Wolfendale v. Urbano Futuro

Pete Wolfendale tem uma versão aqui. Houve alguns problemas de enfileiramento, então essa é a versão do Urbano Futuro:

“Uma análise apropriadamente escarnecedora da neorreação: https://thebaffler.com/latest/mouthbreathing-machiavellis”
“Como eu mencionei no workshop sobre #aceleracionismo onte: o fascismo da velha guarda usa o capitalismo como um meio para um anti-modernismo nostálgico…”
“.. ao passo que os neorreacionários propõem um anti-modernismo nostálgico como um meio de se defender o capitalismo. Se nada mais, isso é mais bobo que o fascismo.”
“@deontologistics Eu compreendo que os tipo neofeudais deixam fácil pra você, mas essa reversão constante a uma dialética política BDSM..”
“@deontologistics …é uma evasão do verdadeiro desafio: Saída acima da Voz. https://www.youtube.com/watch?v=cOubCHLXT6A”
“A modernidade está ameaçando sua fantasias libertárias de uma acumulação capitalista irrestrita? Por que não tentar a monarquia?”
“@deontologistics Ambos os pólos do espectro ideológica têm apegos a ideais (distintos) de emancipação.”
“@deontologistics … Nenhum deles os abandonará casualmente, não importante o quanto eles sejam ridicularizados como ‘bobos’.

@deontologistics They’ve been watching too much Game of Thrones basically.

— pjebleak (@pjebleak) May 24, 2014

“@deontologistics Eles assistiram Game of Thrones demais, basicamente.”

“@pjbleak É mais como se eles tivessem lido Snow Crash/Diamond Age do Neil Stephenson e pensado: “essa é uma diáspora distópica que eu posso apoiar!”
“@deontologistics @pjbleak Diamond Age é uma distopia? (É fácil de ver por que nenhum encontro de mentes é provável aqui.)”
“@UF_blog @pjebleak Ele faz um bom trabalho em mostrar a diferença entre avanço na tecnologia industrial e na teconologia social.”
“@deontologistics @pjebleak O organismo humano é altamente protegido contra gravação, então ‘tecnologia social’ é uma metáfora um tanto enganadora.”
“@UF_blog @pjebleak O organismo, sim, mas dicilmente as estruturas sociais que são compostas sobre ele. A maior parte da proteção contra gravação ali…”
“@UF_blog @pjebleak …é em si uma forma de tecnologia social (p. ex., ideais ascéticos nietzschianos, etc.).”
“@deontologistics @pjebleak ‘Estruturas sociais’ estão, em medida considerável, codificadas intrinsecamente nos organismos — é isso que “animal social” significa.”
“@UF_blog @pjebleak Não, ‘animal social’ significa a capacidade de criar interfaces de modo a criar estruturas sociais”
“@UF_blog @pjebleak Há uma diferença crucial entre dizer ‘há uma estrutura da estrutura social’ e inferir a partir disso que…”
“@UF_blog @pjebleak …estruturas sociais particulares são intrinsecamente codificadas.”
“@deontologistics @pjebleak Esse é um argumento do Levi-Strauss que eu não acho particularmente convincente.”
“@deontologistics @pjebleak A esquerda sempre vai enfatizar ao máximo a plasticidade das formas sociais, a direita o oposto.”
“@deontologistics @pjebleak …Seria ilusão assumir que tais ênfases passariam incontroversas fora do seu próprio eleitorado.”
“@UF_blog @pjebleak É um ponto lógico simples. A questão de quanta estrutura social está codificada é empírica e, bem, não… “
“@UF_blog @pjebleak …parece ser tanto assim.”
“@deontologistics @pjebleak Parece bastante pra mim.”
“@UF_blog @pjebleak Para usar os termos preferidos do @benedict, você está confundindo plataformas sociais generativamente enraizadas com códigos biológicos.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Códigos biolóhicos determinam uma paisagem altamente restritiva de modelos sociais funcionais.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict …As sociedades exploram essa paisagem, em diferentes velocidades. Bacias atratoras geralmente as capturam.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict A necessidade biológica é o último recurso dos canalhas.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict O seu time sem dúvida vai concordar com você.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict É o que a tautologia diz.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Super-enfatizar a plasticidade social é um erro utópico padrão.