focar naqueles investimento em infraestrutura que realmente beneficiarão as pessoas na cidade.

Você é otimista quanto à possibilidade dos planejadores urbanos ao redor do mundo encontrarem o equilíbrio entre Paris e Mumbai, isto é, entre o planejamento central no estilo Haussman, que corre o risco de esterilidade, e um cada-um-por-si caótico?

Essa é a pergunta de um trilhão de dólares. Eu gostaria de poder ser mais otimista, mas o planejamento urbano é difícil e muitos governos são ou incapazes de gerenciar o caos, ou demasiado inclinados ao controle central. Isto reque não apenas conhecimento, mas força política, e essa é uma combinação rara.

Quais cidades ao redor do mundo estão acertando? Quais não estão?

Eu acredito que Singapura é a cidade mais bem gerida do mundo – boas escolas, uma excelente política de transportes e um abordagem sensata à regulamentação. Mas Hong Kong também é bastante impressionante, e eu pessoalmente prefiro seu estilo um pouco mais caótico.

O ocidente tem muitas potência urbanas, mas poucas delas são realmente modelos de gestão perfeita. Por exemplo, eu sou um grande fã do Prefeito Menino em Boston, mas apesar de mais de 15 anos de trabalho duro, as escolas de Boston ainda estão tendo dificuldades.

Obviamente, Barcelona, Paris e Milão são todas cidades encantadoras e maravilhosas, mas elas não são necessariamente modelos de boa gestão.

Você é cautelosamente otimista em seu livro, mas o que lhe preocupa mais quanto ao futuro da cidade?

Os maiores desafios estão nas mega-cidades do mundo em desenvolvimento, especialmente na África. Estamos muito longe de fornecer sequer os essenciais básicos como água potável em muitos lugares.

Nos EUA, temos problemas enormes de má gestão fiscal que precisão ser abordados. Além disso, há sempre a possibilidade de desastres físicos realmente grandes – sejam naturais ou humanos.

Há alguma maneira de se contornar o fato de que as cidades mais vibrantes também se tornam as mais caras – ou, como você diz no livro, isto é simplesmente o preço da boa saúde urbana?

As leis da oferta e da demanda não podem ser revogadas. Se uma cidade é atraente e produtiva, a demanda pelos seus imóveis será alta. O melhor antídoto para isso é uma oferta abundante, mas é um erro subsidiar a habitação urbana. O melhor caminho em direção a uma maior acessibilidade vem de uma construção privada de habitação que seja regulamentada apenas tanto quanto for absolutamente necessário. Ainda assim, construir pode ser caro e isso sempre tornará os preços nas cidades bem-sucedidas mais caros.

Ao funcionarem como motores de oportunidade econômica e como refúgios, as cidades tendem a concentrar disparidades econômicas. Você acha que se pode argumentar que tais desigualdades poderiam ser interpretadas como um sintoma do sucesso urbano? Você poderia estar sutilmente sugerindo isso em sua própria obra?

Eu estou sugerindo exatamente isso. A desigualdade nacional pode ser um problema real, mas a desigualdade local pode ser um sinal de saúde. As cidades tipicamente não tornam as pessoas pobres, elas atraem pessoas pobres. A desigualdade de uma cidade reflete o fato de que ela atrai pessoas ricas e pobres igualmente, e isso é algo a se admirar.

Como as cidades podem se esforçar para controlar a desigualdade e evitar guetos de ricos e pobres? Elas sequer deveriam estar tentando?

A educação é a melhor arma contra a desigualdade. As cidades deveriam estar se esforçando para garantir que as crianças de cada pai e mãe tenham uma chance de serem bem-sucedidas.

Algum grau de estratificação por renda é inevitável, mas a segregação pode ser bastante custosa porque tais separações significam que pessoas isoladas perdem as vantagens urbanas da conexão. Não existem grandes ferramentas para a redução da segregação, mas os governos deveriam garantir que suas políticas não exacerbem a segregação.

Geoffrey West, no Santa Fe Institute, tem estudado as cidades como ‘sistemas complexos’ e identificou uma série de padrões confiáveis e quantificáveis sobre este fundamento. Você acha este tipo de análise informativa ou relevante para sua obra?

Cidades são, de fato, sistemas complexos.

Mesmo no mundo moderno, com o nacionalismo ascendente, cidades-estado parecem ser incomumente bem-sucedidas. As cidades fornecem um desafio às concepções dominantes sobre organização política em larga escala? Como você avalia os prospectos das políticas de devolução, com uma ênfase municipal?

Eu não acho que os estados-nação estarão propensos a ceder tanto poder assim, e as cidades podem continuar economicamente dominantes, mas politicamente fracas. O caminho nos EUA continua a ser em direção a mais, não menos, poder nacional, e eu acho que isso provavelmente é um erro. Em muitos casos – tais como Mumbai – escolhas locais certamente seriam melhores do que as escolhas impostas às cidades vindas de cima.

Além do seu próprio trabalho, quem você considera serem os autores mais importantes sobre cidades hoje?

Eu admiro profundamente o historiador de Columbia, Kenneth Jackson.

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