Links para Ayache

Há uma troca desalinhada de ideias com Elie Ayache ocorrendo nesta seção de comentários (conduzida, do lado de Ayache, com graça impecável). Chegar a um estado de competência mínima nessa conversa não vai ser fácil. Caso outros estejam inspirados a escalar os mesmos intimidadores penhascos intelectuais, eu reuni alguns links preliminares.

O arquivo principal dos seus escritos está aqui.

Sobre a principal obra de Elie Ayache, The Blank Swan ("O Cisne Branco", ainda sem tradução), o próprio EA se refere a duas análises, no NYT e no The Hindu. (O primeiro é sugestivo de completa incompreensão, o último faz uma impressão mais convincente de um entendimento pelo menos tênue.)

‘The Medium of Contingency’ ("O Meio da Contingência"), um ensaio filosófico no qual Ayache esboça sua tese básica, pode ser encontrado aqui.

Duas seções de discussão se engajam na obra de Ayache (aqui e aqui). Ayache participa da primeira como "numbersix".

A obra de Ayache é onde o Realismo Especulativo (especialmente Meillassoux) intercepta a realidade econômica. De uma perspectiva alternativa, ela é uma ‘radicalização’ extrema da crítica de Nassim Nicholas Taleb à modelagem gaussiana do mercado.

Ao descrever The Blank Swan, Ayache resume seu argumento como "… colocar o preço antes da probabilidade e a contingência absoluta antes da possibilidade". Interpretado em termos mais literários-filosóficos, isso equivale a "… uma reconstrução do mercado das reivindicações contingentes no âmbito da escrita e da diferença, em vez da identidade da delimitação de estados".

Este blog mantém que a inferência bayesiana (subjetiva probabilística) aplicada é o esquema insuperável da racionalidade capitalista, ou processamento de risco, em geral, como mais lucidamente evidenciado na especulação financeira. Quando Ayache alega ter excedido tal pensamento, para chegar em uma compreensão prática (e até mesmo algorítmica) da contingência absoluta, a resposta inicial do UF só pode ser altamente cética. Atualmente, tais reservas estão sendo sustentadas apenas como ‘antecedentes’ primitivos. Em outras palavras, esta inovação intelectual se parece, obscuramente, com uma aposta muito ruim.


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Ciclos Competitivos

Um argumento interessante de Marc Andreessen sobre algumas dinâmicas comparativamente negligenciadas da concorrência tecnológica (extratos selecionados):

1/Compressão do tempo de ciclo pode ser a força mais subestimada na determinação de vencedores & perdedores na tecnologia.
— Marc Andreessen (@pmarca) June 3, 2014

6/Segunda instância clara da compressão de tempo de ciclo: Melhorias de produto & ciclos de atualização para o consumidor para telefones vs TVs e carros.
— Marc Andreessen (@pmarca) June 3, 2014

7/Consumidores podem atualizar seus telefones a cada 1-2 anos, vs TVs a cada 5-8 anos? Carros a cada 10-12 anos? Com os telefones melhorando a passos largos.
— Marc Andreessen (@pmarca) June 3, 2014

9/Implicação: TVs e carros se tornarão acessórios para telefones, não o contrário. E já está acontecendo: Airplay, Chromecast.
— Marc Andreessen (@pmarca) June 3, 2014

Parece se seguir deste argumento que forças competitivas conduzem ciclos de produto na direção da compressão e, assim, da aceleração tecno-econômica. Indústrias com o comprimento de onda teconômica mais curto (maior frequência) ascendem à dominância, drenando recursos de setores relativamente retardados e resetando o pulso social para velocidades cada vez maiores.

ADICIONADO: Os "ensaios de twitter" de Andreessen integrados para uma leitura conveniente.


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Observe esse espaço

shanzhai 0

Hacked Matter sobre a próxima onda de eletrônicos shanzhai:

O Ciberespaço, tanto como palavra quanto como visão, entrou no léxico popular através do romance cyberpunk Neuromancer de William Gibson em 1984. Mas, como se vê, Gibson não estava interessado na Internet até que começou a comprar relógios no Ebay. Em um artigo de 1999 na Wired, ele detalha seu vício compulsivo em fazer ofertas por relógios mecânicos antigos — o que Gibson chama de "finos fósseis de uma era pré-digital". Mal sabia Gibson que, trinta anos depois de Neuromancer, relógios e o ciberespaço se fundiriam — não apenas porque agora é comum comprar relógios online, mas também graças aos "smart watches" que devem se tornar o mais recente portal para o ciberespaço.