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Sim, a menos que seja um chamado para se explorar experimentalmente um espaço mais amplo de tecnologias sociais possíveis.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Eu apoio bastante isso. Contanto que seja embasado em uma Geografia Dinâmica, com saída e falha local.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Experimentação social comunista (por exemplo), se apropriadamente localizada, seria algo excelente de se ver.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Uma liberação recíproca para se tentar coisas diferentes é um negócio atraente (mas não estou prendendo minha respiração).
“@UF_blog @pjebleak @benedict Suas definições de experimentação sociais são bastante arcaicas, contudo. Fundamentalmente sobre competição…”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Competição é ‘arcaico’? Eu achei que vocês acreditavam em comunismo primitivo.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Veja o próximo tweet. Falha na internet.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict …entre estado-nações geograficamente distintos ou análogos deles. A biologia dificilmente é tão limitante.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict VocÇe está desconsiderando a possibilidade de opções competitivas e não-competitivas, lado a lado?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict … Se sim, então é claro que não há nenhum acordo possível a ser feito.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Divida. Use a geografia dinâmica para radicalizar nossos experimentos. Pare de universalizar. É tão difícil?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict … Todo o ponto é não ter que concordar. (Porque não vamos.)”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Pare de universalizar sociologicamente, universalizando biologicamente?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Pare de universalizar em geral. Deixe cada sociedade acreditar no que quiser. Faça sua própria coisa.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict ‘Cada sociedade’ é onde os arcaísmos biologicamente justificados estão.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict A geografia dinâmica faria uma sociedade ser um legado de preferências reveladas. Nenhuma teoria biológica é necessária.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Se há uma narrativa mestra sendo impose por sobre a fragmentação geo-política em si, isso não vai funcionar.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Você parece estar justificando a guerra geopolítica de todos contra todos como a única forma legítima de discordância.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict De fato, é bem importante ver que a lutas entre poleis fragmentadas não é discordância alguma.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Esse negócio de ‘luta’ está vindo inteiramente de você. Por que a geografia dinâmica implica em luta?”
“@UF_blog @pjebleak @benedict A competição termina na luta, a menos que limitada por uma estrutura competitiva. A GD é essa estrutura?”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Me parece que podemos desenvolver estruturas (socio-tecnológicas) melhores para a discordância do que a fragmentação”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Isso não vai acontecer, porque as “estruturas” que você gosta continuarão sendo massivamente controversas.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Ao contrário da FRAGMENTAÇÃO GEOPOLÍTICA.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Infelizmente, vai ser bagunçado. Parece que Esquerda nunca vai tolerar nada que não possa controlar.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Porque pedir seu próprio estado-nação pessoal para assegurar sua liberdade pessoal não é ser um maníaco por controle?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Liberdade é mania de controle? De qualquer forma, pelo menos a lógica da esquerda está clara.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Pensar que a liberdade é conseguir tudo da sua maneira é basicamente mania de controle, sim.”

