Viés Verbal

É muito fácil pros tipos limitados às palavras se esquecerem do que a Internet é feita:

Impressões de fotos chegaram ao seu pico em (digamos) 80bi ou algo assim em 1999.
Compartilhamentos anualizados no FB + WhatsApp + IG + SC = mais de meio trilhão anualizados.
Filmes já foram um quarto da demanda por prata do mundo.

É o mesmo argumento que aparece em uma pesquisa recente de Nellie Bowles sobre o ‘momento‘ da tecnologia em LA:

"Os americanos assistem 5.3 horas de televisão por dia, e eles leem menos de meia hora", o VC Mark Suster me contou mais tarde. "Quer você goste ou não, você não vai mudar os padrões de consumo das pessoas de modo dramático. Se você aceitar essa premissa, então você tem que aceitar que Internet vai se tornar uma grande plataforma de vídeo, e LA vai ganhar."


Original.

Mente de Twitter (+1)

Dead Twitter

Pesquisar "o Twitter está morto" no Google gera quase dois bilhões de resultados, o que não é uma indicação óbvia de vitalidade. Adrienne LaFrance e Robinson Meyer, escrevendo no The Atlantic, sobrecarregaram o meme com seu ‘encômio’ para a plataforma, que a descrevia como "tendo entrado em seu crepúsculo" conforme as tensões em seu "inerente (e explícito) mercado de atenção" foram expostas.

Desde o princípio, havia alguns preceitos úteis em que aqueles de nós que se obcecavam com a plataforma tinham que acreditar. Primeiro, você tinha que acreditar que alguma outra pessoa lá fora estava prestando atenção, ou melhor, que uma porção significativa – não só 1 ou 2% – dos seus seguidores poderiam ver seu tweet. Segundo, você tinha que acreditar que fazer tweets habilidosos e convincentes aumentaria seu número de seguidores. Terceiro, você tinha que acreditar que havia uma audiência útil que você não podia ver, para além da sua linha do tempo – um grupo que você poderia querer seguir um dia.

LaFrance e Meyer não chegam à acusação de ‘Ponzi’, ela está implícita. Ao prometer um crescimento explosivo e distribuído de audiência, o Twitter encoraja reivindicações impossíveis sobre um reservatório global de atenção já sob pressão, como se todo mundo fosse capaz de abocanhar pedaços cada vez maiores do tempo das outras pessoas. A atenção sofre uma desvalorização inflacionária, e uma subsequente implosão, conforme a bolha colapsa em um pântano de desilusão, em meio a uma enchente de "spam … pontuações de popularidade artificialmente infladas" e robôs falsos para acariciar os egos.

Há um argumento positivo a favor do Twitter que contorna esse diagnóstico, mas um engajamento mais revelador o abraçaria. O pressão sobre a atenção dramatizada pelo Twitter é a maneira específica em que nosso ‘choque de futuro‘, há muito esperado, finalmente chega, impelindo sistemas humanos legados – biológicos, psicológicos e sociais – até seus limites de velocidade. A "Sobrecarga de Informação" é formatada para a Linha do Tempo do Twitter, como densidade de mensagens ou um fluxo de estilhaços. Se há confusão sobre o que o Twitter é em última análise, isso se deve pelo menos em parte às correntes que correm por ele surgirem em outro lugar – a magnitude é a mensagem.

Splinter Twitter

O que quer que tenhamos pensado que seria a aparência do choque do futuro, graças ao Twitter estamos sendo informados. É uma crise do tempo, personalizada como uma inundação parcialmente navegável. Para além de todas as questões fáceis de utilidade para o consumidor, o que está sendo encontrado é algo histórico, planetário – até mesmo cósmico – e está esperando para nos submergir, o que quer que façamos. Simplesmente, há coisas demais entrando. Independente da maneira em que vamos nos ‘ajustar’ a isso, a hora de começar é agora.

Twitter Evo

(As primeiras observações do UF sobre a Mente do Twitter estão aqui.)


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Alibaba

O Wall Street Journal produziu uma introdução excelente e cheia de gráficos à gigante chinesa do e-commerce, que conduziu US$240 bilhões em negócios online em 2013 (mais do que a Amazon e o E-Bay combinados). A definição informal no início explica porque você deveria se importar:

A Alibaba é maior empresa de comércio online da China – e, por algumas métricas, do mundo. Seus três principais sites – Taobao, Tmall e Alibaba.com – têm centenas de milhões de usuários e hospedam milhões de comerciantes e negócios. A Alibaba lida com mais negócios do que qualquer outra empresa de comércio eletrônico.