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Alibaba

O Wall Street Journal produziu uma introdução excelente e cheia de gráficos à gigante chinesa do e-commerce, que conduziu US$240 bilhões em negócios online em 2013 (mais do que a Amazon e o E-Bay combinados). A definição informal no início explica porque você deveria se importar:

A Alibaba é maior empresa de comércio online da China – e, por algumas métricas, do mundo. Seus três principais sites – Taobao, Tmall e Alibaba.com – têm centenas de milhões de usuários e hospedam milhões de comerciantes e negócios. A Alibaba lida com mais negócios do que qualquer outra empresa de comércio eletrônico.

Espera-se que o IPO da Alibaba o valorize entre US$150 e 250 bilhões (colocando-a entre as dez empresas de tecnologia mais valiosas do mundo). A rapidez da mudança neste setor é difícil de compreender. Espera-se que o mercado de e-commerce chinês, hoje em US$300 bilhões, exceda US$700 bilhões em 2017.

ADICIONADO: Alguns antecedentes sobre o relacionamento Alibaba-Yahoo.

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O Bitcoin Sobreviverá?

Eli Dourado, autor do mais importante artigo inspirado pelo Bitcoin na web, continua publicamente comprometido com o futuro da criptomoeda. Na esteira da crise da Mt Gox, que afetou a maior bolsa de BTC do mundo (baseada no Japão), ele escreveu uma breve defesa do argumento otimista em uma veia nietzschiana: o que não nos mata, nos deixa mais fortes.

Em apenas quatro curtos parágrafos, Dourado consegue fazer um argumento significativo. A sobrevivência testada sob pressão tem um valor. Quanto mais feroz o ambiente do Bitcoin se mostrar, tanto mais vantajosa sua posição competitiva em relação a criptomoedas alternativas, já que sua resiliência é demonstrada e divulgada. A efetuação de um potencial (catástrofe) resolve o risco, deixando o que quer que sobreviva ampliado por um prêmio de segurança. "Agora aconteceu de que fazer com que um ecossistema de criptomoedas cresça é muito, muito difícil — mais difícil do que talvez tenhamos pensado. Segue-se diretamente que o Bitcoin enfrenta menos concorrência das outras criptomoedas do que pensávamos. …já que é difícil de ser bem sucedido, se o Bitcoin for bem sucedido, então ele pode valer bastante".

Os dois links de Dourado fazem ainda mais trabalho. O primeiro é para um pré-obituário recente de Megan McArdle sobre o BTC, que argumenta que o dano à reputação infligido pelo fisco da Mt Gox o enfraquecerá ainda mais no que sempre foi um desafio quixotesco ao poder estatal:

Eu nunca fui muito otimista sobre o Bitcoin, porque, em última análise, quanto melhor for seu desempenho em evitar a vigilância governamental sobre as transações monetárias (e a capacidade do governo de gerir cargas de dívida através da inflação), tanto mais duramente esses governos vão tentar acabar com ele.

Governos gostam de cobrar um imposto inflacionário invisível e ficam irritados quando as pessoas tentam contorná-lo. (Tudo isso é bem explícito, em ambos os lados). O esquilíbrio de oportunidades dentro desse conflito é intricado demais para se detalhar aqui, mas a absoluta submissão de McArdle à exação governamental claramente representa uma posição extrema entre os comentadores. Que o Bitcoin previsivelmente enfureça as autoridades financeiras estatais é uma funcionalidade, não um defeito.

O segundo link de Dourado se refere a um argumento mais antigo e mais sutil de Tyler Cowen, que faz um argumento pessimista contra o Bitcoin por razões estritamente econômicas. Na medida em que se veja o Bitcoin florescer, criptomoedas concorrentes serão atraídas para o mercado, arbitrando o valor de volta ao custo de oferta:

Assim, há um novo teorema: o valor de [qualquer]Coin deveria, no equilíbrio, ser igual aos custos de marketing de seus concorrentes em potencial …Em suma, ainda estamos em uma situação em que a arbitragem do lado da demanda não alcançou o valor do Bitcoin. E essa é uma razão — entre outras — pela qual eu espero que o valor do Bitcoi caia — muito.