***

“@deontologistics @pjebleak @benedict Um Phyle capitalista laissez-faire preferiria ignorar seu vizinho comunista do que ‘lutar’ com ele.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict E agora estamos de volta aos benefícios de nossos phylums preferidos.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Mas você não quer estar lá? Por quê?”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Se os benefícios da GD dependem das características do Phyle que você prefere, então você não está realmente…”
“@UF_blog @pjebleak @benedict …fornecendo um argumento a favor da GD agora, está?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict O argumento a favor da GD é que todo Phyle pode fazer o que quiser, ter sucesso ou falhar, experimentar.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict É tão bom quanto vai ficar. Dificilmente é provável que todo experimento insano vá funcionar.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Incluindo lutar um contra o outro fora dos limites de qualquer estrutura de discordância?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Lutar, lutar, lutar… é exaustivo. Seu Phyle não vai ter nada melhor pra fazer?”
“@UF_blog @pjebleak @benedict E estamos de volta aos Phyles em vez da GD.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Use qualquer linguagem que você quiser para uma unidade de fragmentação geopolítica.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Se você está argumentando que a natureza humana necessita fragmentação geopolítica, mas não está disposto a discutir…”
“@UF_blog @pjebleak @benedict …os piores resultados possível de tal fragmentação (isto é, luta sobre discordâncias) você parece ter um tanto…”
“@UF_blog @pjebleak @benedict …de um padrão duplo rolando.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Pelo menos está claro sobre o que isso se trata. Vocês querem fortalecer a rede dialética. Nós queremos sair.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Ambos sabemos que isso não vai ser resolvido por argumento. Será resolvido por tentativas de escapada, quer elas sejam bem sucedidas ou falhem.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Talvez, mas isso dificilmente invalida o argumento, especialmente dada a suposta importância da ‘discordância’.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Que argumento? O argumento de que argumentos têm que ser resolvidos antes que qualquer um possa sair da sala?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Isso É o comunismo. Eu realmente estou OK com as pessoas fazerem isso, mas apenas se elas o localizarem.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict O argumento de que qualquer deveria ter permissão para se apropriar dos recursos necessários para construir sua arca pessoal.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Eu estou OK com o capitalismo laissez-faire em arcas pessoais. Não tanto com seu uso para justificar sua construção.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Estou realmente grato por essa discussão, porque ela está explicando todo o derramamento de sangue mais adiante.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict E assim vai. Derramamento de sangue. Primeiro contra o muro. etc. etc.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict A necessidade de uma ‘luta’ é coisa sua. Nós só queremos Sair.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict …Saída Livre do nosso livre para sua utopia comunista, então nenhum “contra-o-muro” será necessário.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Nós substituiríamos, é claro, todo argumento político doméstico com “se você quer comunismo, vá lá.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict E a geografia dinâmica vem com fronteiras abertas, liberdade de movimento e custos de trânsito garantidos?”
“@deontologistics @pjebleak @benedict “Custos de trânsito”? Ah, fala sério! As liberdades de imigração, eu imagino, seriam não-universais.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict O que quer que possa ser feito para construir segurança de Saída, deveria ser. São vocês que têm o histórico problemático aqui.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Isso torna a Saída uma estrutura política, não simplesmente um evento singular. Abrangente, não paroquial.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Sim, é complicado. Provavelmente inevitável que as pessoas precisariam escolher seu Phyle com cuidado.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Se elas fizerem besteira, e ficarem presas na Coréia do Norte, não há muito que se possa fazer.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict …Se o registro histórico é algo que se pode seguir, isso não será um problema para repúblicas comerciais.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Experimentos coletivistas, por outro lado? Isso será para aqueles que vão nessa rota decidirem.”

***

“@deontologistics @pjebleak @benedict É o fato de que você está absolutamente determinado a não permitir a Saída que torna a sujeira inevitável.”
“@UF_blog @pjebleak @benedict Eu realmente nao estou absolutamente determinado. Há cenários especulativos que poderiam funcionar. Mas isso distorce…”
“@UF_blog @pjebleak @benedict …a discussão de possibilidades políticas mais realistas como uma lente ideológica deformada.”
“@deontologistics @pjebleak @benedict Essa é a meta-política do século XXI. A deformação mal começou.”

Sobre o #Acelerar (#2c)

Uma (rápida) digressão sobre velocidade

A aceleração, da maneira em que o Aceleracionismo a emprega, é um conceito abstraído da física. Neste sentido filosófico (e sócio-histórico), ele preserva sua definição matemática (consolidada pelo cálculo diferencial) enquanto derivadas superiores da velocidade, com uma referência continuada ao tempo (mudança na taxa de mudança), mas com a reaplicação da passagem através do espaço para o crescimento de uma variável determinável. A integridade teórica do aceleracionismo, portanto, repousa sobre uma abstração rigorosa a partir do espaço e relativa a ele, na qual a dimensão da mudança — representada graficamente contra o tempo — é mapeada sobre um objeto alternativo e quantificável. A cumplicidade implícita desse ‘objeto’ com o processo de abstração em si se traduzirá, em última análise, em complicações teóricas explícitas.

A fuga para a abstração é enredada teoricamente por emaranhados reflexivos. Dificuldades comparáveis surgem do lado da fuga ‘para fora’ do espaço, primariamente porque a coincidência da inteligibilidade com a espacialidade tende a se reforçar, ao invés de se dissolver, com cada novo incremento de abstração, propulsionando a inteligência para dentro de espaços de fase, espaços de probabilidade, o Ciberespaço e desterritorialização. O espaço é liberado de sua concretude ‘original’ para a pureza do meio intuitivo, ao passo em que adquire uma inteligibilidade ativa enquanto espaço de exibição, dentro do qual os conceitos se tornam sensíveis. Não há ilustração mais arcaica, ou mais contemporânea, do que a intuição do tempo através do espaço, conforme demonstrado por toda a história da horometria, pela linha do tempo, pela dimensionalização do tempo e pela dinâmica graficamente representada. O espaço se afixa à mensuração em seu caminho até a abstração, e até mesmo a leva lá.