Espera-se que o IPO da Alibaba o valorize entre US$150 e 250 bilhões (colocando-a entre as dez empresas de tecnologia mais valiosas do mundo). A rapidez da mudança neste setor é difícil de compreender. Espera-se que o mercado de e-commerce chinês, hoje em US$300 bilhões, exceda US$700 bilhões em 2017.

ADICIONADO: Alguns antecedentes sobre o relacionamento Alibaba-Yahoo.

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Filosofia em Gráfico

Como a filosofia se conecta? Simon Raper, no Drunks & Lampposts transforma essa questão em um problema prático de visualização. Quando reduzida a um gráfico, ela se parece com isso:

Philosophy Graph

(Clique para aumentar.)

Ao exibir a ‘história da filosofia’ como um conjunto de conexões simultâneas, ele faz um ponto sobre referência temporal que demandaria muitas palavras para se igualar.

Seria altamente intrigante ver este livro receber o mesmo tratamento.


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Guerra de Memes

Começou demais:

A ideia de que o #aceleracionismo = aumentar a velocidade do capitalismo/determinismo vai desvanecer tanto quanto qualquer um que promova essa posição.
— xlrtr (@xlrtr) Abril 20, 2014

Sinto que algumas pessoas estão procurando abandonar o rótulo aceleracionista. Um erro IMO. A proliferação do discurso accel. determinará a definição.
— xlrtr (@xlrtr) Abril 20, 2014

O contra-argumento realista é que o processo cultural aceleracionista é (ou, em última análise, terá demonstravelmente sido) controlado por seu objeto. A única maneira de descobrir é a realidade acontecer — e podemos ter extrema confiança de ela irá.

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Sem Opressão

Zachary Keck está estupefato com os achados de uma pesquisa recente da Global Scan, que descobriu uma ampla satisfação chinesa com a mídia e o ambiente de vigilância do país. Entre os achados, 76% dos chineses se sentem "livres de vigilância", comparado com apenas 54% dos americanos. Na medida em que a opressão pode ser avaliada subjetivamente, o ‘comunismo totalitário’ chinês não está fazendo ela muito bem.

Pode haver alguma maneira de minerar essas informações de maneira rigorosa, mas isso está para além do escopo da discussão até o momento. Keck devaneia sobre a possibilidade de que os vazamentos de Edward Snowden azedaram a opinião ocidental, embora "seja difícil saber quanto as visões podem ser atribuídas a expectativas diferentes que o chineses têm sobre liberdade, quando comparados com suas contrapartes em países democráticos, e quanto suas respostas podem ser atribuídas à ignorância geral sobre a vigilância e a censura do governo chinês. Eu suspeito que ambos os fatores provavelmente desempenham um papel, mas que o primeiro provavelmente é mais importante".

Um explicação alternativa é que as culturas ocidentais se desenvolveram de uma maneira que santifica a dissidência, e encontra a exemplificação da liberdade no ato ou na expressão do desafio. A suposição alternativa chinesa, de que a liberdade é principalmente sobre ser deixado em paz, é classicamente capturada pelo provérbio "As montanhas são altas, e o Imperador está bem longe" (山高皇帝远). Sem surpresas, pensa-se que esse ditado tenha se originado na empreendedora Província de Zhejiang (talvez o lugar mais civilizado do mundo).

Por que alguém, além de um idiota, iria procurar o imperador, simplesmente para espetar um dedo em seu olho? Não faça nada desse tipo, e não há muito chance de encontrar opressão. Um pouco de conexões de internet com falhas não se parecem com "uma bota pisando em um rosto humano — para sempre". Parece-se com uma inconveniência menor. Pelo menos, é isso que as evidências da pesquisa sugerem.

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Bitcoin na Rota da Seda

Uma série de obrigações de escrita profissional me levaram a Xinjiang três vezes esse ano, e a impressão mais forte dessas viagens foi a centralidade da herança da Rota da Seda. Independentemente de fronteiras, etnias e controvérsias, a Rota da Seda é a razão pela qual todo mundo está lá, e a coisa que sempre veio primeiro. Derivativamente, uma infraestrutura de transporte conecta os assentamentos, mas primariamente é a grande estrada antiga que depositou áreas de habitação ao longo de seus vastos — e severos — trechos intermediários, como se estivesse se provisionando com o equivalente arcaico de postos de gasolina e de polícia rodoviária, distribuídos em qualquer frequência necessária para manter a estrada aberta.