[Vale bastante a pena seguir o link interno Cowen.]

Como já observado, a posição pessimista de Cowen é enfraquecida pelas recentes dores do Bitcoin. Quase independentemente do que acontecer a seguir, uma reputação estabelecida de resistência terá destaque na avaliação de mercado de qualquer criptomoeda a partir de agora.

Uma vez que o Bitcoin não terá sido morto — ele é quase impossível de matar — ele terá se tornado muito mais forte.

ADICIONADO: Hora da YellenCoin? (Não.)

ADICIONADO: "Então a Mt. Gox é a nova versão do Friendster, o antigo líder de redes sociais que se afundou pouco antes de o Facebook surgir? …a próxima geração de fundadores da Bitcoin é mais limpa, tem mais pedigree e está mais adequada aos gostos de Wall Street e Capitol Hill. Eles não são menos libertários ou lupinos.”

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Determinação Tecnológica

Determinismo tecnológico‘ está entre aqueles traços teóricos (‘falácia naturalista’ é um outro) que tendem a provocar imediatamente uma atitude de superioridade intelectual complacente, em vez de engajamento cognitivo. Meramente identificá-lo é tipicamente julgado como suficiente para uma rejeição. Se o DT como tal levanta uma questão, ela é facilmente perdida.

Uma questão sub-examinada poderia ser: Por que o determinismo tecnológico é tão plausível na sociedades modernas e ainda mais conforme elas se modernizam? O equilíbrio da determinação social dentro da sociedade é, em si, uma variável histórica instável, com uma tendência positiva inequívoca?

Dois relatos populares recentes de relevância vagueiam bastante ingenuamente para dentro da mira pré-definida da crítica. No The Atlantic, Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee anunciam o Alvorecer da Segunda Era das Máquinas, ao passo que o Deus-Google dos DTs, Ray Kurzweil, transmite sua previsão (através do Daily Mail britânico) de que "Os robôs serão mais inteligentes que os humanos mais inteligentes dentro dos próximos 15 anos". Os sofisticados zombarão — sem consequências.

Algumas razões rápidas para não se zombar.

(1) A tecnologia avançada segue aproximadamente a Lei de Moore e prevê um impacto comensurável no crescimento. Na ausência de tal crescimento, torna-se cada vez mais difícil evitar notar um mecanismo de compensação, que reequilibra através de um retardamento sistemático o que é perturbado através do desenvolvimento. O DT é de fato parcial, porque ele não tem qualquer explicação sobre o que está lhe segurando. Uma vez que isso seja reconhecido, contudo, ele descreve seu outro de maneira mais realista (como supressão orquestrada) do que o supressor pode explicar a si mesmo.

(2) A combinação de falha sócio-política com realização tecno-econômica — que emerge com definição impressionante da equação de crescimento líquido global — é apenas secundariamente uma questão de clareza conceitual. Primariamente, ela é uma divisão, ou quebra, na qual o determinismo tecnológico representa a instância dinâmica, e a crítica sócio-cultural sofisticada representa — na realidade — a contra-dinâmica, ou entidade retardante. A tentativa de "colocar a tecnologia em seu lugar" que é, de um lado, uma questão de razão abrangente teoricamente auto-evidente é, do outro, a tentativa cada vez mais cômica de um parasita de justificar sua relação com seu hospedeiro. (Esta é uma outra oportunidade de recomendar a visão geral de Andrea Castillo.)

(3) O que quer que a tecnologia possa fazer, ela está fazendo, em um passo acelerado. Conforme ela avança, ideias sobre os ‘limites do tecnológico’ são automaticamente tornadas obsoletas. Ser condescendente com uma máquina a vapor é uma coisa, tentar o mesmo com uma super-inteligência artificial é bem outra. A presunção crítica tem um horizonte externo.

"Queremos que [os computadores] leiam tudo na web e todas as páginas de todos os livros, e então sejam capazes de se engajar em um diálogo inteligente com o usuário para serem capazes de responder suas perguntas", explica Kurzweil. Então, o que você acha desse absurdo de determinismo tecnológico?, em breve seremos capazes de perguntar, arrogantemente.

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