A insistência do espaço também é demonstrada por uma tendência de qualquer abstração da aceleração a sofrer uma reversão, conforme seu índice de mudança é reanexado a diferenciações da velocidade (física). No contexto do debate sobre The Great Stagnation ("A Grande Estagnação") — o hiato mais proeminente dentro da história recente do pensamento aceleracionista — uma noção altamente abstraída de aceleração teconômica (negativa) é restaurado a uma medida exatamente dessa forma.

Em uma entrevista com Francis Fukuyama, Peter Thiel demonstra o processo:

… você tem … dois pontos cegos diferentes, na Esquerda e na Direita, mas tenho estado mais interessado no ponto cego em comum a elas, que estamos menos inclinados a discutir enquanto sociedade: a desaceleração tecnológica e a questão de se sequer ainda estamos vivendo em uma sociedade com avanço tecnológico. Eu acredito que o final dos anos 1960 não foi apenas uma época em que o governo parou de funcionar bem e vários aspectos do nosso contrato social começaram a se desgastar, mas também em que o progresso científico e tecnológico começou a avançar muito mais lentamente. Claro, a era do computador, com os desenvolvimento da internet e da web 2.0 dos últimos 15 anos, é uma exceção. Talvez o setor financeiro, que tem visto bastante inovação no mesmo período (inovação demais, alguns argumentariam), também seja.

Houve uma desaceleração tremenda em todos os outros setores, contudo. Olhe para os transportes, por exemplo: Literalmente, não estamos nos movendo nem um pouco mais rápido.

Em um artigo anterior, publicado na National Review, Thiel se refere explicitamente a um "problema de mensuração" — de uma só vez teórico e político — que obstrui estimativas confiáveis de desenvolvimento tecno-científico. Embora seja importante reconhecê-lo, ele aconselha, ele não deveria "deter nossa investigação sobre a modernidade antes que ela sequer tenha começado":

Quando traçado contra as esperanças reconhecidamente elevadas dos anos 1950 e 1960, o progresso tecnológico ficou aquém em muitos domínios. Considere a instância mais literal de não-aceleração: Não estamos mais nos movendo mais rápido. A aceleração secular das velocidades de viagem — desde de veleiros cada vez mais rápidos entre os séculos XVI e XVIII, até o advento de ferrovias cada vez mais rápidas no século XIX, e carros e aviões cada vez mais rápidos no século XX — se reverteu com o descomissionamento do Concorde em 2003, para não se falar nada dos atrasos torturantes causados pelos sistemas de segurança de tecnologia surpreendentemente baixa dos aeroportos após o 11 de Setembro. Os defensores atuais de jatos espaciais, férias lunares e da exploração tripulada do sistema solar parecem vir de outro planeta. Uma matéria de capa desbotada da Popular Science em 1964 — "Who’ll Fly You at 2,000 m.p.h.?" ("Quem Vai Lhe Fazer Voar a 3000km/h?") — mal lembra os sonhos de uma época passada.

A explicação oficial para a desaceleração nas viagens se centra no alto custo do combustível, o que aponta para a falha muito maior na inovação energética….

De maneira notável, em uma avaliação da rapidez anômala da inovação computacional, ele reafirma o "problema de mensuração" em termos familiares (muito mais recentemente) ao #Acelerar: "como se mede a diferença entre progresso e mera mudança? Quanto há de cada um?" Seu procedimento, então, antecipa aquele recomendado ao longo dessa série:

Vamos agora tentar atacar esse problema bastante espinhoso da mensuração a partir de um ângulo bastante diferente. Se o progresso científico e tecnológico significativo ocorre, então esperaríamos, de maneira razoável, uma prosperidade econômica maior (embora isso possa ser compensado por outros fatores). E, igualmente, ao contrário: Se ganhos econômicos, conforme mensurados por certos indicadores chave, tiverem sido limitados ou não existentes, então talvez o progresso científico e tecnológico também o tenha sido. Portanto, na medida em que o crescimento econômico é mais fácil de quantificar do que o progresso científico ou tecnológico, números econômicos irão conter indicações indiretas, mas importantes, para nossa investigação mais ampla.

A necessidade teórica nos guia do espaço físico para uma abstração econômica. É apenas realista, contudo, estar preparado para as maneiras na quais — de acordo com necessidades profundas e obscuras — este caminho será curvado pelo retorno insistente do espaço. De todas aquelas coisas com um excesso de confiança em seus próprios poderes de aceleração ou de alcançar facilmente velocidade de escape, a abstração filosófica não é, de forma alguma, a menos suscetível a uma pressa contra-produtiva — e ilusória.

Original.