A China não é muito adepta das RPs internacionais, e a cobertura de Xinjiang na mídia mundial tende a ser crítica. Isso resultou em uma irritabilidade previsível e, muito embora o exame histórico mais superficial já demonstre que os chineses Han têm uma presença profunda e antiga na área, não se perde nenhuma oportunidade de sublinhar esse ponto ainda mais. Esses esforços variam do genuinamente iluminador ao comicamente incompetente. Uma espécie especialmente interessante de evidência, que cai em algum lugar entre esses extremos — e passa por entre eles em um ângulo estranho — é a cunhagem. Repetidamente me foi dito por curadores de museu e especialistas históricos, sempre com a maior seriedade, que a abundância de moedas imperiais chinesas encontradas na área era um indicador inequívoco de integridade demográfica e do assentamento Han. Certamente, Xinjiang é um paraíso dos numismatas, mesmo que esses sinais comerciais tangíveis sejam arrastados para dentro de histórias que eles não podem contar de maneira confiante.

Moedas têm pouca afinidade com assentamentos. Conta-se sempre a ‘portabilidade’ entre as características essenciais exigidas do dinheiro, porque sua função é circular, ou viajar. Como gotículas arrastadas pelas correntes do comércio, as moedas de Xinjiang pertencem à estrada antes de pertencerem ao lugar, eloquentes sobre transações, mas mudas sobre territórios. Elas contam sobre fluxos e passagens, mas quando o tópico se volta para a geografia política, elas se calam. De que importam, para o tráfego comercial, fronteiras e pátrias? — Apenas para aquilo com o que ele é coagido a se importar, seja por pedágios ou bandidos fora de controle.

A China foi puxada para o seu Far West, há bem mais de dois milênios, como guardiã da Rota da Seda. Ela foi legitimada como hegemon regional por sua capacidade administrativa e coesão cultural. Aparentemente, na atual era de brigas etno-nacionalistas sobre fronteiras e de irritabilidade territorial, reconhecer esse fato indiscutível ou é demais ou é insuficiente.

Até recentemente, o Bitcoin estava associado com uma Silk Road diferente — embora, sem dúvidas, uma não muito diferente. Como uma criptomoeda parcialmente anonimizada, imunizada de maneira fundamental contra a interferência política de qualquer tipo, ela estava naturalmente afiliada aos mercados anarco-capitalistas da ‘dark web’. O fechamento dessa Rota da Seda da Internet, no começo de outubro de 2013, impeliu o Bitcoin a uma nova fase de existência, como o Tech Crunch explica:

O recente aumento de preço do Bitcoin também vem após uma queda de 15% no mês passado [setembro de 2013], depois a invasão do ‘mercado negro’ subterrâneo da Silk Road — onde bilhões em bitcoins foram usados para comprar vários bens e serviços ilegais desde que a Silk Road foi montada. O fechamento do serviço abriu um buraco na valorização do Bitcoin — mas claramente apenas temporário. O Bitcoin recuperou rapidamente o valor perdido e, desde então, entrou nessa última onda.

A remoção de um dos mais notórios dutos que ligavam o Bitcoin à compra e venda de narcóticos e outros bens e serviços ilegais pode, na verdade, ter ajudado a criptomoeda — melhorando sua reputação e, assim, impulsionando seu apelo popular.

O Bitcoin suporta transações quase anônimas, o que encorajou seu uso na Silk Road. Mas a criptomoeda tem muitas outras características que potencialmente a tornam interessante para uma base de usuários muito mais mainstream — como o fato das transações serem irreversíveis, algo de interesse potencial para os varejistas online que querem evitar o incômodo de estornos.

Com a Silk Road artificial fechada, o Bitcoin foi rapidamente plugado à original. Menos de duas semanas depois da operação do FBI, o gigante da Internet chinesa, Baidu, anunciou que ele começaria a aceitar bitcoins. Embora seja uma óbvio evento limítrofe, essa decisão também foi a confirmação de poderosas tendências pré-existentes, que haviam elevado o nível de interesse chinês na moeda ao segundo maior no mundo (depois apenas dos Estados Unidos). Para poupadores chineses, presos entre as contas bancárias em RMB, de retorno negativo, e mercados imobiliários irracionalmente exuberantes, os prospectos do Bitcoin enquanto reserva especulativa de valor facilmente parecem atraentes. (Um crescimento paralelo na posse, tanto pública quanto privada, de ouro reforça essa impressão.)

A interpretação mais radical desses desenvolvimentos, contudo, os conectaria às intimações a um “mundo des-americanizado”. Para usuários americanos do Bitcoin, em particular, a moeda já é adotada como uma maneira de vender o dólar americano e expressar de maneira prática um desgosto para com o regime monetário fiduciário global. Meros dias antes da decisão do Baidu, um comentário no Xinhuanet sugeria:

O que também pode ser incluído como parte fundamental de uma reforma [financeira global] efetiva é a introdução de uma nova moeda de reserva internacional, a ser criada para substituir o dólar norte-americano dominante, de modo que a comunidade internacional permaneça afastada dos efeitos colaterais da intensificação da turbulência política interna nos Estados Unidos.

Soa como se a história estivesse sendo feita.

Original.