Sem Opressão

Zachary Keck está estupefato com os achados de uma pesquisa recente da Global Scan, que descobriu uma ampla satisfação chinesa com a mídia e o ambiente de vigilância do país. Entre os achados, 76% dos chineses se sentem "livres de vigilância", comparado com apenas 54% dos americanos. Na medida em que a opressão pode ser avaliada subjetivamente, o ‘comunismo totalitário’ chinês não está fazendo ela muito bem.

Pode haver alguma maneira de minerar essas informações de maneira rigorosa, mas isso está para além do escopo da discussão até o momento. Keck devaneia sobre a possibilidade de que os vazamentos de Edward Snowden azedaram a opinião ocidental, embora "seja difícil saber quanto as visões podem ser atribuídas a expectativas diferentes que o chineses têm sobre liberdade, quando comparados com suas contrapartes em países democráticos, e quanto suas respostas podem ser atribuídas à ignorância geral sobre a vigilância e a censura do governo chinês. Eu suspeito que ambos os fatores provavelmente desempenham um papel, mas que o primeiro provavelmente é mais importante".

Um explicação alternativa é que as culturas ocidentais se desenvolveram de uma maneira que santifica a dissidência, e encontra a exemplificação da liberdade no ato ou na expressão do desafio. A suposição alternativa chinesa, de que a liberdade é principalmente sobre ser deixado em paz, é classicamente capturada pelo provérbio "As montanhas são altas, e o Imperador está bem longe" (山高皇帝远). Sem surpresas, pensa-se que esse ditado tenha se originado na empreendedora Província de Zhejiang (talvez o lugar mais civilizado do mundo).

Por que alguém, além de um idiota, iria procurar o imperador, simplesmente para espetar um dedo em seu olho? Não faça nada desse tipo, e não há muito chance de encontrar opressão. Um pouco de conexões de internet com falhas não se parecem com "uma bota pisando em um rosto humano — para sempre". Parece-se com uma inconveniência menor. Pelo menos, é isso que as evidências da pesquisa sugerem.

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Mediado

As estudantes mulheres nos EUA passam uma média de 12 horas por dia em imersão midiática. Supondo que os alunos normalmente durmam bastante, isso equivale a aproximadamente 75% de todas as horas de vigília, na média. É claro que é hora de recategorizar a sociologia como um sub-campo dentro dos estudos de mídia.

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