Sobre o #Acelerar (#1)

O #Acelerar se posiciona muito claramente dentro de uma tradição intelectual marxiana. Nesse aspecto, ele se mantém consistente com a corrente principal de pensamento ‘aceleracionista’, da forma em que foi desenvolvida a partir do Manifesto Comunista de Marx, passando pelos escritos posteriores de Marx sobre imperialismo e relações internacionais, e adentrando o semi-marxismo ‘nietzschianizado’ de Deleuze, Guattari e Lyotard. A recomendação política constante que perpassa esse diverso legado é o alinhamento com a revolução social capitalista, a fim de efetuar sua implicação escatológica derradeira. Interromper o desenvolvimento capitalista é retardar a formação da classe revolucionária final — o proletariado internacional radicalmente industrializado (ou qualquer esquizo-enxame decodificado que ele mais tarde se torne). Daí o slogan imperativo definidor de Deleuze & Guatteri: Acelere o processo.

Para além desse ponto, contudo, a obscuridade se acumula rapidamente. Em particular, não está nem um pouco claro qual tendência ampla de teoria marxista está sendo extrapolada. A partir das pistas retóricas disponíveis, não parece que o #Acelerar endossa a quebra deleuzoguatteriana completa com o marxismo clássico — que cruza a catástrofe teórica que inclui o abandono da Lei do Valor (em uma adoção da ‘mais-valia maquínica’, do ‘valor maquínico de código’ e do marginalismo); a diferenciação entre ‘capitalismo’ e economia de mercado (seguindo Braudel); a denúncia do socialismo de estado como um ‘Despotismo Oriental’ regressivo (seguindo Wittfogel); e uma desumanização do sujeito revolucionário sem limites óbvios (recorrendo a fonte que vão de Samuel Butler a Antonin Artaud). Se este fosse o vetor sendo perseguido, isso estaria — por certo — vividamente evidente?

Assumindo, então, que o #Acelerar recue para uma estrutura marxiana mais reconhecível, como essa estrutura teórica deve ser entendida? A questão interna decisiva para a tradição marxista (séria) se refere ao Problema da Transformação, uma vez que é apenas se este for considerado solúvel que qualquer coisa como uma continuidade do marxismo clássico (ou uma ‘Lei do Valor’ crível) pode ser sequer vislumbrada. Vale a pena relembrar que críticos abrangentes de Marx — aqueles que não encontram nada de significância positiva a ser resgatado de sua obra — tomaram, a partir de Böhm-Bawerk, o Problema da Transformação como a conclusão do reductio ad absurdum feito por Marx da Teoria do Valor-Trabalho (conforme herdada de Smith e Ricardo), vendo o significado econômico rigoroso do sistema marxiano como tendo sido inteiramente exaurido nessa demonstração. Permanecer sendo um marxista em qualquer sentido que não seja absurdo depende de algum outro caminho ter sido tomado, mas qual deles? O #Acelerar não oferece nenhuma indicação óbvia. (A literatura sobre isso é vasta, então seria útil saber onde focar.)

Sem uma resolução do Problema da Transformação — e mesmo um esparadrapo bem posicionado seria provisoriamente suficiente — não pode haver nenhum conceito consistente de exploração, ou sequer um sentido teoricamente significativo de tempo de trabalho. Isso é especialmente relevante, porque desempenha um papel crucial na resposta de Antonio Negri ao #Acelerar, que capta um observação tentadora no próprio manifesto:

Todos queremos trabalhar menos. É uma questão intrigante por que o principal economista do mundo da era pós-guerra acreditava que um capitalismo iluminado inevitavelmente progrediria em direção a uma redução radical da jornada de trabalho. Em “Perspectivas Econômicas para Nossos Netos” (escrito em 1930), Keynes previu um futuro capitalista onde indivíduos teriam seu trabalho reduzido a três horas por dia. O que ocorreu, entretanto, foi a progressiva eliminação da distinção entre trabalho e vida, com o trabalho acabando por permear cada aspecto da fábrica social emergente.

O Aceleracionismo de Esquerda está se promovendo como um redentor da promessa vazia de Keynes? A partir da pura descritividade dessa passagem (vagamente pesarosa) é difícil saber. O que podemos saber, com confiança, é que o tempo de trabalho não pode ser nada além de um tópico axial dentro de toda essa discussão.

Se a Lei do Valor deve ser defendida, a produção de valor é medida em tempo (de trabalho). O fator de transformação de Marx é projetado para conservar a equação entre trabalho quantificado – temporalizado — e valores econômicos, conforme expressos nos preços. Se esse remendo falhar, toda a análise do Capital perde aplicação para um fato social determinado. Não haveria mais qualquer economia marxiana que seja (uma conclusão que Negri e os Autonomistas parecem dispostos a aceitar).

É difícil ver como um Aceleracionismo de Esquerda poderia ser mantido sob essas condições. O tempo histórico não teria mais qualquer relação calculável com a mercantilização do trabalho, com a vida trabalhista ou com qualquer identidade de classe proletária que pudesse ser construída. O tempo real da modernidade (capitalista) – ao qual o aceleracionismo se agarra — não poderia mais ser descrito como o tempo do trabalho. No limite, as forças de trabalho humanas são relegadas a "parasitas afídios das máquinas". Uma vez que a luta de classes sobre o tempo de trabalho seja divorciada de um papel plenamente determinante na produção de valor, o proletariado é despojado do potencial de encarnar a história-em-si, consignando o ‘marxismo’ a uma articulação de queixas marginais e, em última análise, à morte térmica na política de identidade. (Isso, claro, é exatamente a tendência que tem sido sociologicamente aparente.)

Um último ponto cru por ora. Enquanto teoria cibernética fundamental, o aceleracionismo está ligado à identificação de um loop de feedback positivo central à sociedade, através do qual a modernidade é impelida. Desta forma, ele requer — no mínimo — variáveis quantitativas gêmeas entrelaçadas em uma relação de estímulo recíproco. O capitalismo industrial, com sua dualidade ‘teconômica’ intrínseca de dinâmica técnica e comercial entrecruzada, torna a aplicação do diagrama cibernético relativamente não problemática. Com ou sem a Lei do Valor, o esquema aceleracionista não pode deixar de se interligar firmemente com os contornos mais proeminentes da modernidade.

Se não um trabalho temporalmente denominado (‘vivo’ e ‘morto’), contudo, qual é a variável sendo acumulada? Essa é a questão para se levar adiante. A pergunta por ora: se o trabalho é o fator cumulativo na análise aceleracionista, como uma crítica prática do tempo de trabalho pode ser algo além de uma política de desaceleração?

(O passo-a-passo anotado inicial do Urbano Futuro ao #Acelerar está aqui: 1, 2, 3.)

ADICIONADO: Às vezes eu me preocupo que a Wikipédia possa estar levando o espírito de neutralidade estrita a extremos (do link já dado): "Mais uma vezes, os teóricos burgueses conseguem nos impressionar com sua erudição, enquanto evitam completamente a substância do debate".

Original.

Pingos nos ‘I’s

O quer mais que se deva aprender com ‘A Dream I Dreamed’ (“Um Sonho que Sonhei”)a exposição de Kusama Yayoi no Museu de Arte Contemporânea de Shanghai (de 15 de dezembro de 2013 a 30 de março de 2014) — a lição mais superficialmente impressionante é sociológica. Os shanghaineses – e especialmente os jovens de Shanghai – não se cansam disso. Depois de quase dois meses, as filas já não se estendem regularmente até o People’s Park e saem em direção a Nanjing Xi Lu, mas ainda transbordam a galeria. Temática e socialmente, este é um espetáculo sobre multidões.

Kusama, nascida em 1929, tem uma carreira artística que remonta à década de 1950. Ao longo de sete décadas, à medida que sua celebridade aumentava e diminuía em ondas, seu foco artístico — ou, mais exatamente, sua “obliteração” estratégica de foco — permaneceu notavelmente constante. A desintegração sensual do eu e do mundo no padrão de pontos tem sido uma preocupação contínua.

A mostra no MAC concentrou-se no trabalho muito recente de Kusama, principalmente nos dois anos anteriores. Para uma audiência geral, as peças mais conhecidas são provavelmente suas abóboras grandes, brilhantemente bi-colores, salpicadas, apreciadas por sua acessibilidade de arte pop e esteticismo despretensioso. Quando encontrado dentro do contexto da mostra, no entanto, o sombreamento de pontos disciplinados nesses trabalhos assume uma seriedade inesperada, já que é sugado por redemoinhos, desvios e agitações de pontos em cores diferentes, através de planos de imagens e superfícies esculpidas, e até mesmo em volumes ilusórios. Através de um poder de pura multiplicidade, a cromática de arte pop vívida e implacavelmente alegre de Kusama se torna as caudas de faixas-guais neonizadas, entrando em visões cósmicas e estados quebrados do ser.

Tulipas pontilhadas, cães pontilhados, enormes esferas pontilhadas estilo cogumelo, ‘Infinity Dots’ (2012), ‘Infinity Double Dots’ (2013) e ‘Infinity Nets’ (diversas, 2013) criadas pela perfuração pontuada difusa do espaço … tornou-se muito fácil entender por que Kusama escolhe viver em um hospital psiquiátrico japonês como uma paciente de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) e por que seus próprios relatos sobre seu trabalho vagam tão ininterruptamente entre estética e psicopatologia. Sua instalação ‘I’m Here, but Nothing’ (“Estou aqui, mas nada”) (2013), que consiste de uma sala de estar cheia de luz violeta e cheia de inúmeros pontos alucinatórios, fornece algo próximo a um portal da insanidade. Os visitantes que entram na ‘Obliteration Room’ (“Sala de Obliteração”) recebem uma folha de adesivos de pontos coloridos e são convidados a enlouquecer. É tonto de uma maneira humorística e séria ao mesmo tempo.

Os trabalhos tipicamente não têm centro, o que difunde a percepção suavemente através da pura distribuição, às vezes através de espaços expandidos ao infinito por meio de espelhos instalados. O senso de sugestão religiosa é ocasionalmente explicitado, como em “Transmigration” (2011) — uma pintura acrílica estilo “infinity-net” cujo título numinoso é apenas reforçado por sua continuidade temática com o resto da mostra. Em ‘Narcissus Garden’ (2013), um conjunto de esferas de aço inoxidável, espelhamento e a montagem de partículas incolores são finalmente fundidas (embora este trabalho seja mais notável por sua perfeita invaginação do vocabulário artístico de Kusama do que por seu poder estético). Imergir “a si mesmo” nesta exposição é espalhar-se pelo vazio, perdido nas nuvens e nas multidões.

O apelo de Kusama manifesta uma sensibilidade “pop” do leste asiático que claramente funciona em Shanghai, atestando mais uma vez a influência da cultura japonesa contemporânea em toda a região e a contínua relevância das tradições religiosas comuns. Além — ou simplesmente através — da frivolidade deliberada deste trabalho, algo profundo e despedaçador está sendo compartilhado. Vale a pena adicionar-se às multidões.

Original.

Adeus à Serpente

O UF tem estado especialmente quieto recentemente, porque eu estou no Camboja, flutuando em meio a uma conectividade em flocos. Tentar manter a atividade na Internet por meio de um tablet — que parece desdenhar até mesmo do controle elementar de um cursor (sem links, sem recortar e colar, pesadelo de edição) — agrava o problema. Neste momento estou monopolizando um computador real no alojamento onde estou hospedado e é possível avaliar o quão conectado Camboja já se tornou.

O Camboja é um país extraordinariamente atraente e é o lugar perfeito para se despedir do ano da cobra. Ele tem uma abundância de répteis (altamente venenosos), embora seja improvável que eles sejam encontrados fora da estação chuvosa (final do verão). Além disso, e sem dúvida, em grande medida, consequentemente, ele tem uma mitologia de serpentes extraordinariamente rica, organizada em torno da naga. As Nagas saturam as gloriosas ruínas do antigo Reino Angkor, como guardiãs do templo, elementos narrativos dos baixos-relevos e capuzes para os (mais recentes) Budas meditadores. As sutis, mas multifacetadas, evocações do encapuzamento sugerem que as cobras e as nagas estão envolvidas em uma complexa troca de associações. Este é incontestavelmente o país da cobra.

Para Urbano Futuro, o Ano da Cobra foi um período de transição encapuzada. ‘Este’ blog percorreu três plataformas diferentes durante o tempo da cobra. Depois de eliminar 500 comentários de spam devido a problemas de hospedagem nos últimos dias, é difícil dizer que a plataforma atual está exatamente resolvida, mas o trabalho principal está concluído. A situação da infra-estrutura certamente nunca foi melhor.

O Ano do Cavalo supostamente deve ser industrial, o que significa usar o que você precisa para conseguir as coisas feitas. Para este blog, a principal tarefa é iniciar uma discussão auto-sustentável sobre a Modernidade Chinesa, retomando a história e encaminhando-a a uma especulação disciplinada, a fim de consolidar uma compreensão de Shanghai como o tópico filosófico singular (de profundo significado global) que sempre esteve destinada a ser. No final do primeiro mês do Cavalo, essa ambição grosseira deveria se parecer mais com um programa crível.

Vou tentar publicar saudações de Chunjie em Phnom Penh (você está interessado em saber como as celebrações acontecem lá, certo?).

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Ludibriadas

As cidades foram mantidas no solo, observa Robin Hanson em um post pé-no-chão sobre o assunto. Dadas as fortes evidências de retornos crescentes para o desenvolvimento vertical, até 20 andares em Shanghai (e 40 em Hong Kong), é imediatamente óbvio que as principais metrópoles do mundo estão muito mais estreitamente presas à terra do que um cálculo econômico poderia prever. Construções super-altas são desafiadoras, mas a construção de arranha-céus a altitudes moderadas não está sendo inibida por quaisquer fatores econômicos ou técnicos facilmente identificáveis.

Depois de percorrer uma gama impressionante de possíveis explicações para o nanismo urbano, Hanson chega à conclusão:

A densidade urbana e, consequentemente, o tamanho das cidades são limitados principalmente pelas capacidades dos elementos conflitantes que influenciam os governos locais a se coordenarem para permitir construções mais altas. […] Lembra daquelas imagens futuristas de cidades densas e altas que arranhavam os céus? Os engenheiros fizeram seu trabalho para torná-las possíveis. É a política que ainda não está à altura da tarefa.

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Chineses Assustadores

Jeffrey Wassertrom conduz uma turnê aos sonhos e pesadelos ocidentais sobre a China. Embora a amplitude da oscilação seja notável, ele acha a própria síndrome bipolar notavelmente estável ao longo do tempo. A subida — sugere Wasserstrom — está associada às esperanças de que “eles” estão se tornando mais parecidos com “nós”, mas na descida:

… quando a China do Pesadelo Ocidental está dominante, o risco é que os observadores e o público em geral percam de vista o quão variada a população chinesa é e, ao invés disso, fiquem acostumados a imagens demonizadas da China … preenchidas não com indivíduos chineses de carne e osso, mas com uma horda de manequins sem alma. […] Estórias que desumanizam a população da China por completo também são periodicamente publicadas, embora apenas raramente elas o façam tão abertamente como um artigo de 1999 da Weekly Standard, que descrevia o povo chinês como propenso a uma conformidade no pensamento de grupo “parecida com os Borgs”.

Quando dissecados e investigados com calma, estereótipos duráveis normalmente têm algo significativo a dizer, tanto sobre seus sujeitos quanto sobre seus objetos. A sinofobia ocidental é uma área de caça especialmente rica para exploradores culturais, e a importância de se entendê-la vai apenas crescer. O Urbano Futuro trará atenção sustentada a este mesmo tópico nos meses por vir.

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O Museu de Ningbo

O Museu de Ningbo, que mereceu um prêmio Pritzker para o arquiteto Wang Shu em 2012, é um edifício desafiador. Combinando elementos e materiais tradicionais com um modernismo monumental — em sua manifestação mais intransigentemente brutalista — ele efetua um complexo peculiar de delicadeza e terror.

NingboMuseum

As fachadas assinadas por Wang já exibem a mesma ambiguidade em embrião. Seus vastos planos puros, exibidos no pavilhão de Ningbo Tengtou na Expo Mundial de Shanghai em 2010, memorializam um passado demolido. Os tijolos e telhas de vilarejos obliterados são reciclados em superfícies requintadamente tesseladas e infinitamente absorvedoras, esparsamente pontuadas por janelas irregularmente orientadas e distribuídas. A tensão entre a escala esmagadora e a composição intricada é imensa (e íntima). Deslocamentos sutis de textura e cor nos materiais não uniformes transformam as paredes em exibições sensuais de padrões abstratos, enquanto seu rigor geométrico maciço se aproxima de um estado de absoluta ameaça (com uma inconfundível veia militar-totalitária).

Na estrutura do Museu de Ningbo, essa tensão é composta até um tom quase histérico por uma estrutura híbrida, que funde os mosaicos achatados dos vilarejos com blocos colossais de concreto texturizado comparativamente homogêneos. A construção parece uma fortaleza moderna, montada em uma linguagem arquitetônica de um rígido pragmatismo defensivo. Cada abertura é pressurizada na direção de uma fenda, como se mesmo aberturas mínimas fossem uma concessão relutante à fraqueza e à vulnerabilidade. Para a instituição cultural de referência de uma cidade aberta e comercial, aninhada na região tradicionalmente pacífica de Jiangnan, na China, esse vocabulário estrutural é chocante e indubitavelmente provocador. Se há uma mensagem, ela não é fácil de descriptografar

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